sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quem sonhou com uma Península paradisíaca não contava com o pesadelo da terra desencantada


Desde que nasceu a menina de 4 anos convive com o barulho infernal ante o silêncio das autoridades

Durma-se com esse furacão de sons ensurdecedores

“Já fiz inúmeros contatos com a sub-prefeitura, tendo inclusive falado ao telefone com o Tiago Mohamed diretamente. Fiz também registros no 190. Mandei emails reclamando e pedindo ajuda para a Secretaria de Meio Ambiente, a Câmara Comunitária da Barra, a ALERJ... Sinceramente, perdi a conta de a quantos órgãos diferentes recorri”.
Danielle, moradora do Via Bela

Quando veio morar na Península nos idos de 2008, Danielle povoava seu imaginário com os mais doces sonhos de uma jovem mãe. Imaginava-se no melhor lugar do mundo, tal o esplendor de sua paisagem bucólica, a explosão de um verde exuberante e a própria concepção de um projeto que tinha tudo para ser à prova de estresse.

Mas, como nem tudo que se sonha acontece, o seu esbarrou na contramão do destino. Aquilo que seria a Terra Encantada, com um ambiente lúdico que poderia lembrar, ainda que de longe, o cenário mágico da Disney, foi um rotundo fracasso, tanto como o Parque da Mônica, no Citá da América. Também o sonho dos seus criadores foi de água abaixo, contrariando todas as expectativas dos marqueteiros do ramo.
A área é um terreno muito grande e envolve muito dinheiro. O prejuízo incomensurável cedeu lugar ao desespero. E o desespero engendrou um mafuá improvisado, em conflito direto com seu entorno, instalado aos trancos e barrancos, sem que qualquer órgão público tenha exigido um estudo do seu impacto ambiental.
O mágico do que seria a Terra Encantada mostrou que outros encantos produzem outras mágicas capazes de violarem normas elementares de vizinhança, sem que apareça uma única autoridade, mesmo nesses tempos em que o “choque de ordem” se tornou o carro-chefe de um prefeito.
Desde o dia em que pôs os pés no seu apartamento do Via Bela, Danielle não teve mais sossego nos fins-de-semana. Nem ela e nem, principalmente, sua filhinha. Em contraste com a paisagem paradisíaca, o ruído ensurdecedor passou a ser a companhia compulsória dela e de todos os moradores próximos e até de outros condomínios, para onde os ventos também levam os sons estridentes que a inércia do poder pública acoberta, conforme reportagem do jornal EXTRA, assinada por Maíra Rubin, publicada em 2 de fevereiro de 2011, portanto há um ano e meio.
O relato de sua peregrinação para resgatar um dos mais elementares direitos humanos, do qual pouco se fala, o direito ao sossego em seu próprio domicílio, é o retrato sem retoque do convívio com a hipocrisia de administrações que só têm peito para impor a ordem no lombo de quem não tem costas largas.

E esse pessoal que desfigurou a Terra Encantada parece que tem padrinhos e métodos tão poderosos que nem mesmo as grandes construtoras, afetadas comercialmente com esses golpes na qualidade de vida da Península, se mexem para exigir o elementar – que essa atividade comercial se faça nos limites da Lei, com a devida barreira acústica e na forma do previsto no artigo 42 da Lei das Contravenções Penais, de 1941, como lembra o vizinho Silvério Almeida S. Alexandre.
E respeite a legislação municipal pertinente:  Lei Municipal N.3.268 de 29/08/2001, alterada pela Lei N.3.342 de 28/12/2001, e, em especial, o Decreto Municipal N. 29.881 de 18/09/2008 no seu Regulamento n.º 2 - Da Proteção Contra Ruídos.
Hoje, Danielle não é a única a bater de porta em porta para exigir providências das autoridades contra a poluição desafiadora do mafuá ao lado no acesso à Península.
240 noites sem poder dormir

