sábado, 4 de agosto de 2012

Por que optamos pela Península? Qual o perfil do nosso morador?


Ofereço o meu próprio depoimento para expor um caminho. Mas existirão outras razões para a opção
Foi o ambiente afetuoso das peladas que me fez optar pela Península

Qual o perfil da família que optou por morar na Península, um lugar que se destaca pela exuberância do seu verde e pela busca obstinada de um modo de vida bem diferente dos bairros tradicionais?

Como velho jornalista e migrante, sempre tive uma grande curiosidade sobre minha vizinhança. Eu próprio com 69 anos de idade tenho 53 de Rio de Janeiro.


Veja a minha trajetória até chegar de mala e cuia à Península.


Quando cheguei do Ceará sozinho, ainda adolescente, mas já interessado em assuntos de gente grande, fui acolhido por uma família gaúcha no bairro do Flamengo.

Isto porque, em 1958, aos 15 anos, havia sido o “menino-orador” da campanha do ex-ministro Parsifal Barroso para o governo do Ceará, pelo antigo PTB.

No dia de sua posse, em 25 de março de 1959, fui chamado a discursar. O então vice-presidente da República, João Goulart prestou atenção em tudo que falei e me convidou para vir  conhecer o Rio de Janeiro, que era a capital federal.

A seu lado, estava um ex-deputado do Rio Grande do Sul, que era presidente do antigo IAPFESP. Ele, com filho único da minha idade, foi logo dizendo que teria prazer em me receber no seu apartamento de dois quartos na Rua Buarque de Macedo, 32.

Daí para ficar morando na deslumbrante cidade maravilhosa foi um passo. A propósito, como escritor, um dos meus livros – CONFISSÕES DE UM INCOFORMISTA (volume I) – narra toda a minha trajetória de 1959 a 1982 ( tenho ainda alguns exemplares e posso presenteá-lo se você se interessar, bastando me escrever um e-mail com seu endereço).

Entrei no Rio de Janeiro, portanto, pela porta da Zona Sul. Quando casei a primeira vez, fui morar na Praça Cruz Vermelha. Não foi bem uma escolha: tinha 20 anos e era um jovem repórter dos jornais ÚLTIMA HORA e O DIA (naquele tempo, com uma carga horária de 5 horas,  era comum um jornalista trabalhar em mais de um lugar até porque o país estava vivendo o desenvolvimentismo de Juscelino Kubitscheck e corria atrás de mão de obra especializada). Morar ali era o que meu salário permitia.

Com a separação, sete anos depois, voltei ao Flamengo, na rua Marquês do Paraná, num apto  da cantora Dircinha Batista.  Foi lá que, como diretor de redação da oposicionista TRIBUNA DA IMPRENSA,  aos 26 anos de idade,  fui sequestrado e preso na ditadura.  Passei um ano e meio encarcerado, até ser julgado e absolvido por unamimidade na I Auditoria da Marinha. Em liberadade, estava de novo ao Flamengo, na Rua Paissandu.
De lá, como virei teatrólogo de sucesso, pude comprar meu primeiro apartamento dando uma boa entrada e, financiando o resto pelo SFH,  na Rua Lauro Muller, entre Botafogo e Urca, onde, como síndico de um prédio de 114 apartamentos (construído pela Carvalho Hosken) introduzi o sistema de autogestão,  experiência que mereceu várias reportagens – inclusive nos jornais O GLOBO e JORNAL DO BRASIL, que foi objeto de um capítulo no livro MECANISMOS DA LIBERDADE, do professor Lauro Oliveira Lima.

Dessa experiência, surgiu a primeira associação de moradores de classe média do Rio de Janeiro – a ALMA – cujo primeiro presidente, general Leandro Figueiredo, dá o nome à área de lazer que conquistamos na administração do prefeito Marcos Tamoio.

Estaria morando lá até hoje, numa cobertura que via do Cristo ao Pão de Açúcar, passando pela enseada de Botafogo e o Iate Clube, se não tivesse sido nomeado em 1983 Coordenador das Regiões Administrativas da Zona Norte (cargo que mais tarde foi batizado de “subprefeito”).

Aí, por coerência, mudei-me para o Engenho Novo.  E depois para o Cachambi, ambos próximos, no entorno do Méier, um barro muito movimentado.

Depois de ter sido secretário de Desenvolvimento Social pela primeira vez e já ocupando o cargo de presidente do Conselho de Contribuintes da Prefeitura, optei por morar em Jacarepaguá, atraído por sua origem rural e pela possibilidade de morar em UMA CASA.

Fiquei lá, em endereços diferentes, de 1986 até este ano, embora tivesse vínculos com a Península, mas principalmente pelo futebol, que ainda pratico até hoje, contando naturalmente com a tolerância dos demais peladeiros, que respeitam a posição em que me coloco – a banheira e, sempre que podem me servem uma bola que pode ser convertida num gol ou ser devolvida de bandeja.

Eu diria que na minha idade não há coisa mais gratificante do que essa pelada, que já valeu até uma reportagem de meia página tendo-me como protagonista no caderno de esportes de O GLOBO (se tiver curiosidade, acesse http://oglobo.globo.com/blogs/pelada/posts/2011/09/03/fome-de-bola-402990.asp). E a bem da verdade, não me limito às terças-feiras reservadas aos maiores de 40 anos. Sábado e domingo, sempre que posso, estou lá, onde muitos jovens (ou quase jovens) me tratam como uma espécie de mascote (me deram o apelido de “montinho artilheiro”) e eu gostei muito.

Foi principalmente por conta da pelada de terça-feira, onde de vez em quando rola um churrasco, que decidi trocar uma ampla casa no Condomínio Eldorado por um apartamento na Península.

Devo dizer que minha mulher e meus dois filhos também têm muito encanto pela Península e consideram que não há melhor lugar no Rio de Janeiro para viver, nem a beira-mar.

Feito o relato, venho procurando entender esse “mundo novo” em que me inseri.

Ao criar o CORREIO DA PENÍNSULA, porque só vou parar de ser jornalista quando bater as botas ou alguma fatalidade me obrigar, estabeleci uma relação com todo o universo de pouco mais de 4 mil famílias.

E muitas coisas me surpreenderam. Uma delas foram as respostas às pesquisas do blog, com exceção da primeira, que apontou o Flamengo como o time mais querido na Península (esclareço que sou Bangu).

Como as respostas são espontâneas e não podem servir de mostragem, não posso ter a pretensão de que elas reflitam as opiniões do conjunto dos moradores. Mas alguma coisa elas dizem e isso é bom que a gente considere para efeito de conhecimento do perfil dos moradores da Península.

Por enquanto, apenas relatei minha razão de morar aqui.  Tenho conversado com moradores e espero que outros narrem suas motivações.  Até voltarei ao assunto, mas  hoje fico com o resultado da pesquisa sobre preferências para prefeito, que são bem diferentes das realizadas pelo Datafolha e pelo Ibope em toda a cidade. Veja a matéria abaixo.

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