sexta-feira, 20 de abril de 2012

Uma pausa para reflexão, porque o vizinho é o seu amigo mais próximo

Resgatar a relação amiga e solidária em um condomínio é uma meta ambiciosa, mas não impossível
Assembléia Geral da ASSAPE de 18 de abril,  que escolheu sua nova direção e aprovou orçamentode gastos. Menos de 30 moradores: por que esse desinteresse?
<>
</>
A sociedade moderna tem se caracterizado pela exacerbação do individualismo, do consumismo, da competição interpessoal e da desconfiança.
Desde a segunda metade do século passado, as grandes cidades se tornaram verdadeiras selvas de pedra movidas a paradoxos: quanto maior a proximidade física das pessoas, no convívio dos edifícios de apartamentos, maior a resistência à aproximação.
Não existe mais aquele ambiente solidário em que se costumava pedir emprestado ao vizinho um uma porção de arroz que faltou em casa, inesperadamente. O orgulho individual fala mais alto. Ninguém quer admitir que lhe falta alguma coisa, ainda que momentaneamente.
Aos valores fraternais do reforço mútuo superpuseram-se por regra as variáveis da competição gratuita, da vaidade, do exibicionismo pessoal e da guerra surda das aparências.
Os desafios da busca da sobrevivência mais confortável e mais segura alimentam rivalidades inconscientes.  A rotina é você subir no elevador e nem sequer cumprimentar os outros.
Também pudera. Cada um vive com a cabeça a mil, pressionada pelos seus sonhos de consumo ou pelas frustrações, ou pela premência de resolver problemas inesperados, de maior ou menor repercussão sobre suas vidas e de suas famílias.



Os seres humanos sem perceberam se converteram em personagens de um grande teatro manipulado pelas tentações de um sistema de vida em que cada um vale pelo que tem e não pelo que é,  em que uma derrota ocasional tem de ser enfrentada exclusivamente por eles, até porque não é raro o convívio com pessoas que se compensam no  insucesso das outras.

Isso é tanto mais comum na formação de comunidades novas e heterogêneas. A Península não escapa a essa fatalidade.
Cada um teve um motivo para se mudar para esse grande bairro de 780 mil metros quadrados, do tamanho do Leblon, projetado do zero pelas pranchetas dos arquitetos, com uma diferença abismal sobre todo o processo de adensamento urbano: apenas 8% de toda essa imensa área é ocupada por edificações, segundo uma metodologia que se assemelha à do Plano Piloto de Brasília, sem os seus flancos e os potenciais conflitos do seu crescimento.
Cada uma das 3.200 famílias que já moram na Península percorreu seu próprio caminho, trazendo suas “culturas”, seus hábitos e suas idiossincrasias, cultivando seus sonhos e relacionando-se com a nova realidade segundo seu histórico diferenciado.
Essas diferenças se manifestam até mesmo em um bloco de um dos 25 condomínios  instalados, que já absorvem mais de 10 mil moradores, número superior a de muitas cidades brasileiras.
São diferenças que sustentam melindres e levam a um “encastelamento” virtual, só rompido pela garotada e pelo acesso aos equipamentos disponibilizados, que ainda são pouco utilizados.



É possível que o processo de ocupação dos imóveis construídos ainda esteja numa fase muito embrionária, distante da sua concepção grandiosa e ainda desconhecida pela maioria dos moradores.

Poucos se dão conta das potencialidades na relação com a natureza, sua flora exuberante, a existência de mais de cerca de 142 espécies de aves e de um inédito acervo de esculturas, selecionadas por uma das maiores autoridades nas artes, Evandro Carneiro, com quem tive oportunidade de trabalhar na década de setenta em sua Bolsa de Artes, ali na Praça General Osório.  
Porque, infelizmente, o principal elemento motivador ainda é a preocupação com a valorização imobiliária, como se morar num bairro desta natureza fosse apenas um mero investimento.
Tudo isso parece estigmatizar a idéia de que somos uma comunidade de vizinhos, cada um com uma grande potencial humano: de uma forma ou de outra, a escolha da Península como moradia, até mesmo a custa de algum sacrifício financeiro, é uma opção por uma nova qualidade de vida, pelo oposto dos bairros de crescimentos desordenados, por mais charmosos, litorâneos ou valorizados que sejam.
Em suma, em que pesem todos os fatores rivalizantes que emanam de uma carga paranóica típica de um mundo materialista e competitivo, o resgate da uma relação mais afetuosa entre vizinhos é perfeitamente possível, não apenas na busca conjunta de respostas aos problemas que surgem em cada condomínio, mas também como resultado de ações afirmativas, que já acontecem de forma pontual, como na comunidade dos frequentadores do campo de futebol, onde se encontram representantes desse painel humano heterogêneo, cujos laços de amizade se estreitam a cada dia.   
Independente do sentimento ou da falta de sentimento de cada um, nós criamos esse CORREIO para buscar o resgate do entendimento de que O VIZINHO É O SEU AMIGO MAIS PRÓXIMO.
Mesmo que poucos tenham entendido nossa iniciativa, vamos insistir até a exaustão. Esperamos que você se manifeste, mais dia, menos dia, seja respondendo a este e-mail, seja postando um comentário no blog, seja enviando suas próprias reflexões para publicação.
Por enquanto, temos poucos endereços – a maioria do Saint Barth e pessoal do futebol. Mas vamos correr atrás e esperamos que você nos ajude, mandando também endereços de conhecidos que moram na Península e em outros bairros, conhecidos que estejam dispostos a romper com a DESUMANIZAÇÃO DAS GRANDES CIDADES.

8 comentários:

  1. Esse é o retrato da realidade comodista das pessoas. Muitas esperam um salvador da pátria que resolva tudo, outras estão anestesiadas pelo sistema do descrédito e do individualismo que leva o homem a viver seu inferno ilhado. O grande desafio é acender a chama da coletividade e da fraternidade.

    ResponderExcluir
  2. Você tem toda razão. E o salvador da pátria não existe.

    ResponderExcluir
  3. Rica, interessante e pertinente a sua crônica, (por assim dizer), mudei-me a pouco para o S.Barth, bl.4 ap.1006, coloco-me a disposição para conversarmos s/ o assunto.
    Amaury Nunes

    ResponderExcluir
  4. Hello to all, how is everything, I think every one is getting more from this website, and your
    views are pleasant in support of new viewers.

    my web-site; where to buy venapro

    ResponderExcluir
  5. naturally like your web-site howeveг yoou neeԁ to test the spelling on several of your posts.
    A number of them arе rife with speling pгobems and I to find it
    vеry troublesomе tօ telpl the reality nevertheless I'll certainly come ayaіn again.

    My blog post - twwitter followers гeselleг;
    ,

    ResponderExcluir
  6. Definitely believе thatt whikch you stated. Your
    favorite reason appеared to bее on the internet the
    simplest thing to be aware of. ӏ saay to you, I certainly gеet irked while people
    consider worries tbat they plainly don't know about. You managed to Һit the nail upon the top as well as defined
    out tɦe whole thing without having side effeсt , people could take a signal.

    Will likely be back to get more. Thanks

    Feel free to surf to mmy site; gainesville sun

    ResponderExcluir

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics