segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mais carros nas ruas fazem a festa da indústria e me causam calafrios


Quem mora na Barra tem de madrugar para chegar na hora ao trabalho e usa carro por falta de opções
Está cada vez mais traumático ir da Barra ao trabalho em outros bairros

“Foi realmente o melhor mês da indústria automobilística, desde que ela se instalou no país”. Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave.
 

Nunca se vendeu tanto carro no Brasil como no mês passado: 405 mil, aos quais se somam mais 15 mil caminhões e ônibus. A indústria automobilista já prevê uma venda de 3 milhões e 700 mil este ano, isto quando registramos uma estagnação da economia com um crescimento de 0,2% do PIB no primeiro semestre de 2012.

Tanto carro novo faz a festa da indústria, que produz os veículos mais caros do mundo, segundo reportagem de O GLOBO. Mas põe em xeque as políticas de transportes das grandes cidades: só no Estado do Rio são emplacados diariamente 850 novos veículos de passeio, isto porque falta alternativa real pra gente deixar o carro em casa ou simplesmente  abrir mão dele.

Com o adensamento em bairros novos, como a Barra da Tijuca e o Recreio, o morador está antecipando em mais de uma hora a sua saída para o trabalho. Essa história de que os trabalhadores ficam mais de duas horas no trânsito na ida e na volta alcança também a classe média, porque o Brasil insiste em distanciar o trabalho da moradia e, o que é mais grave, cidades como o Rio de Janeiro só fazem o que querem as empresas de ônibus, com alto poder de corrupção, inclusive na Câmara Municipal, onde tem uma bancada majoritária, devidamente remunerado em dinheiro vivo todos os meses.

No caso da Barra, a tendência e aumentar o estrangulamento porque é nela que a construção civil obtém maior lucratividade, obtém os melhores índices de velocidade de venda e de valorização dos imóveis.  Isto porque há espaços em condições de projetos residenciais com maior conforto e qualidade de vida.

Mas o deslocamento para os centros de trabalho tende a dramatizar-se mais ainda. Para ser útil realmente, o Metrô deveria ir até o Recreio – na pior das hipóteses, até o Terminal Alvorada.

No entanto, pelos planos atuais, ficará no Jardim Oceânico, obrigando a baldeação de outro tipo de modal, inclusive carros de passeio. A Prefeitura insiste em criar passarela para ônibus e em direção à Santa Cruz ou bairros da Zona Norte, dispensando o transporte sobre trilho com maior capacidade de passageiros, maior conforto  e maior segurança.

É como se houvesse uma integração de interesses que despreza o morador dos bairros e trata tão somente de beneficiar o binômio especulação imobiliária/ônibus, controlador das políticas urbanas nas grandes cidades.

A tragédia é ainda maior quando se sabe que o verdadeiro centro geográfico da cidade é a região de Jacarepaguá, com acessos para todos os bairros.  A miopia dos governantes  insiste em bancar o suicídio urbano, com estímulos a construções no velho centro, que fica numa espécie de golfo viário.

Quem ganha com esse caos é a indústria dos estacionamentos, que está bombando com seus preços extorsivos.

É por isso que a noticia de mais carros na rua, antes de provocar euforia, me causa um tremendo calafrio. Pelo andar da carruagem, ou dos carros, quem mora por estas bandas vai ter de dormir menos e sair de casa antes do sol nascer se quiser chegar no trabalho na hora certa.

Pedro Porfírio é jornalista e candidato a vereador com o número 40123

5 comentários:

  1. Oi Pedro, Quais são seus projetos para melhorar ou tornar mais suportável esse caos? Em especifico aos moradores da Península e trabalhadores dos centros comerciais próximos que surgem a cada dia e sofrem com a deficiência de transporte publico próximo. Sendo obrigado a se locomover de carro ou fazer baldeações demoradas com ônibus de rotas curtas dos condomínios.

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  2. Bruno
    Creio que o ú nico caminho é fazer o Estado e a Prefeitura se unirem no resgate do projeto do VLT para a Barra. Não acredio em alternativa que não seja sobre trilho. Uma composição do metrô, confortável e segura, transporta o equivalente a 40 ônibus.

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  3. Sr Pedro,
    O que o senhor acha do fato do condomínio Peninsula ser o único a não oferecer ônibus para o centro da cidade e Zona Sul ??
    Andrea

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