Um morador do Fit, na outra entrada, escreveu-me, pedindo que preserve o anonimato, por razões óbvias:
“Aproveitando seu tema, "Uma noite para não esquecer jamais", também estou há 240 noites (Sextas, Sábados, e alguns Domingos) passando noites.
"inesquecíveis" com o barulho de música e gritos insuportáveis gerados pela "pérola" da diversão noturna denominada "Barra Show", no complexodenominado "Terra (Des)Encantada". Hoje, domingo, o tal "show" terminou por volta das 6:00hs da manhã.
Como eu, também os vários moradores dos edifícios frontais à Av João Cabral de Mello Neto, com os quais tive oportunidade de conversar sobre esteassunto, tem noites "inesquecíveis".
Além do barulho de sua música, existe o problema de segurança, em que os frequentadores estacionam seus carros dentro de nosso bairro, forçando a entrada, alegando que aqui é um "logradouro público", e fazendo ameaças aos nossos seguranças, conforme foi verificado por um de nossos vizinhos aqui do FIT, que fez uma "incursão" nas guaritas em certa madrugada de desespero.
Já fiz várias reclamações, no disque-denuncia, na PM, no corpo de Bombeiros, sem retorno algum.
Penso que este problema só será resolvido com a interferência direta da Carvalho Hosken e da Cyrela junto à Prefeitura, pois, no caso da Cyrela, seu mais novo empreendimento (360 on the park) vai estar alinhado na direção do Barra Show, sem nada que impeça a propagação do "barulho" emsua direção.
Não sou totalmente contra a existência deste evento, apesar de sua frequência duvidosa, e haverem sempre várias "Kombi-Bar" na calçada defronte ao local vendendo bebidas alcoólicas e sabe-se lá mais o quê a tais frequentadores.
Porém, se conseguirmos que eles façam um tratamento acústico no local, seria um bom inicio para a solução de parte do problema, pois como todos nós constatamos, nada ouvimos dos shows que acontecem no "City Bank Hall" do Via Parque.
Com isso, penso que num futuro próximo, este problema causará uma desvalorização significativa dos imóveis de toda a Península, de nossa propriedade e os de propriedade ainda das construtoras, terminados ou em lançamento, como no caso da Cyrela com seu "360 on the park".
Já estive na Assape, porem segundo me foi informado, eu era a 3ª pessoa que reclamava disso, em mais de 2 anos, acredite ou não.
Rogo que, se possível, você seja o nosso porta-voz junto a Assape, Carvalho Hosken e Cyrela, para conscientizá-los que este é um problema de grande interesse destas empresas, pois possivelmente, no futuro, irá afetar a lucratividade de seu negócio.
Para concluir, creio que centenas de moradores afetados por isso não deixarão de apoiar mais esta causa, para melhorar ainda mais nossa qualidade de vida (e de sono)”.
Uma atitude para a mídia no reino do faz de conta

Pelo visto, Danielle, sua filhinha agora com 4 anos, e os demais vizinhos não  terão sossego tão cedo, a julgar pelo andar da carruagem. Já na reportagem do jornal EXTRA de 2 de fevereiro de 2011, o subprefeito Tiago Mohamed havia garantido providências imediatas, como narrou Maíra Rubin:

“Segundo a subprefeitura, o alvará de funcionamento e a autorização para música do Barra Show estão em fase de cassação devido às constantes reclamações”.
Isso foi dito em fevereiro no ano passado, vale repetir.
Por toda a semana tentei falar com o secretário do Meio Ambiente da Prefeitura, vice-prefeito Carlos Alberto Muniz pelo telefone direto do seu Gabinete: 29763183 e pelo seu  celular – 89092026. Apesar de nos conhecermos há 44 anos e de uma relação de respeito mútuo, não tive retorno. Isto, provavelmente, porque adiantei o assunto ao seu assessor, coronel Braga.

