quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Honda levado da garagem de condomínio mexe com os nervos de toda a Península

Quando o carro sobe a garagem e chega ao nível da rua um sensor abre o portão de saída automaticamente, sem que nenhum funcionário tenha tempo de interceptá-lo. Isto já está acontecendo nas portarias 1 e 3 do Saint Barth Club Residènce. Até o sábado de carnaval, a Portaria 2 será alcançada, dentro da mudança do sistema de acesso, a um custo bem salgado, que pretende modernizar e oferecer mais segurança às 330 famílias dos seus 5 blocos.

Com o novo modelo, o acesso deverá ser feito através de digitais previamente cadastradas na administração até 15 de março. As tags serão desativadas, esperando-se, assim, obter um controle maior de quem entra.  Já a saída excluiu todo e qualquer obstáculo a quem vem de carro das garagens subterrâneas.

Foi assim que um New Civic prata blindado foi levado de dentro da garagem do Saint Barth nos primeiros minutos da terça-feira, 10 de fevereiro, num roubo de carro que mexeu com os nervos de toda a Península e suscitou quase cem comentários na página dos "Reais Amigos" do facebook, onde a notícia foi postada pela vítima ao cair da tarde da terça-feira de calor enervante. 
"Vizinhos, atenção! Essa noite meu carro, um New Civic blindado, foi roubado de dentro da garagem subterrânea do meu condomínio - Saint Barth. Já conseguimos vê-lo sendo levado pelas câmeras por volta de 00:30. O condomínio está investigando a entrada e saída de um carro suspeito que saiu no mesmo momento que o nosso. Já fizemos o BO. Não posso descartar a possibilidade de ser algum empregado nosso que pode ter acesso a chave do carro. Mas não acreditamos, já que são pessoas de confiança. Mas o que quero dizer aqui é que desconfiem, não deixem chave de seus carros na roda, para brisa ou com porteiro etc. Meu carro estava trancado e a chave em casa, mas são tantas as possibilidades que nessa hora não sabemos no que pensar. A seguradora Schubb nos informou que está tendo uma onda de assaltos de carro em condomínios na Barra. O meu não foi o primeiro. Muito cuidado, muita atenção! Não estamos protegidos!! Estou cansada do discurso: ainda bem que foi só o carro, poderia ter sido pior. Juro, estou muito cansada. Desculpem o desabafo". 
Contatada por mim, através do Facebook, Amanda Bukahi informou a cor do seu Honda, mas disse não dispor de foto:  "Meu carro é prata, posso procurar foto mas acho que não tenho, infelizmente. Talvez a imagem das câmeras ... Estou mais propensa a achar que foi alguém conhecido, mas não posso afirmar.Ninguém  pode. Pode citar sim, espero que alerte todos sobre mais um perigo que ronda nossa vizinhança".

O Saint Barth tem uma nova empresa de segurança desde novembro. É a quarta no período de 3 anos. E votou uma cota extra em outubro de 2013 de R$ 1 milhão e 200 mil, dos quais metade foi usada na troca de aparelhos da Academia, que tinha apenas 4 anos, a idade da constituição do condomínio.  Outra parte foi destinada a ampliar o número de câmeras de segurança e alguns outros serviços. No final dos 10 meses, sobrava dinheiro da cota extra, algo inédito: R$ 365.443,73, segundo o balancete sintético de dezembro. Isto por que ela foi votada no sopapo sem conhecer previamente os orçamentos, conforme exigências legais.

Como na maioria dos condomínios da Barra (não só da Península) a segurança é a maior preocupação dos moradores. E já se gastou muito nessa rubrica no âmbito da Península sem que os moradores tenham percebido qualquer melhoria. Esse clima vai se agravar ainda mais depois desse  roubo do New Civic de dentro de uma garagem subterrânea de um condomínio que gasta em torno de R$ 100 mil mensais com a empresa de segurança, fora a manutenção do CFTV, escriturada em R$ 31.235,98 no balancete de dezembro.

Segurança seria o grande trunfo de um conjunto de condomínios de acessos controlados. Além disso, notícias como esse roubo acabam pesando negativamente na desvalorização dos imóveis, já tangenciada pela queda do mercado. Mas quem assume certas posições tem uma visão estreita e olhos exclusivamente para mais gastos.

Por suas formações precipitadas com participação de apenas parte dos futuros moradores, muitos condomínios entregaram-se a terceirizações de suas atividades fins. Uns bem intencionados, outros, infelizmente não, tratam grupamentos residenciais como se fossem prédios comerciais ou shoppings e entregam serviços como os de portaria e manutenção a empresas e seus empregados "rotativos", que são inteiramente estranhos à vida "caseira" dos moradores.

É corriqueiro você se dirigir a alguém da portaria e receber a resposta: "desculpe, este é meu primeiro dia aqui".

Nos contratos que representam o dobro do custo por administração direta do pessoal não há responsabilização pela qualidade ou pela ficha de cada um. Aos olhos dos moradores, estaríamos protegidos por pessoal de segurança treinado.  Quando assumiu no Saint Barth, a empresa atual vestiu seus homens de boinas e coturnos: eles pareciam policias militares.  Mas esses são profissionais remunerados como agentes de portaria, com a qualificação equivalente. Não foi à toa que dias depois da mudança, as boinas, os coturnos e  os uniformes "paramilitares" passaram a rarear.

O roubo do New Civic blindado está aí como um corpo de delito de um sistema que não vai melhorar com medidas cosméticas. Sorte que foi realizado com tal facilidade que não causou uma tragédia maior. Registre-se que só se ficou sabendo por que a vítima a divulgou numa página que é acessada por moradores de toda a Península.  O síndico do Saint Barth, Jorge Biásio, postou comentário na página da administração em resposta a alguns questionamentos: "Pessoal, isso é caso de policia e a administração esta tomando as providencia cabíveis. Aproveito para reiterar a importância do recadastramento dos moradores, funcionários, prestadores de serviço, automóveis, etc...."

No mesmo espaço, ele diz: "o sistema de biometria será completo, identificaremos a entrada e saída de pedestres e carros. Até o dia 15/03 tudo estará funcionando". Na verdade, as câmeras registraram a saída do carro roubado, mas aparentemente ele se valeu da abertura automática do portão.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

As águas de fevereiro

Já não se pode levar a sério nem ameaça de ciclone: que o diga o prefeito que se armou para enfrentá-lo


Em clima de declaração de guerra, o prefeito formou a sua trupe de rapazolas sarados às 6 da manhã de uma quinta-feira de sol majestoso e fez um alerta marcial aos quatro ventos: - Estamos em posição de defesa ante a iminência de grandes temporais influenciados por um ciclone subtropical.  Quem está em solo firme, só saia de casa se não puder ficar. Quem mora em área de risco, trate de cair fora antes que o barraco lhe caia na cabeça.

Foi um Deus nos acuda, literalmente, um Deus nos acuda com toda a fé que remove montanhas. Fevereiro de carnaval ia oferecer um ensaio aperitivo pra muito afoito tirar seu cavalinho da chuva. Era o espetáculo do ciclone à brasileira.

Durante todo o 5 de fevereiro deste 2015 não se falou de outra coisa na  terra de São Sebastião: a última grande enxurrada aconteceu em 13 de fevereiro de 1996, com 22 mortos só no primeiro balanço. Mês surpreendente, esse aí.

Mas desta vez a chuva incorporava uma causa justa, a dos sem água do amanhã. Daí, o populacho curioso se comunicava entre si para saber onde cairiam as primeiras gotas do líquido mais precioso do que nunca. Viesse enxurrada, não importava, o prioritário era afastar o fantasma do Cantareira, aquele reservatório que vem tirando a paulicéia desvairada do sério.

Foi por isso que o prefeito deu espetaculosas asas às nuvens iracundas que se espalhavam onde o vento fazia a curva.

- Chove chuva, chove sem parar – oravam nos templos e batiam tambores nos terreiros ensandecidos. Até sua eminência o cardeal ajoelhou-se ante o Cristo Redentor. E quem ajoelha tem de rezar.

Devidamente paramentados, de galochas e salva-vidas, o prefeito e sua trupe de rapazolas sarados atravessaram as ruas mais sujeitas a enchentes ainda no alvorecer. E, como não são de ferro, foram acampar no bem refrigerado centro de operações da Prefeitura, onde se serviam sucos afrodisíacos sob os flashes de todas as câmeras e onde aquele aloprado exibe em todas as reportagens um gravador em que destaca o nome da Super Rádio Tupi num merchandising invejável.

Havia um quê de cacique Cobra Coral no semblante castelão do jovem nascido em 1969, um mês antes do perverso AI-5. Era essa coincidência natalícia que o movia ao protagonizar mais uma pegadinha que levou a multidão perplexa a um estado de tensão compensatório: o brabo era mesmo o medo da água sumir pelo ralo e deixar meio mundo na saia justa de um odor desagradável.

Fazia tanto tempo de sol a pino que todo mundo sonhava com um refresco qualquer, fosse uma neblina suave ou insólitas chuvas torrenciais com relâmpagos e trovoadas. O mar não estava pra peixe ainda mais com a desafinada sinfonia do volume morto de rios tanto antes navegados.

O prefeito e sua trupe de rapazolas sarados contavam os minutos nos dedos numa espera prenhe de emoções circenses. Faziam rodízio no olhar o horizonte perdido, mas nem um sinal da gota serena, enquanto o sol foi cumprindo sua rotina sem notícias do misterioso temporal que mandou todo mundo mais cedo pra casa. Pra não dizer que estava intransigente, o astro-rei deixou cair algumas gotas de orvalho em movimentos esparsos e efêmeros.

Os rapazolas sarados davam nó em pingos d'água para contornar o mico hídrico. Mas os céus continuavam sovinas e indiferentes aos clamores da urbe cristã. Faltava água no céu, tanto como na terra. Ferrou.

O prefeito não se dava por satisfeito. Ao descortinar da noite espessa, porém,  teve que admitir a "barriga" e reverter o discurso: "graças a Deus não veio o temporal esperado" – tentou fazer do limão uma limonada.

A pegadinha teria de deixar sequelas. Quem vai acreditar no prefeito quando ele tentar outra vez espetacularizar o que seria apenas um shakespeariano sonho de uma noite de verão?

O triste em toda essa ópera bufa é saber que o buraco é mais embaixo e expõe a patética possibilidade de um racionamento de água e, por tabela, de energia elétrica?  

O GLOBO de 14 de fevereiro
de 1996 : um dia de caos
Quantas pessoas entre nós, além do atento síndico do Via Privilege,  estão pensando num provável período de vacas magras, sem cacimbas e sem medidas inteligentes de melhor aproveitamento da água e do uso mais racional da energia fornecida, agora, mais do que nunca, a peso de ouro?

Em tempo: a novela não acabou. Quando a gente menos esperar, pode cair um tremendo toró – lembrai-vos que o de 1996 foi num dia 13, e o 13 de 2015 será numa sexta-feira. Já viu, né? Qualquer coisa pode acontecer neste país que em matéria de água as autoridades pertinentes preferem enxugar gelo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Mais vida para o que der e vier

Médico vê em ressonância magnética tumor necrosado e me injeta ânimo para retomar a luta com a paixão de sempre

Os meus inimigos internos sofreram mais um golpe, embora não se possa dizer que eles não voltem a atacar no futuro de forma insidiosa, saliência de seus maus hábitos. Como é do conhecimento de todos, conforme minha opção pela transparência sem limites ou exceções, desde setembro de 2013 venho protagonizando uma luta indômita contra um CHC, distorção agressiva, tendo o meu fígado como alvo do conflito.

Mas pelo jeito vou poder festejar minha 72ª primavera, quando março vier, como naquele dia em que, meninote, descobri meus pendores pelo inconformismo diante da injustiça e da vilania.

São os fatos e contra os fatos não há contestação.  Às seis da tarde desta segunda-feira acinzelada, cheguei da "consulta de revisão" com o Dr. Feliciano Azevedo, responsável pelo tratamento do meu câncer hepático pelo método da radiologia intervencionista.

Fui levar o laudo da ressonância magnética do dia 6 de janeiro, assinada pelo Dr. Antônio Eiras, realizada um mês depois da quimioembolização do dia 2 de dezembro – o terceiro combate capitaneado pelo Dr. Feliciano (não confundir com aquele deputado homofóbico).  E SEU DIAGNÓSTICO NÃO PODERIA SER MAIS ANIMADOR.

Com a sensação de mais uma vitória na sua brilhante carreira científica, o professor da UFRJ e introdutor no Rio de Janeiro dessa tecnologia pouco invasiva não escondia a alegria juvenil de um coroa de 62 anos. "É isso mesmo, neste instante não há mais rastros dos tumores".

E enfatizou o laudo do Dr. Antônio Eiras: "A área pós-procedimento localizada em projeção do segmento V apresenta sinal um pouco mais heterogêneo no atual exame, porém mantém-se AVASCULAR, CONFIGURANDO NECROSE PÓS-PROCEDIMENTO sem evidência de tumor residual viável interno".

Está claro para todos nós da família que não estamos diante de favas contadas. Por rotina, em maio, me submeterei a uma nova ressonância (já estou familiarizado com essa máquina e sei que esse acompanhamento será por pelo menos 5 anos).

Mais uma coisa é certa: depois dessa, estou voltando à plena normalidade de minha inquietação atávica e estarei na linha de frente de onde precisarem de mim, nas plagas desse país de encantos e desencantos,  ou aqui mesmo, no meu mundo domiciliar à beira da lagoa da Tijuca.

Pelo que conversamos, agora não tem sentido abster-me de fazer meus gols nas peladas dos veteranos, às terças-feiras na Península. Portando, os craques maiores de 40 que me esperem. Estarei na banheira, como sempre durante os últimos 6 anos. E vou esperar receber bolas redondas, como nos bons tempos.

O plus dessa nova consulta foi que agora ele me recebeu no seu novo consultório de um complexo hospitalar ainda pouco conhecido, na Rua Jorge Curi, entrada pela Av. Airton Senna, colado ao Bosque da Barra. Na outras vezes, tinha de ir até o morro da João Borges, na Gávea onde fica a Casa de Saúde São Vicente. Além de perto, parando na própria rua, a patroa não precisou pagar estacionamento, uma despesa capaz de agravar nossa doença nesse ambiente de impune venda casada dos pátios dos hospitais.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Gerador agora ou agora

Crise hídrica no Sudeste faz acender de novo a luz vermelha nos condomínios
Pode parecer exagero, mas a configuração dos prédios da Península, com seus gabaritos de 16 andares, torna a existência de geradores como equipamentos básicos do seu funcionamento. Essa leitura foi feita por algumas construtoras em alguns empreendimentos, mas desprezada em outros: a RJZ Cyrela, por exemplo, construiu dois dos maiores residenciais na mesma época e com os mesmos conceitos: no entanto, enquanto o Saint Martin, de 550 apartamentos, foi entregue com 3 geradores que cobrem todo o condomínio, o Saint Barth, de 330, ganhou apenas um gerador, destinado a alguns fins, como a adega, mas seus 33 elevadores mantêm os moradores presos a cada apagão, deixando-os na dependência de resgates muitas vezes demorados.

Ninguém tem informação precisa sobre quais os condomínios que, como o Saint Barth, não contam com geradores. Mas vários deles foram à luta e instalaram esses equipamentos a custos razoáveis, como aconteceu no Quintas da Península e no Aquarela. Neste, um gerador "hospitalar" (de ruído reduzido) que atende com eficiência aos seus 3 blocos foi instalado a um custo total de R$ 140.000,00.
A implantação dos geradores voltou a povoar as preocupações dos moradores da Península com o insistente noticiário sobre a crise hídrica no sudeste do país. Enquanto em São Paulo a escassez de água nos reservatórios já está provocando racionamento em várias regiões, no Rio, um dos seus 4 reservatórios, o de Paraibuna, já opera com o "volume morto".
No nosso Estado, a diminuição das reservas de água se reflete mais diretamente no sistema de energia elétrica. Isso quer dizer que as possibilidades de apagões são maiores.
Independente dessas informações pontuais, o país já foi surpreendido na segunda-feira, dia 19, por um apagão que causou transtornos principalmente no Sudeste. E os temores de uma crise mais grave aumentaram com as declarações do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmando que o sistema entra em colapso se os níveis de todos os reservatórios chegarem a 10% - atualmente, fora São Paulo e o Paraibuna, estão em média em 17%.
Isso tudo impõe aos condomínios da Península a adoção de uma estratégia tanto em relação aos apagões de luz como à falta d'água. Essa semana também houve um corte por 48 horas. Quem tinha uma boa cisterna não sentiu seus efeitos. Mas nem todos os condomínios da Península dispõem de seus próprios reservatórios. No Saint Barth, há um sistema de canalização das águas das chuvas, como me informou um trabalhador da manutenção. Como isso funciona poucos moradores sabem.
O que parece claro é que a falta de visão e de competência de quem está à frente de vários condomínios tem levado a uma omissão deliberada sobre itens que estão diretamente relacionados com a nossa segurança e a nossa qualidade de vida.
Mas a responsabilidade maior é dos moradores, que têm uma participação mínima nas assembleias e não cobram informações de suas administrações, geralmente inchadas de pessoal e muito onerosas. O mais dramático é que a quase totalidade dos serviços é terceirizada, produzindo empregados em serviços diretos, como de portaria, que não conhecem os moradores por que têm sempre "pouco tempo de casa".

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Para quem não dorme no ponto

Condomínios que estavam no prazo de 5 anos e não fizeram autovistoria foram notificados pela Prefeitura


"O brasileiro só fecha a porta depois de arrombada" – não há ditado mais atual e mais grave.  Que se aplica a tudo, ressaltando a miopia generalizada na gestão das grandes cidades e de seus grupamentos residenciais.

Por mais de uma vez, ao longo da existência do nosso CORREIO DA PENÍNSULA, tenho alertado para a necessidade de rever procedimentos aqui, nesta célula urbana concebida para ser o mais completo projeto de moradia e convívio da cidade do Rio de Janeiro.

Atitudes primárias de vizinhos que se posicionaram à frente de alguns condomínios e da nossa ASSAPE têm impedido uma reflexão consistente e honesta a respeito do grande desafio de transformar o idealizado em real. Isto é: não basta a fértil imaginação dos empreendedores da Península, é preciso materializar e preencher com conteúdo o que foi esboçado na sua origem.

O conceito básico do "modo Península de conviver" é o entrelaçamento. É a soma de informações, a troca de experiências, o estímulo à aproximação através dos equipamentos e serviços existentes e por serem introduzidos.

No entanto, fora de práticas esportivas pontuais, nada se faz nesse sentido. Antes, pelo contrário. Já existem sinais de rivalidades cultivadas, não apenas entre condomínios, mas até mesmo entre blocos de um mesmo condomínio, onde construtoras fizeram projetos diferenciados.

Preocupações pétreas como a segurança não são compartilhadas entre a ASSAPE e os condomínios e entre estes, em meio a uma variedade de "empresas de segurança" que acabam dando as cartas conforme seus interesses: não é de hoje que se reclama o entrosamento entre as portarias de acesso da Península e às dos condomínios.  No entanto, é cada um por si, até hoje.

Mas não é só isso. Poucos sabem, mas alguns condomínios foram surpreendidos pela fiscalização da Prefeitura por não terem providenciado o que se chamou de "autovistoria", conforme a Lei Complementar 126/13 (municipal) e a Lei Estadual 6400/13. E foram notificados a obras de emergência determinadas pelos fiscais.

Faltou informação a esses condomínios e iniciativa nesse sentido da ASSAPE. A legislação pertinente (embora recente) é muito clara: todos os condomínios, com mais de 5 anos de construção, estão obrigados à autovistoria. Antes de completar 5 anos de conclusão da obra, no 4º ano, o síndico do condomínio deverá exigir da incorporadora, construtora ou empreiteira, laudos de vistoria – art. 618 do Código Civil, reportado no parágrafo 2º, do art. 1º da Lei 6400/13;

Embora seja este o caso de vários condomínios, não se sabe de iniciativa a respeito.  Depois do quinto ano, as construtoras ficam desobrigadas e a falta de iniciativa do síndico poderá levá-lo a responder judicialmente por isso.

Minha intenção é transmitir nas próximas matérias preocupações que ajudem a repensar nossa Península na melhor direção. Em março, teremos renovação das administrações dos condomínios e, em abril, da ASSAPE. Se há, felizmente, alguns condomínios com administrações ligadas, não é o caso da maioria. Daí as nossas ponderações. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

"Rehumanizar" a natureza humana

Restabelecer nossos elos, eis um sonho possível
Nos tempos idos, a vizinhança era a própria família. A grande cidade com sua  engenharia de espaços foi desfigurando essa relação e afastando uns dos outros. O que era aconchego foi resvalando para o seu contrário. Isso não vai acabar bem.
Tentar resgatar a ideia de que o vizinho é o seu amigo mais próximo pode ser uma grande contribuição deste blog.

Daí a reflexão que se segue. Clique na imagem e conheça nossa preocupação sobre a nossa natureza humana. Tudo para que cada um  liberte o ser humano que ainda há em nós.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

As alvíssaras do meu terceiro turno

Nesta crônica de mim mesmo o relato de uma odisseia emblemática. Por ora, tudo bem até o ano que vem

Os nódulos que apareceram na ressonância (acima) sofrem combate (abaixo)

video
Passadas 18 horas dos 90 minutos cravados em que a equipe do professor Feliciano Azevedo deu combate à nova investida dos tumores malignos alojados em meu fígado, já em casa e ligado em todas as expressões da vida – do condomínio domiciliar ao grande cenário nacional –, debruço-me em mais essa crônica de mim mesmo para dizer, no seu introito, que a "boca de urna" desse terceiro turno saiu melhor do que as expectativas, apesar das margens de erros. O veredicto, porém, só na alvorada do ano vindouro, quando submeter-me à prova dos nove daquele tubo barulhento em que enfiamos o corpo até o pescoço.  


 Retomo a parábola oncológica por alguns impulsos: o primeiro, as centenas de mensagens por todos os meios fluentes através da web, todas de arrepiar a pele sensível e irrigar o coração bucólico; algumas marcantes por sinalizadores comoventes.

À minha catarse de terça-feira, seguiram-se fartas manifestações de energia positiva, entre as quais destacaria as de dois homens públicos de minha geração, Cristovam Buarque, que faz 71 anos em 24 de fevereiro, e Roberto Amaral, que completa 75 agora em 24 de dezembro, passageiros dos mesmos sonhos, entre trancos e barrancos.

"Caro Pedro Porfírio, neste terceiro turno estarei votando com o mesmo fervor do primeiro e segundo,
Por sua vitória.
Abraço
Cristovam"

"Porfírio
Você é o que posso chamar de UM Homem. Um grande homem. Eu me orgulho de você. Voltaremos à Praça do Ferreira.
Até lá.
Roberto Amaral"

Segundo, a compreensão da natureza humana cada dia mais aguda, sem essa do Gabriel Garcia Marques dizer que a sabedoria só nos chega quando já não serve para nada. Ao invés, minha crônica – a exposição em relevo indiscreto do meu cérebro nervoso – é um fragmento letivo sobre uma possibilidade que a todos toca por instintos conscientes e inconscientes.

Terceiro, ao exibir uma situação tão íntima, como já ressaltei outro dia,  procuro desmitificar traumas atávicos e colaborar na distensão sobre o existencial de cada um, distante do sensacionalismo que dá sortida audiência a programas televisivos, mas explícito numa proposição audaciosa em nosso pequeno círculo. É a oferta de um espelho a muitos que se imaginam fora de qualquer foco mortífero imediato e que nem sempre estão preparados para os caprichos pérfidos do destino.

O que está me acontecendo é o mais incisivo conflito do ser ou não ser, aceitar ou não aceitar, acreditar ou não acreditar, pressionado por um turbilhão de alto teor explosivo. Situação análoga jamais experimentei, mesmo nos idos tenebrosos em que ofereci minha juventude aos carrascos.

Que paradoxo. Quando tinha uma vida longa pela frente, gozava fervorosamente no supor da cruz reservada precocemente aos intimoratos d'antão.  Já nestes dias senis, ao contrário, não quero nem ouvir falar em fechar os olhos. Antes, quero tê-los cada vez mais arregalados, na suposição da minha multiplicadora capacidade de repasse do conhecimento com valores agregados.

Foi o que me veio à cabeça ao sair de casa às 13 horas desta terça-feira, 2, iniciando uma longa marcha pelas ruas empanturradas da Barra da Tijuca, passando sob o populoso morro da Rocinha, em direção à Casa de Saúde São José, obra da congregação das irmãs de Santa Catarina, que em 1923 se instalaram por ali, na fronteira de Botafogo com Humaitá.

Já era a terceira vez que ia ao simpático hospital, se é que se pode ter como simpático um mero nosocômio de discretas, mas prevalecentes saliências mercantis. O ramo hoje está no ápice da pirâmide negocial e atrai grandes investidores, como o Banco Pactual, que controla a pomposa rede D'Or.

Passei a lidar como protagonista no enfrentamento de um CHC - Carcinoma Hepatocelular – ainda no seu estágio precoce, com 3,8 cm. Na primeira quimioembolização, ele diminuiu para 1 cm: na ablação, praticamente sumiu. No entanto, recompôs suas forças malignas e reapareceu sob forma de pequenos nódulos próximos ao local onde havia sofrido os ataques anteriores.

Foi por isso que voltei à sala de hemodinâmica da citada Casa de Saúde São José, escoltado pela equipe do professor cinquentão Feliciano Azevedo, pioneiro na introdução dessa técnica no Rio de Janeiro.  

Por motivos incorporados à civilização brasileira a nova quimioembolização, realizada com anestesia local e sedação, começou com atraso de duas horas. Essa maravilha do mundo moderno é algo tão recente que não há tais ainda raros especialistas cadastrados na Sul América, plano de saúde do Sindicato dos Jornalistas para o qual contribuo há quase 20 anos. 

quimioembolização consiste na introdução de um cateter na virilha que alcança o tumor através de partículas com medicações quimioterápicas no interior do vaso sanguíneo afetado em alta concentração. Por sua ação direta, usa apenas 10% da carga de uma quimioterapia tradicional, evitando terríveis efeitos colaterais, pois não atinge as células saudáveis. As medicações concentram-se no tumor e entram no interior de suas células, enquanto as partículas obstruem sua nutrição sanguínea, resultando na morte das células tumorais. Num rápido passar dos temos, o tumor regride.

Não é o único procedimento da radiologia intervencionista. No segundo, em maio passado, submeti-me a uma ablação por radiofrequência, com uma corrente elétrica transmitida por uma agulha que provoca aquecimento e uma lesão térmica no tumor.

Sabendo dessas virtudes de cor e salteado tinha por mim que o acompanhamento por ressonância magnética seria mamão com açúcar. Já havia descoberto um aparelho "de amplo espaço" que recebia minha barriga protuberante sem sufocar e estes exames estavam no preço, cobertos pelo tal plano. Daí a minha insatisfação com a volta aos holofotes do hospital, como se começando tudo outra vez.

No entanto, fora do atraso e da má vontade dos técnicos de enfermagem que atenderam na noite de anteontem para ontem, posso dizer que psicologicamente essa reentre foi compensadora.  O organismo nunca reagiu tão bem, configurando uma "boca de urna favorável" e presumindo um resultado positivo na hora da checagem por imagens.

O conjunto das mensagens é confortante porque consolida a idéia de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, isto é, trocando em miúdos, que opções políticas e afeto podem ocupar regiões autônomas em nossos cérebros.

Resta saber se continuarei me mortificando diante do noticiário sepulcral no âmbito geral ou se recorrerei a um equipamento de anti-espanto de longo alcance, nessa eternizada prática generalizada de dar tempo ao tempo, mesmo esse tempo cinza que manhã não faz. 

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O terceiro turno do meu figado


Ao contrário do que me foi dado a crer no final do último outono, aquele tumor insólito que atacou meu fígado com ares de exterminador não foi para o espaço.  Os dois procedimentos no âmbito da radiologia intervencionista produziram a sensação de vitória, conforme a ressonância magnética de junho, mas, como essas facções golpistas que não aceitam perder, ocupou espaços adjacentes e voltou a exigir um novo combate.
Hoje, ao cair da tarde, estarei sendo submetido a um novo procedimento de quimioembolização pelas mãos do professor Feliciano Azevedo e de sua equipe. Nesse terceiro turno, vou à luta com as mesmas expectativas positivas, mas um tanto indignado, para não dizer atormentado.

É que o resultado da última ressonância feita no 9 de outubro primaveril revelou um adversário teimoso e provavelmente muito mais poderoso do que detectam os diagnósticos.

Caramba, logo comigo – protesto.

Diz-se que essa nova intervenção é mais pela necessidade de inibir. Os oncologistas juram que não enfrento uma metástase e todos dizem, como soe acontecer, que venceremos esse terceiro turno com a mesma tranquilidade dos turnos pretéritos.

Será?

Como se sabe, a história não se repete a não ser como farsa, tal a sentença do barbudo alemão. Em assim sendo, o homem que entrará na agulha hoje já não será o mesmo serelepe da primeira vez, no ocaso da primavera passada, nem o cheio de si do segundo turno, no auge do último outono.

Nem podia ser. Tanto que ao saber da necessidade de baixar hospital outra vez, há 5 semanas, o desapontamento reduziu minha faina de escriba implacável.  Tudo de desagradável povoou o imaginário de uma cabeça quente e produziu uma sensação de combate desigual.

Mesmo assim, no mergulho diuturno das profundezas das informações, vou aproveitando cada dia de vida com um peso maior e um sentimento mais consistente.

Diz-me um lobo que passarei por essa procela como atravessei galhardamente a tantas outras. O outro, porém, contesta na sua ode pessimista. Qual prevalecerá?

Viver é tudo que qualquer ser humano deseja, um viver infindo, apesar das palavras axiomáticas dos existencialistas, tão bem refletidas por Simone de Beauvoir, em Todos os Homens são Mortais.

E não é só pelos que ainda precisam da gente. É um instinto natural que mobiliza a cada um. Não vai ser agora, que a população brasileira dá mais um passo na sua longevidade que vamos aceitar qualquer trama sorrateira do destino.

Não vamos, mesmo.

Por isso, hoje, quando entrar na máquina e o professor Feliciano introduzir o cateter pela virilha em busca dos nódulos recalcitrantes, espero apaixonadamente por uma vitória transcendente neste terceiro turno do meu fígado contra o tumor maligno.

E que logo, logo o mais gostoso dos sorrisos desponte de minha fronte ainda juvenil, apesar do adorno dos cabelos prateados.

Assim, espero que nesse verão todos estejamos fruindo do amor à vida em torno das luzes dessas noites natalinas tão enigmáticas, mas sempre cintilantes entre alegrias e esperanças. 

domingo, 30 de novembro de 2014

Perigo na Avenida das Américas

Reportagem em O GLOBO deste domingo mostra que os pegas na Barra já reúnem mais de 600 pessoas, assustando os moradores


ALESANDRO LO-BIANCO 

0 GLOBO





RIO —Após a arrancada, bastaram 15 segundos para um Camaro turbinado atingir 200km/h e ganhar, na última terça-feira, um “pega” entre os números 9.500 e 10.560 da Avenida das Américas, um dos três pontos usados por um grupo que faz disputas ilegais na Barra. Adeptos das corridas clandestinas revelaram ao GLOBO que 600 motoristas e pilotos de motos participam de “pegas” no bairro.

Entre os corredores, há estudantes, médicos, advogados, empresários, um tenente da Marinha e até um juiz federal. Todos dispostos a investir até R$ 200 mil para turbinar um carro e infringir a lei. Eles admitem que as corridas oferecem risco de acidentes graves, como aconteceu com o empresário de 64 anos que morreu há duas semanas, ao ter seu automóvel atingido por dois veículos que faziam um “pega” na Avenida das Américas.

Nada parece, no entanto, intimidar o grupo, que reclama da falta de um espaço adequado para as suas disputas. Os motoristas dizem que, com a desativação do Autódromo de Jacarepaguá, em 2012, ficaram sem uma pista para suas corridas e foram para as ruas. Neste domingo será realizada a manifestação “Queremos autódromo”, em frente à Arena da Barra, com a participação de motoristas que fazem “pega”.

— Nossa luta é pela reconstrução de um novo autódromo, seja lá onde for, mesmo fora da cidade. Falta vontade política — diz o advogado Wagner Soares, da Associação de Motociclistas Amadores e Profissionais do Rio (Amapro), que participará do ato, mas condena os “pegas”.

Ferrari, Porsche e BMW

Assustados com as corridas disputadas em alta velocidade na porta de casa, moradores do Condomínio Novo Leblon e do Residencial Riserva Uno enviaram um ofício a autoridades, no início do mês, pedindo uma solução para o problema. Segundo eles, os “pegas” acontecem até três vezes por semana. Um morador conta que, após as 21h, um grande grupo se reúne na Avenida das Américas, na altura do número 7.000, para disputar as corridas clandestinas.

— Não sabemos mais o que fazer. São motos e carros produzindo muito barulho. Não nos deixam dormir até as 5h — diz um aposentado de 72 anos.

O GLOBO esteve terça-feira no local apontado pelo aposentado e encontrou cerca de 50 jovens participando de um “pega” ou assistindo à corrida. Alguns corredores aceitaram falar, desde que não identificados.

— Muita gente gosta de sair do trabalho e ir tomar uma cerveja — disse um dos motoristas. — Eu não bebo. Somos apaixonados por carros e velocidade, como outros são apaixonados por tênis. Sabemos que estamos cometendo um crime, mas vamos continuar na rua enquanto não houver uma solução.

Ele comprou uma Ferrari por R$ 300 mil e gastou mais R$ 200 mil para turbiná-la com um motor de mil cavalos. Além do veículo italiano, há quem dirija Porsches, Subarus, Camaros, Mercedes e BMWs. No entanto, para não chamar a atenção da polícia, já há corredor usando veículos comuns — mas com motores similares aos de máquinas que podem chegar a 300km/h. É o caso de uma engenheira de produção de 36 anos. Ela trabalha numa multinacional e esconde sob o capô do seu Voyage 76 um motor de 400 cavalos:
— Quando o autódromo fechou, comecei a participar dos “pegas”, porque o que me dá prazer é correr.

A Confederação Brasileira de Automobilismo diz que é contra os “pegas”, mas acusa o poder público de não ter construído um novo circuito logo após o fechamento do Autódromo de Jacarepaguá, demolido para dar lugar ao Parque Olímpico. O projeto de uma nova pista em Deodoro está parado por causa de um processo na Justiça.

O comando do 31º BPM (Barra) informou que “realiza todas as semanas operações de trânsito que envolvem orientação, fiscalização e repressão no eixo Avenida das Américas e Avenida Ayrton Senna, sempre planejadas a partir de coleta de dados junto aos moradores atendidos.” Ninguém foi preso até agora por fazer “pegas”.

Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o motorista que participa de corridas clandestinas deve ser punido com detenção de 6 meses a três anos, além de multa e suspensão da carteira.

domingo, 2 de novembro de 2014

Com as barbas de molho

Crise de água no Sudeste pode sobrar pra gente. A Light já admite insuficiência de energia em 2015

Não é de hoje que venho alertando sobre alguns flancos vulneráveis em nossa Península. Assusta-me ver que alguns prédios tão modernos nada dispõem para prevenir consequências de apagões e até mesmo para fazer um reaproveitamento efetivo das águas das chuvas. O que mais me preocupa é a inexistência de geradores de emergência que religuem os elevadores no caso de apagão.

 E não sou o único preocupado. Segundo o Blogspot,  a reportagem de maior número de acessos até hoje no CORREIO é a GERADOR, NÃO DÁ PRÁ NÃO TER, publicada em 26 de fevereiro de 2014, hoje com 106.792 visualizações. A segunda colocada - Fui assaltada, por favor me ajude - teve 70.481 visualizações. A terceira - Pra gente ler e refletir, teve 47.998.
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Alguns condomínios até estão vendo alternativas para a implantação dos geradores, mas ainda persiste em pelo menos em um grupo a opinião de que foi mais urgente gastar R$ 600 mil com a troca de 15 equipamentos da academia, que tem 5 anos, do que dar prioridade à medida, até por que há quem afirme que os apagões só acontecem aqui muito raramente.

Os dados sobre a crise hídrica no Sudeste, que não é apenas de São Paulo, começam a vir à tona agora, depois das eleições.  O governador Geraldo Alckmin, que tem a responsabilidade de dar resposta para a falta d'água no Estado mais rico do país, não quer nem saber de diferenças políticas. Aceitou a oferta de colaboração da presidente Dilma Rousseff e mandou fazer (ou desengavetar) projetos para minimizar a crise, em meio ao agravamento da situação dos reservatórios.

Só que o projeto dele pode nos afetar, pois envolve a bacia do Rio Paraíba e o sistema de produção de energia elétrica no Estado do Rio.

Alckmin cobrou que a ANA (Agência Nacional das Águas) acione o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para priorizar o abastecimento humano na bacia hidrográfica à qual pertence a represa paulista de Jaguari.

Segundo Alckmin, a ANA deve frear a utilização de um volume de 160 m³/s de água do Paraíba do Sul na usina hidrelétrica de Santa Cecília, unidade da Light em Barra do Piraí (RJ).

— Quando se verifica a retirada em Santa Cecília, são 160 m³/s. Para a Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgotos - do Rio de Janeiro - para abastecimento humano) são 45 m³/s.

O governador Luiz Fernando Pezão reagiu na sexta-feira contra a proposta do governador Alckmin, que tenta desviar para o sistema Cantareira águas da bacia do rio Paraíba do Sul para remedir a crise da água em SP. "É claro que isso nos preocupa. O que prejudica o Paraíba prejudica o Rio", afirmou ao  ameaçar levar a disputa a Brasília. "São Paulo não pode tomar decisões unilaterais. Ele sabe disso", afirmou.

A crise da água não se resume num conflito com São Paulo. No Estado do Rio já temos péssimas notícias e o reconhecimento da Light de que haverá insuficiência de energia no Estado em 2015, conforme reportagem do jornal O DIA, sob o título "Seca do Paraíba do Sul pode causar apagões no Estado".

Além do desabastecimento na maioria das 37 cidades que captam água diretamente do manancial nos estados do Rio, de São Paulo e Minas Gerais, o colapso do sistema afeta em cheio a geração de energia elétrica e pode causar surtos de doenças provocadas pelo consumo de água de poços artesianos contaminados, alternativa que virou febre, como na Baixada Fluminense e na Zona Oeste.

A estiagem que castiga a Bacia do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 14 milhões de pessoas, tende a se agravar. Mas já deixou a Represa do Funil, em Itatiaia, no Sul Fluminense, operando com 10% de sua capacidade de geração de energia — o segundo pior índice desde que entrou em atividade, em 1969. 

Além do desabastecimento na maioria das 37 cidades que captam água diretamente do manancial nos estados do Rio, de São Paulo e Minas Gerais, o colapso do sistema afeta em cheio a geração de energia elétrica e pode causar surtos de doenças provocadas pelo consumo de água de poços artesianos contaminados, alternativa que virou febre, como na Baixada Fluminense e na Zona Oeste.

Em abril, relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico já havia adiantado que a bacia corre o risco de praticamente secar até o final do ano, caso não chova o suficiente, alcançando o negativo recorde de 1,8% de sua capacidade. Hoje, está na casa de 5%. David Zylbersztajn, do conselho de administração da Light e sócio-diretor da DZ Negócios com Energia, já admitiu que o sistema elétrico brasileiro não terá energia suficiente em 2015.  

As notícias ruins cruzam no espaço e eu já pus minhas barbas de molho. Isso, no entanto, não resolve. Já que a Assape não está nem aí para esse espectro que nos ronda, sugiro que cada um debate em seu condomínio como se preparar para o pior, se os apagões repetirem 2001. Lembra?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Assaltos no sinal do Barra Shopping


Quarta-feira passada, recebi mensagem da produtora Carolina Lomelino Guimarães com o seguinte teor: 

"Pedro. Boa Noite. Sou produtora da TV Globo e estamos fazendo uma matéria sobre a violência no entorno da Península.Cheguei ao seu site pois estou precisando do contato de moradores e síndicos".

Preocupado com uma repercussão negativa de uma matéria dessas num grande veículo de massas (não é o caso do CORREIO DA PENÍNSULA). sugeri que ela procurasse a Assape, fornecendo seu telefone. Vi que uma moradora já havia postado a a respeito no "Reais Amigos", propondo que os vizinhos colaborassem.

Hoje vi a matéria e observei que ELA FICOU NA MEDIDA CERTA, pois fez referência especificamente ao sinal do Barra Shopping. Clique na foto e veja  o que saiu no RJ-TV do meio dia, hoje.


domingo, 12 de outubro de 2014

Bancos apertam crédito imobiliário

Negócios desfeitos: no país, cresce o número de devoluções de imóveis comprados na planta

Na maior parte dos distratos, clientes não conseguem obter crédito bancário para a quitação

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O número de rescisões de contratos de imóveis comprados na planta cresceu 40% no país, no segundo trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2013. O dado foi obtido a partir do balanço das 14 empresas do setor listadas na Bolsa de Valores. Em alguns casos, o aumento no volume de distratos chegou a 60%. Segundo as construtoras, o cenário macroeconômico desfavorável pesou: os bancos estariam mais rígidos na concessão de crédito na entrega das chaves. Mas, para alguns especialistas, a responsabilidade é das próprias construtoras, que, para vender suas unidades, seriam rigorosas de menos.

O distrato costuma ocorrer na entrega do imóvel, quando ele está pronto para ser habitado. Nessa negociação, normalmente o cliente paga à construtora de 20% a 30% do valor do negócio durante a obra. E faz a quitação quando a construção é finalizada, através de financiamento bancário. Mas, se o comprador não consegue o crédito no banco, muitas vezes, desiste da compra.

REVENDA SENDO FEITA RAPIDAMENTE

Vice-presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Claudio Hermolin afirma que calhou de, num momento em que o mercado imobiliário apresenta uma grande demanda por financiamento, os bancos estarem mais seletivos na análise de crédito:

— Após o boom de 2007, tivemos a paralisação do mercado no segundo semestre de 2008 e em todo 2009, mas retomamos o ritmo em 2010 e 2011. Assim, muitas unidades que foram vendidas naquela época estão sendo entregues agora. Os bancos certamente não confirmarão que estão mais restritivos, pois isso seria antipropaganda, mas na prática é isso que estamos sentindo.

A mineira MRV Engenharia, que atua principalmente no mercado de imóveis econômicos, registrou alta de 24,6% no número de negócios desfeitos no primeiro semestre de 2014, ante o mesmo período de 2013. Foram 6.134 imóveis devolvidos, num total de R$ 740,2 milhões. O presidente da MRV, Rafael Menin, confirma que esse percentual está acima da média histórica, mas garante que isso não é problema, já que a revenda está acontecendo rapidamente:

— Existem no Brasil dois mercados: o de imóveis econômicos, que está aquecido e saudável, e o de média/alta renda, com vendas um pouco mais paradas. Mas as empresas deste segundo segmento têm trabalhado com um percentual de pagamento maior na fase de obras e menor após a entrega das chaves, quer dizer, fazendo uma venda mais conservadora, com menor chance de distratos. Porque, apesar da inadimplência baixíssima, os bancos ficaram mais restritivos do ano passado para cá.

CONSTRUTORAS POUCO RIGOROSAS

Para o presidente do Comitê de Habitação da OAB/SP, Marcelo Tapai, em geral, as construtoras são responsáveis, já que não fazem uma análise de risco de crédito do cliente minuciosa para saber se ele terá renda para financiar o saldo devedor, que ficará maior.
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— O principal motivo da desistência está na incapacidade financeira do cliente de levar o negócio adiante, em virtude da correção que o preço do imóvel sofre ao longo do tempo. Mas tal incapacidade deveria ser observada pelas construtoras no momento da compra. Afinal, o saldo devedor, durante toda a construção, é corrigido pelo INCC — alerta o especialista em direito imobiliário.

O designer gráfico Renato Nogueira teve seu financiamento negado pela Caixa na hora da entrega das chaves de um imóvel de R$ 158 mil, no município de Cajamar (SP), que havia adquirido num empreendimento da Brookfield.

— Comprei o imóvel há cerca de dois anos, faltando seis meses para a entrega. Já tinha pago R$ 37 mil. Com a recusa do financiamento, tive que desistir da compra — conta Nogueira, que está questionando na Justiça a multa cobrada, de cerca de 70% do montante pago.

A Brookfield Incorporações, que registrou aumento de 63,7% no número de rescisões entre os primeiros semestres de 2013 e de 2014 (de 1.254 a 2.053), está em processo de fechamento de capital e optou por não falar sobre negócios. Quanto ao processo de Nogueira, a empresa diz que “(...) foi informado com clareza ao cliente, por ocasião da compra, todos os termos e condições da aquisição da unidade, em especial no que se refere ao distrato e à participação da imobiliária e dos corretores”.

CRÉDITO PASSOU A SER ANALISADO, DIZ ADEMI

O vice-presidente da Ademi, Claudio Hermolin, afirma que, hoje, diferentemente do passado, as construtoras fazem a análise de risco de crédito na venda de imóvel.
— Se você ia a um estande de vendas em 2009, 2010, era comum que sequer pedissem comprovação de renda. Bastava o interessado informar seus rendimentos. Mas, agora, as construtoras já incluíram uma análise de risco de crédito. É claro que é uma análise preventiva, já que a vida financeira do cliente pode mudar muito em três anos, mas se hoje o cliente já demonstra que não vai ter capacidade financeira para assumir tal dívida dali a três anos, ele é reprovado — diz Hermolin, que está à frente da construtora e incorporadora PDG no Rio de Janeiro.

No balanço da PDG do segundo trimestre de 2014, não é informado o total de negócios desfeitos. Diz apenas que “a maior parte dos distratos, 83%, continua ocorrendo por perfil de crédito e renda, e não por desistência do cliente". Segundo Hermolin, como a PDG está recuando em diversas praças do país — a construtora já atuou em 57 cidades e hoje está em pouco mais de 20 — o número de rescisões é alto e esse dado não é informado, pois “seria distorcido".

O analista de sistemas Denis Polastri comprou, em abril de 2012, um imóvel da construtora MBigucci, em São Paulo, no valor de R$ 325 mil, com previsão de entrega em fevereiro de 2016. Cinco meses depois, já tendo pago R$ 32,5 mil, ele e a mulher se separaram, e ele procurou a construtora para fazer o distrato. No documento de baixa do contrato, diz Polastri, constava que o valor da devolução a que tinha direito era de R$ 848:

— Fui buscar informações e entrei na Justiça. O juiz já deu a sentença, determinando que a construtora me devolva 90% do que paguei, corrigido, mas a empresa entrou com recurso e ainda estamos nesta pendenga judicial.

A MBigucci informa que “(...) quando ocorre (o distrato), efetua a devolução dos valores pagos, conforme entendimento jurisprudencial".

O advogado Marcelo Tapai lembra que, mesmo que o contrato preveja devolução ínfima dos valores em caso de rescisão, os direitos do comprador são amparados pelo Código de Defesa do Consumidor e há um montante a ser devolvido:

— O consumidor tem o direito de desistir do negócio e receber de volta um percentual em torno de 90% de tudo o que pagou, corrigido monetariamente e pago em única parcela.

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