quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

7 dias depois, o perigo da acomodação


Se nos desmobilizarmos, estaremos jogando fora a possibilidade de conquistar as sonhadas mudanças na Península

Passados 7 dias desde a reunião sobre segurança, estou tendo a sensação de desmobilização das pessoas, como se tudo o que questionamos ou tivesse tido uma resposta totalmente satisfatória ou, pelo contrário, estivéssemos diante de uma onda pessimista - isto é, muitos tenham achado que não há uma perspectiva visível de enfrentamento dessa e de outras preocupações dos moradores da Península.
Pode ser também que as pessoas tenham optado por dar um tempo, para ver como vão ser encaminhadas as várias promessas expostas no encontro, que foi de longe o mais representativo já convocado pela Assape.
Não tenho dúvidas: qualquer raciocínio deve considerar que a reunião só aconteceu porque nós provocamos, com a proposta de coordenar uma discussão naquela mesma quarta-feira. E mais: desde que a Assape existe, ela jamais se deu ao trabalho de repassar um relato de uma reunião no dia seguinte; isto aconteceu por que havíamos publicado matéria a respeito horas antes.

A Assape comunicou maior rigor nas portarias.
Não foi o que vimos, nesta terça-feira, às 9 da noite.
No seu relatório, a Assape registra 131 moradores que assinaram presenças na reunião aberta (não sei se isso para lembrar o contexto de 14 mil) , e, numa outra comunicação ressalta providências para a identificação dos visitantes. Mas nesta, não é confirmada a promessa de iniciar uma ronda do lado de fora, enquanto observamos que a PM, com efetivo reduzido, já não exerce uma presença tão ostensiva como na semana da reunião.


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Na noite desta terça-feira fui observar se as portarias já estavam operando mediante controle mais rigoroso, conforme a circular enviada pela Assape na segunda-feira, dia 21. Estivemos na Portaria 1 depois da 9 da noite.  E os carros das áreas de visitantes estavam entrando com a mesma facilidade de antes, conforme fotografamos.
Também não ficamos sabendo de qualquer manifestação formal das autoridades sobre a adoção das medidas que foram festejadas como "uma verdadeira parceria" com os moradores da Península.
Pelo que a gente conhece do nosso poder público, essa prática de mostrar-se na hora da tensão e sumir depois é infelizmente uma rotina repetida. E é realmente impossível exigir do 31º BPM uma cobertura razoável com menos de 400 homens, para uma população de 304 mil pessoas e o maior índice de crescimento da cidade.
Além disso, o encontro foi acorrentado a um único foco da segurança. A mesa não permitia qualquer vinculação de outros fatores preocupantes, como a falta de ônibus para transporte direto dos moradores, prática consagrada na grande maioria dos condomínios da Barra, e o mistério em torno do cercado na Rua dos Jacarandás, onde já há projeto de instalações comerciais.
Não podemos nos dispersar
Em relação à Prefeitura, o administrador regional presente fez-se portador de uma pauta de questionamentos, mas não assumiu compromissos a não ser de repassar. Ele não tinha posição formada, por exemplo, sobre a inexistência de calçadas na maior parte da Av. João Cabral de Melo Neto, o que é uma violação ao Código de  Posturas Municipais, concomitante com uma ameaça permanente à segurança dos pedestres.
Pelo que conhecemos da Península e por manifestações de moradores, atingimos o ponto alto da participação tão necessária em defesa de nossa qualidade de vida e do próprio projeto vivencial do nosso micro-bairro.
Admitir um esvaziamento neste momento é jogar fora uma grande oportunidade de dar uma nova dinâmica ao próprio papel da Assape,  criada pela Carvalho Hosken ainda como "SCAP" , com um estatuto outorgado que precisa ser revisto e atualizado segundo a realidade de hoje, em que os moradores já somam mais de 14 mil, arcam com dois terços do orçamento e possuem 8 mil automóveis, segundo estimativas.
O trauma da falta de legitimidade
Vale lembrar aqui o problema que a Assape enfrentou quando entrou com uma Ação Civil Pública para suspender a cobrança do laudêmio, essa violência tributária que tem de acabar aqui, como acabou no Jardim Oceânico, em Niterói e outros 17 municípios litorâneos do Estado do Rio, de Cabo Frio a Angra dos Reis.
Tanto na primeira, como na segunda instância, configurou-se o entendimento da Justiça Federal de que, com esse estatuto, a Assape não tem legitimidade para representar os moradores em ações legais com tal escopo, criando embaraço para uma eventual Ação Civil Pública, que é o único instrumento de benefício coletivo realmente abrangente.
É preciso refletir hoje segundo o interesse hegemônico dos moradores, sem que isso presuma necessariamente conflito com as construtoras. A fase em que os construtores e da empresa empreendedora precisavam ter o comando das decisões acabou quando expirou o período de 5 anos em que o presidente da Assape tinha de ser obrigatoriamente um representante da Carvalho Hosken.
Essa mudança, que é filha da lógica, é que vai oxigenar o ambiente e incentivar a participação dos moradores.
Nesse clima novo, seria importante que a escolha dos novos representantes junto ao Conselho, que deverá ocorrer até abril, mês da Assembléia Geral da Assape,  seja prerrogativa exclusiva dos moradores e proprietários.  Em alguns casos e para alguns cargos, a Carvalho Hosken, que ainda é proprietária de muitas unidades ainda vazias, tem se abstido. Em outros, não.
Seria igualmente aconselhável que se convocasse uma assembléia extraordinária para debater serenamente a reforma do estatuto, habilitando-o para uma efetiva representação e uma incentivada participação.
Como se vê, uma questão puxa outra. Mas tudo o que levantamos irá de água abaixo se a participação refluir e a inércia nos dominar.
Sobre as postagens
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20 comentários:

  1. Pedro, também tive esta mesma impressão, de estarmos diante da volta ao nosso comodismo. Parece que estamos pensando que tudo se resolveu agora que as nossas autoridades se manifestaram. Mas na verdade tudo continua igualzinho. E pior, ninguém fala da construção dos quatro prédios comerciais que estão para surgir no fundo do nosso quintal. Certamente não serão lojas, pois nenhum comerciante de tino abriria uma birosca neste lugar. Mas sim dezenas de escritórios de aluguel para abrir um fluxo incontável de passantes para transformar o nosso micro-bairro numa passarela de estranhos. Quando isto acontecer deixaremos de morar onde hoje moramos, a Península que conhecemos, pois ela estará completamente desconfigurada. A prefeitura ou a nossa Federação precisam ser acionadas para um embargo imediato. E talvez tenhamos que organizar um abaixo assinado amplo, que atinja boa parte destas 14.000 pessoas que aqui habitam.

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    1. O Sr. esta falando dos 4 terrenos na Rua dos Jacarandas? O que devemos fazer para esse embargo?

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    2. Boa noite,
      Prezado amigo, tenho receio de entrar nesse tipo de detalhe a um anônimo, pois pessoas com interesses opostos ao da maioria poderiam utilizar este meio para uma sondagem. Porém certamente temos diversos meios legais para tal, mas esperamos antes de tudo que a própria construtora que criou este belíssimo conceito da Península, não o destrua de forma tão pouco inteligente. Lançar prédios comerciais no local demarcado, nos recônditos deste micro-bairro, levando estranhos a percorrerem toda a extensão de uma área 100% residencial, com todo este apelo ambiental, seria um contra senso impensável para uma empresa tão conceituada. Espero sinceramente que alguém da Carvalho H perceba a intranquilidade que se instalou entre os moradores e se manifeste. Nossa preocupação vem justamente deste longo silêncio e do fato de ninguém desmentir o tal "replantio", desculpa que alguns síndicos que frequentam a ASSAPE estão apregoando por aí. A mim parece ser a contra-informação, apenas para dividir as opiniões e minar as ações. O silêncio também fala. Por isto temos que escutá-lo. Atte.

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  2. Prezado Pedro Porfirio, parabéns pela atuação e vigilância em torno dos problemas da nossa comunidade.

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  3. Sou proprietaria de um imovel e moradora de finais de semana, mas gosto demais desse nosso espaço e estou muito perplexa com a falta de interesse dos efetivos moradores que sao em sua maioria pessoas bem informadas, de nivel cultural, social e financeiro bons e principalmente, como moradores, detentores do poder e direito de reivindicaçoes justas para o minimo de tranquilidade. Tenho poucas oportunidades de participaçao efetiva, mas de longe brigo por aquilo que posso, o que nao é a realidade de voces que vivem o dia a dia da/na Peninsula e assim podem se fazer presentes, *reclamadores* por direito daquilo que é nosso, até pq pagamos por isso. Parabéns Pedro pelo cuidado e fica aqui meu pedido de atitude dos amigos moradores para que, como familia, possamos ter uma certa qualidade de vida dentro desse bairro lindo que foi escolhido por nós como lugar para morarmos.

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  4. Nao podemos permitir que se construam predios comerciais em nosso bairro, pois viemos morar aqui justamente por ser um lugar privilegiado onde a circulaçao é basicamente de moradores.
    Parabéns Pedro, pelo empenho e preocupaçao com a Peninsula!

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  5. Olá, Dr Porfírio, como vai?

    Ontem, da mesma forma, na entrada 2, mais próxima ao Via Parque, a cancela de visitantes não só não havia controle, como de fato estava aberta totalmente, permitindo a entrada indiscriminada de quaiquer veículos e em alta velocidade. Quando eu parei na cancela de moradores e apertei o controle do carro, levei um susto com a velocidade com que os carros entravam. A sensação de insegurança realmente é total e contínua, ou as promessas dos comunicados são mentirosas ou tudo não passou de mera encenação. Não adianta mandarem atas e comunicados no dia seguinte e nos demais dias não tomarem nenhuma medida efetiva. Precisamos de resultados e não mais de promessas. A Assape não é câmara de vereadores ou deputados, mas é nosso patrimônio e as pessoas que lá trabalham são nossos empregados. Ou fazem o que queremos ou colocamos na rua e substituímos por outras pessoas que sejam mais competentes. É assim o mercado de trabalho.
    Sou morador do Smart e nossa AGO se realizou há uma semana onde pudemos conversar sobre esse assunto e mais outros como transporte, trilhas, quadras abandonadas, quiosques interditados, mas o que me chamou mais atenção foi a unanimidade de todos os moradores em respeito à enorme INSATISFAÇÃO com o trabalho da Assape, com a forma com que grande parte do conselho comunitário age com prepotência e totalitarismos, sem dar ouvidos às reais demandas dos moradores. Esse quadro de descaso está levando vários condomínios a iniciarem um movimento em prol de se desassociarem da Assape e criarem uma outra associação livre, diferente da atual, que é propositalmente engessada nesse estatuto arcaico que não permite a efetiva participação da maioria dos moradores, mas apenas de um grupo que toma as decisões com uma verba mensal milionária e não dá nenhum retorno efetivo aos moradores e apenas a usam para autopromoção e benefício das incorporadoras, com publicações enganosas e vergonhosas numa revista que poderia ser usada de forma muito mais útil de fato. Os moradores da península estão muito revoltados e às vezes, pelo tom das conversas, temo pelo que possa acontecer com o futuro da península, que caminha em passos largos para deixar de ser o bairro conceito que compramos e se tornar apenas uma praça com vários condomínios independentes. Não sei o que essas pessoas que lá estão administrando pensam ou como elas enxergam a situação, mas o fato é que elas têm uma visão totalmente equivocada do clima que se instalou. Estamos todos em pânico com os recentes acontecimentos e mais ainda por não haver respostas e resultados eficazes. Já temos um condomínio que se desassociou e virão outros se as coisas continuarem como estão em 2013. Esse ano ou a Assape se torna de fato uma associação dos moradores ou vai ser abandonada por eles.

    Não sei se o Sr já tomou conhecimento, mas há um grupo bem grande de cerca de 1000 moradores que já assinaram um documento para que a Assape reformule o sistema de transporte. Seria bom que o Sr usasse seu site para ajudar a divulgar esse trabalho que me parece ser muito sensato e trará muitos benefícios a todos os moradores, não só pelo transporte em si, mas também porque trará maior segurança no ir e vir de todos. Tenho certeza que a nossa vizinha não teria sido assassinada se estivesse voltando de seu trabalho num ônibus de moradores...

    Desculpe, mas prefiro ser anônimo pois não quero me expor a pessoas nas quais não confio.

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    1. 1000 moradores que já assinaram um documento? Creio que é um grupo com tamanho suficiente para organizar um sistema de transporte. Ou a intenção é bancar o sistema com a ajuda dos outros 13 mil moradores?

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  6. Sr. Pedro, sou do grupo de moradores citado no comentário acima. Gostaríamos de contar com seu apoio no St Barth em nosso projeto. Gostaria de conversar com o Sr. pessoalmente. Como posso entrar em contato com o Sr.?

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    1. Estarei sempre ao dispor de todos nos telefones 21359506, 78350680 e 99822545 (nem sempre ligado). Como estou aposentado, mas continuo jornalista ativo, tenho sempre tempo para trocar idéias. Aliás, preciso mesmo de conversar para embasar melhor minhas opiniões.

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  7. As vias em que estão instaladas a guaritas de entrada na Península são logradouros públicos. Logo, jamais deveriam existir como postos de segurança privada.
    Essas guaritas devem ser demolidas e dar lugar a posto de controle da PM, como os conhecidos DPO's.
    Sds., JOÃO LUÍS
    Enviado via peninsula@pedroporfirio.com

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    1. Caro João Luís, permita-me o comentário: além de coragem você tem um excelente senso de humor. Parabéns. Rsrs

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    2. Calma, o João Luiz, não quis dizer DPO, o que ele quer é instalar uma UPP na Peninsula. Mas João Luiz, se vc não conseguir, vc sempre terá a opção de se mudar para uma favela, onde vc vai encontrar os DPOs que vc quer.

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  8. onde ja se viu? DPO. DPOs eram bases avançadas da PM em áreas dominadas pelo tráfico. Modelo falido que deu lugar às UPPs. Onde já se viu DPO em condomínio na Barra da Tijuca! Não existe cabimento para este comentário, com todo respeito.

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  9. Péricles Puggi Brochado24 de janeiro de 2013 13:07

    É Lamentável que se demore tanto para se proceder as modificações.
    Enviado via peninsula@pedroporfirio.com

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  10. Hoje, entre 8:30, 9:00, sai pela portaria 2 (prox via parque). A entrada estava caótica, simplesmente fechando a avenida, tamanha a fila de carros, caminhões, vans... Na minha opinião, é muito fácil entrar aqui mas a segurança tem ser preparada para atuar com eficiência, receber treinamento, abordar os motoristas com cordialidade e rapidez, só perguntar o necessário. O que eu vi parecia operação padrão de grevista, não está bom.
    A ASSAPE precisa mudar, é tudo 8 ou 80, não há bom senso, razoabilidade.


    att
    Rodrigo

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  11. Prezados, 14 mil moradores atualmente (conforme informado pelo Sr. Pedro em algum post) e queremos registar TODOS os visitantes??? Só na Langley (quartel geral da CIA). Vamos tentar ser sensatos e investir na segurança dentro do condomínio. Aproveitando, alguém está respeitando o limite de velocidade de 30km?

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  12. Pedro, quero compartilhar a todos, que hoje, dia 26 de janeiro, ao tentar entrar com minha moto pelo portão 1, junto ao Fit, fui barrado por não ter o tag e nem a senha para digitar. Finalmente o controle que tanto esperávamos começa a aparecer, o que devemos todos elogiar e apoiar. As pessoas que realizam este controle precisam saber que a maioria dos moradores aprova que se faça este controle, pois do contrárip entrará qualquer um sem identificar-se. E sabemos que existem moradores que se comportam como se estivessem acima de tudo e de todos e adoram dar suas carteiradas de "doutoridades". Não querem nem para si nem para seus familiares ou convidados. Então, apoiemos as boas práticas. No entanto, não houve divulgação, mais uma vez, de como e onde obter a senha devacesso. Talvez eu tenha perdido esta parte. Consequentemente fui enviado à portaria 2, por onde o reconhecimento visual permitiu que eu entrasse sem a senha, por enquanto. Estimulemos e aprovemos este começo de controle.

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  13. Espero que esse controle continue assim! A senha fiquei sabendo que está disponivel na Assape para cada morador. Vejo luz no fim do túnel

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  14. Ao voltar do carnval ontem, na portaria 2 de taxi , solicitaram que o motorista apagasse os faróis para fotografarem a placa. Gostei da implementação do novo sistema de segurança, porém, por mim a segurança interna já era boa e o que tem que ser feito é nos arredores. TUDO acontece entre peninsula e barra shopping. Será que não está tão claro assim para todos ? Basta colocar uma guarita nos sinais atras do bara shopping com vigilancia 24x7 que iria melhorar bastante e nos dar uma segurança infinitamente maior que qualquer blitz temporária (que sabemos que serão temporárias, pois nao adianta acreditar em nada que se mova) . Tem que ser alguma obra fixa, nada movel. Senão vai passar e se apagar.

    Voto pela guarita mesmo que a assape pague ao governo que nao sei se fará isso (já que nao fazem nada por ninguem).

    15 mil moradores pagando nao acho que o custo seria grande, alguem poderia fazer os calculos e ver o csto disso.

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