Enquanto isso, fiquei sabendo que o dono do Barra Show é o mesmo do São Nunca, aquela casa de show que foi obrigada a adotar tratamento acústico por pressão dos moradores do Jardim Oceânico. E mais: advertiram-me que ele é também morador da Península, e aconselharam-me a ter cuidado. Aliás, não é por acaso que na quase totalidade das reclamações que recebo o signatário pede para manter-se no anonimato.
Disseram-me também, pasmem, que ele tem um forte padrinho político (ou madrinha?) com acesso direto aos gabinetes de quem decide.
Estamos diante de uma questão surrealista. Os moradores prejudicados não querem dar o troco, isto é, não querem ver a casa de show fechada. Querem apenas que adote as providências indispensáveis para que seus vizinhos possam dormir em paz.
Mesmo assim, não acontece nada.  Hoje é sexta-feira e as famílias dos prédios próximos  já entram em estado de tensão.  Por enquanto, sugiro que adotem as indicações de outra moradora, que me escreveu, pedindo o anonimato, naturalmente:


“Se você, como eu, não consegue dormir, incomodado com o barulho ENSURDECEDOR  vindo do "Espaço Barra Show" (sextas e sábados das 22hs até às 4hs), não adianta fechar janelas e ligar o ar condicionado!!
 Informo o número 1746 - Central de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura do Rio.  Acredito que quanto maior for o número de reclamações maior a eficácia.  Com essa reclamação os fiscais da prefeitura vão na casa de shows verificar se o volume do som está excessivo, podendo multar, solicitar mudanças físicas para impedir o barulho e, sendo reincidentes poderão perder o alvará, como me informou o atendente do serviço 1746.
  O serviço 190 só vai ao local, diante da reclamação do barulho, e solicita que a casa abaixe o volume, o que não soluciona o problema.
  Para os interessados o endereço do "Espaço Barra Show" é Av. Ayrton Senna, nº 2.800. O site da casa é www.espacobarrashow.com.br  para quem quiser conferir a próxima programação, que terá até noite de quinta prá sexta!! Um absurdo”!
E destaco o desabafo do síndico do Via Bela, Walter Bonates, no GloboBarra de 28 de julho de 2011.
É impossível dormir tranquilo com um som de bate-estaca durante toda a noite. Só queremos que a lei do silêncio seja respeitada. 
Uma questão de toda a Península
Embora o barulho do “Barra Show” afete mais diretamente os edifícios frontais à Av. João Cabral de Melo Neto, é preciso ter consciência de que a poluição sonora se manifesta de várias formas e em vários locais. E de que ela realmente é uma agressão a quem abriu mão de morar próximo ao comércio  e de outras vantagens do burburinho em troca da quietude desse bairro cuja maior mística é o verde.
Na postagem anterior, publiquei cópia do e-mail enviado à Assape pelo síndico do Gauguin, Gilberto Ribeiro Leite, sobre o desconforto das obras do Centro de Conveniências: "o barulho ainda traz desconforto para os moradores, “particularmente pelo uso de equipamentos em horários salvaguardados pela Lei do Silêncio”.
Junto com seu e-mail, recebi cópia de um outro, assinado por Frederico Liporace, no qual questionava o funcionamento de uma bomba, sem parar: “Tenho certeza que a bomba cumpre uma função na execução da obra, mas esta não é a questão. A pergunta é se a construtora pode manter este e outros equipamentos funcionando 24hs por dia, nesse nível de ruído”. E mais:
"Há algum tempo atrás uma das bombas da obra quebrou no fim de semana aumentando muito o barulho, 24 hs por dia. Só foi resolvido na segunda-feira, em que pese o reporte do problema à ASSAPE e a ciência do Supervisor”.
No comentário a respeito, Jorge Caminha, do Península Paradiso, solidarizou-se com o pleito de Gilberto Leite, mas reclamou do barulho de festas no Gauguin.  Barulhos que podem acontecer também em outros condomínios e até mesmo nos quiosques externos, onde são feitos churrascos e algumas comemorações.


6 comentários:

  1. Sou morador do Via Bella, minha sacada dá de cara com esse Terra nada encantada. E, sinceramente, não acredito mais no poder público, ainda com mais força no Rio de Janeiro, onde parece imperar a hipocrisia e o descaso em favor dos interesses ambiciosos e nada coletivos.

    Cidade Maravilhosa? Patrimônio da Unesco? Onde???

    Administradores da população (que certamente não moram ao lado de uma Terra Infernal) continuam a agir como avestruzes, fingindo que problemas não existem, que tudo é lindo, enquanto que ficar com a cabeça enterrada é tão gostoso quanto rir na cara da gente.

    Hoje é sexta-feira. Oremos... e disquemos 1746.

    ResponderExcluir
  2. Somente 3 pessoas foram à Assape, pois assim como eu e a maioria dos moradores que conheço por aqui, ninguém mais acredita num trabalho sério e honesto por parte da Assape. Assim como ninguém acredita no poder público, infelizmente, pois chegamos ao ponto onde não temos mais a quem exigir providências.

    Será que vamos precisar que caia do céu um juiz de direito que peça uma diligência armada para fechar essas casas do inferno e dar voz de prisão aos responsáveis pelo não cumprimento das devidas leis?

    A Av dos Flamboyants há muito tempo que virou estacionamento de usuários do O2 durante o dia e estacionamento das festas do Terra Encantada nas noites dos finais de semana, o que coloca em cheque-mate a garantia da segurança dos moradores da Península a ponto de não podermos transitar dentro do condomínio por medo de violência.

    A Assape ao invés de tomar iniciativas concretas para a manutenção da qualidade de vida em todos os aspectos, só se preocupa em fazer festinhas para minorias e esconder a sujeira toda em baixo do tapete, como por exemplo, as ocorrências de assalto na trilha, o abandono da trilha na Av dos Flamboyants, onde já nem existe mais em vários trechos, a falta de manutenção das vias, que estão cheias de buracos, a deterioração das entradas do condomínio, principalmente a que fica mais próxima ao Via Parque, ônibus circulando a mais de 60km/h dentro das vias do condomínio, além de imbecis que passam com seus carros a mais de 100km/h durante as madrugadas.´

    Aí eu pergunto: será que esses imbecis são moradores ou são frequentadores dessas festas, que invadem nosso condomínio e fazem o inferno aqui dentro???

    Com relação ainda ao barulho e o respeito à lei do silêncio, pra que termos ônibus circulando na Península nos finais de semana depois das 22h???

    Hoje se gasta cerca de 40% do orçamento mensal da Península, que é mais de 1 milhão de reais, com a manutenção dos ônibus, que durante a maior parte do dia ficam estacionados enfileirados na av. dos Flamboyants, 3, 4 até 6 eu já vi, fotografei e mostrei na Assape e nada foi feito para otimizar o sistema de transporte, que é ineficaz e ineficiente. Nem sequer me deram um retorno da minha solicitação.

    É duro ganhar dinheiro, pelo menos para mim que sou honesto e tenho dignidade. Mas mais duro ainda é ser obrigado a dar de mão beijada à uma Associação, sabendo que estou jogando no lixo ou colocando no bolso de "funcionários" que não fazem rigorosamente NADA de concreto para ao menos manter a excelente qualidade de vida que nos foi vendida há uns anos, pois a cada ano que passa só vejo piorar a situação.

    Vim morar aqui na Península por opção, saí de frente da praia, de um apartamento melhor e mais valioso, por acreditar que aqui era um lugar calmo e seguro. Hoje me arrependo demais, minha família está louca para sair daqui, pois infelizmente não acreditamos mais que esse "sonho" se tornará realidade...

    ResponderExcluir
  3. Mudando de asssunto, gostaria de saber no que deu a reunião do saint barth esta semana, pq não pude comparecer.
    Jussara linhares, bl. 4, 902

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Jussara. Foi uma reunião só do Bloco 4. Eu mesmo não entendi porque. Mas parece que a atual administração está tentando uma brecha para perpetuar-se, inclusive jogando um blogo conra outro.

      Excluir

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics