segunda-feira, 1 de abril de 2013

Caminhos bloqueados


Estudo da UFRJ projeta uma cidade totalmente engarrafada já a partir de 2016.  Há 10 anos, a Barra já tinha 7 carros para cada 10 habitantes.

Para que tenhamos elementos que nos façam entender melhor as razões da imperiosa necessidade de reformularmos  nosso sistema de transportes, com a extensão ao centro das linhas de ônibus,  vamos publicar algumas matérias que tratam da questão do trânsito de forma muito mais ampla e mais abrangente.
Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil


 Se não forem adotadas medidas práticas e imediatas no sistema viário do Rio, a cidade deverá bater recordes de engarrafamentos durante as Olimpíadas de 2016. A frota atual de 1,8 milhão de automóveis ultrapassará os 3 milhões até 2020, o que representará um carro para cada dois moradores. O resultado será o aumento dos congestionamentos, que praticamente vão durar o dia todo, atingindo um número maior de ruas e avenidas.
A previsão consta de um estudo do Programa de Engenharia de Transportes da Coordenadoria de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). A equipe coordenada pelo professor Paulo Cezar Ribeiro projetou o número de veículos baseado no crescimento verificado nos dez últimos anos. Em 2001, a frota na cidade era 1,3 milhão de automóveis, 500 mil carros a menos do que atualmente.

“Os congestionamentos serão mais extensos, começando antes e terminando depois, e vão abranger um maior número de ruas. Isso é inevitável”, afirmou Ribeiro, que alertou para a falta de planejamento de longo prazo, em períodos que vão além dos mandatos dos governantes.

Ele lembrou que muito do que existe no Rio em avenidas expressas, túneis e elevados foi projetado ou construído há mais de 40 anos, ainda na época de Carlos Lacerda, que governou o antigo estado da Guanabara de 1960 a 1965.

“Esta é uma das grandes constatações. O Lacerda chamou um planejador estrangeiro, o [arquiteto grego Constantino] Doxiádis, que fez uma análise muito boa da cidade, com projeções para 20 e 30 anos”, lembrou o professor da Coppe. Ele frisou existir iniciativa semelhante, o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), entregue em 2005, e atualizado recentemente, mas que precisa ser implementado. “Caso contrário, vamos chegar a uma situação em que a mobilidade na cidade vai ficar muito reduzida. Daqui a dez anos vai ser muito tarde.”

Ribeiro alertou que, se não forem executados melhoramentos viários agora, a situação chegará a um nível crítico em um futuro próximo. “Se a frota continuar aumentando com a taxa dos últimos dez anos, vão se agravar ainda mais os congestionamentos. Os governantes vão ter que investir em transporte público de qualidade, como metrô, trem e BRT [ônibus em corredores expressos], mas melhorar também o sistema viário, porque as pessoas vão continuar a andar em transporte particular.”

Segundo o estudo da Coppe, nos últimos anos a frota de carros dos municípios do Rio e de Niterói cresceu em média 28%. Em outras cidades, o aumento foi ainda maior, chegando a 38% em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e 43% em Campos dos Goytacazes, no norte do estado.

Para o professor da Coppe, o Rio já está próximo de índices de carros por habitantes verificados na Europa, de 500 automóveis por mil habitantes, mas ainda longe dos Estados Unidos, de 900 por mil.

No Brasil, segundo números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), circulam 64 milhões de veículos, o que dá uma taxa de 315 veículos por mil habitantes. Em 2020, segundo os cálculos da Coppe, haverá um aumento aproximado de 50%, chegando a 95 milhões de veículos em todo o país.


Há dez anos, a Barra já tinha 7 carros para
 cada 10 habitantes 


Já o portal R7 enfatiza em sua matéria que professor Paulo Cezar Ribeiro atribui esse crescimento a três principais indicadores: 

 Primeiro, a vontade de cada um ter o seu carro.

 Segundo, porque o governo tem interesse que as pessoas comprem carros para arrecadar impostos. 

E, terceiro, que todas as fábricas de automóveis estão vendendo carros no Brasil. É um mercado que só tende a crescer. 

Entre 2001 e 2010, o número de veículos, incluindo carros, motos, caminhões e ônibus, aumentou 43% em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense; 38% em Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; 29% em Itaguaí, também na baixada, e em Niterói, região metropolitana; e 28% na capital fluminense. 

De acordo com Ribeiro, há dez anos, somente a zona sul do Rio apresentava 500 automóveis para cada 1.000 habitantes. Os bairros com maior concentração de veículos eram Ipanema e Leblon. 

- Eu tenho uma pesquisa, que fiz há dez anos, que mostra que só na zona sul, em Ipanema e no Leblon, havia 500 veículos para cada 1.000 habitantes. Só na Barra da Tijuca, eram 700 automóveis para cada mil habitantes.


Estudos mostram ônibus fretados como alternativa


CLIQUE NA FOTO E PARA VER O ESTUDO
Estamos em contato com a professora Eva Vider, da Escola Politécnica da UFRJ e vamos divulgar matéria sobre os estudos feitos com consistente embasamento técnico e consolidados  na publicação  Cadernos Técnicos sobre transportes em ônibus fretados. Esse livreto de quase 100 páginas tem artigos de vários especialistas vinculando o transporte fretado à melhoria da mobilidade urbana, inclusive da professora Eva Vider, uma das maiores autoridades em transportes do Rio de Janeiro.

Há muitas surpresas, inclusive uma pesquisa criteriosa realizada pelos técnicos da UFRJ no Condomínio Rio2.

A idéia é trazer especialistas para debater conosco a questão dos transportes  no contexto de uma cidade estrangulada em termos de mobilidade urbana.

LEIA TAMBÉM EM NOSSO BLOG 
PODRES PODERES


Por mais do que oportuno, transcrevemos aqui a matéria de ISABELA BASTOS em O GLOBO deste 1º de abril.

No dia 1º de abril, um passeio por um Rio que nunca saiu do papel

  • Anunciados oficialmente pelo poder público nos últimos 50
  • anos, projetos acabaram barrados por obstáculos econômicos e políticos

10 comentários:

  1. Porfirio,
    Seu blog, como sempre, está maravilhoso !
    E, entrar em contato com a professora Eva Vider, da Escola Politécnica da UFRJ é tudo o que estávamos precisando no momento !
    A partir de agora teremos todas as respostas que sempre nos questionaram !
    Andrea

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  2. Porfírio, matéria excelente!
    Hoje o Rio de Janeiro está um caos devido aos engarrafamentos.
    Só no nosso entorno, ( ruas próximas ao Via Parque e Barra Shopping, há horários em que o trânsito, literalmente, PARA!

    Hoje, com 4088 unidades resdenciais entregues e 3741 unidades habitadas, já temos cadastrados na ASSAPE 9039 veículos (informações disponibilizadas peloa ASSAPE). Isso significa uma média de 2,41 veículos por unidade.

    Diante desses números, podemos imaginar o que será a entrada e saída do Península quando todas as mais de 6000 unidades estiverem ocupadas. Isso sem falar no Península 2 e no empreendimento que será construído pelo Eike batista no local em que hoje é a Terra Encantada!

    Por essas e por outras razões é necessário buscarmos uma solução para o transporte em nosso condomínio. E o TRANSPORTE FRETADO é uma solução viável , com certeza! Não só como uma forma de facilitar a locomoção(e diminuir os engarrafamentos) mas também no aspecto ambiental (uma vez que o ônibus substitui, potencialmente, 46 carros). Pelo menos enquanto não tivermos outras soluções disponibilizadas pelo poder público.

    Do contrário chegar ao trabalho só poderá ser feito através de helicóptero, que pode até ser uma solução para alguns moradores no Península, mas com certeza, não o é para a imensa maioria!!!!

    Claudia Martins

    Porfírio, excelente o artigo sobre o tema:
    http://onibusbrasil.com/blog/2013/02/02/transporte-fretado-tambem-deve-ser-encarado-como-solucao-para-mobilidade-urbana/

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  3. Fátima Cristina1 de abril de 2013 12:37

    Gente, esse quadro é um sinal de alerta pra quem mora na Barra. O nosso problema não é só da Península. Vi também o projeto do trem que não saiu do papel. A gente tem que ter uma atitude proativa e olhar longe agora antes que seja tarde amanhã. Tem que ser muito cego para não enxergar a necessidade de dar uma mexida séria no nosso sistema de transportes.

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  4. Matéria muito boa, ainda bem que temos uma voz, recebi carta aberta assinada por uma comissão de moradores contrária a implantação de ônibus
    para o centro da cidade saindo aqui da nosso Península, sob alegação de que seriam 22 ônibus para atender 1000 pessoas, será que eles acham melhor 1000 carros de passeio circulando aqui dentro?
    PARAÍSO ECOLÓGICO' me poupem!
    poderíamos ter um ponto para que os ônibus partissem sem circular em todas as ruas, como exemplo o que o sr prefeito fez no centro colocando um ponto inicial na praça da candelária para esse tipo de transporte.
    Poderia ser na portaria de serviço.
    No mais fico na torcida para que a razão para o bem comum prevaleça.

    Abraço fraterno.

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  5. Sonho foi comprar um apartamento na peninsula!
    Quando me lembro que os corretores diziam que teriamos onibus para a barra inteira imediatamente e para o centro no maximo em um ano, e la se vão mais de cinco anos...
    Tenho certeza que se a comissão tivesse boa vontade, ja estariamos sendo atendidos, mas a realidade acaba se impondo, e qualquer dia destes, a arrogancia deles, vai ter que se submeter a realidade:
    NÃO É MAIS POSSIVEL SE PENSAR EM BARRA, SE TODOS OS PREDIOS NAO TIVEREM CONDUCAO COLETIVA.SIMPLESMENTE NAO VAMOS MAIS ANDAR!

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  6. Matéria muito interessante e oportuna, Pedro. Me faz refletir sobre alguns aspectos do nosso dia a dia:
    Quando comparamos a proporção de automóveis por 1000 habitantes entre o Rio de Janeiro (Brasil) e alguns países desenvolvidos, os índices até aproximam-se aos de muitas cidades da Europa, porém, nossa frota, apesar de ter melhorado muito nos últimos anos, AINDA é de CARROÇAS, com uma idade média muito elevada, vide as sucatas que teimam em andar por aí, incentivadas pelo IPVA gratuito, quando deveriam pagar muito mais para rodar poluindo e enguiçando. (Nos Estados Unidos o seguro obrigatório aumenta com a idade do carro, até tornar-se tão caro que é melhor mandá-lo para o ferro velho.).Aqui, carros novos saindo de fábrica com motores ultrapassados, de baixo rendimento, consumindo um combustível de quinta, de alto índice de enxofre, misturado com etanol, etc. Vias e sinalização de terceiro mundo. Bastou uma chuva e tudo para. Motoristas da mais distinta educação fecham cruzamentos, usam o acostamento ou avançam o sinal. Frotas de ônibus campeãs de multas e campeãs em não pagá-las, etc., etc., o que faz do nosso trânsito o mais caótico do Brasil, uma aventura diária para quem tem que enfrentá-lo a cada dia, cada vez mais DEVAGAR, numa velocidade média de charrete. Um verdadeiro treino para monge budista. Sem falar no nosso pobre metrô, com pelo menos 50 anos de atraso, um elevado do Joá em ruínas, os arrastões nos túneis, etc. Tudo muito próprio para desfrutarmos e, portanto, defendermos a todo custo, o nosso sagrado prazer de cada dia estar ao volante de nossas poderosas máquinas, das mais modestas e "poçantes" (tem uma aqui no prédio que deixa cada poça de óleo na garagem...) às mais possantes e requintadas. Pura aventura. E vamos nessa até chegar o dia em que ficaremos presos ad eternum no engarrafamento final. Calma, pessoal ! Teremos sempre a opção de deixar o carro no meio da rua e voltar para casa à pé.
    E só para dar um pouquinho de inveja, eu trabalho no Città América. Mas eu faço em 30 min o que deveria ser feito no máximo em 10 ou 15 min, o que já me desespera. Por isto às vezes vou de moto(cicleta). Um absurdo ! Às vezes eu penso em ir de stand- up pela lagoa, mas tenho medo dos estranhos "jacarés" que por vezes flutuam pelas nossas calmas e límpidas águas. Uma natureza alucinante. Em vista deste nosso cenário maravilhoso para trafegar livremente por aí, bunda-le-lê, flamantes em nossos reluzentes "poçantes" ou possantes é que eu não entendo por que é que ainda tem tanto cara pálida contra um transporte muito mais inteligente. Tanto ataque de pelanca, chilique, metamorfose? Vamos todos ao congestionamento final dar um fim nessa pendenga !

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  7. Espero que todos os Conselheiros da ASSAPE, especialmente aqueles Conselheiros e moradores(cada vez em número menor)que são contrários à reformulação do sistema de transporte da Península, leiam essa matéria.

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  8. José Roberto Pires2 de abril de 2013 16:56

    Sou a favor do transporte para o Centro.

    Mas é um paliativo. Os ônibus fretados não são uma solução. Até porque eles não voam. E, hoje, com as obras, é praticamente impossível fazer ida e volta Península x Centro sem perder, pelo menos, 3 horas do dia, o que é um inferno para a qualidade de vida.

    A verdadeira solução para a Barra é o transporte lagunar até o metrô do Jardim Oceânico. Se esse projeto não sair por conta do imbróglio dos royalties, adeus Barra!

    Até lá, a única forma que vejo (e estou usando) para ir para o Centro em um tempo minimamente aceitável é enfrentar mesmo o metrô de Del Castilho. Se tivéssemos um ônibus da Península direto até o Nova América, iria ajudar muito, pois não se perderia mais tempo com a baldeação no Via Parque.

    Mas, infelizmente, as pessoas preferem desdenhar dessa solução.

    Com um ônibus pontual saindo da Península direto para o Nova América dá, tranquilamente, para sair da Península às 9 hs e saltar no metrô da Uruguaiana às 9:45 ou 9:50, a não ser que se pegue um engarrafamento monstro na Linha Amarela antes do Nova América, o que só acontece em dias de caos.

    ÔNIBUS PRO NOVA AMÉRICA JÁ!!!

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    1. José Roberto, você tem razão. A integração com o metrô é uma ótima alternativa em termos de rapidez. Talvez nem tanto em conforto, que poderia vir somente com uma brutal racionalização da circulação a partir da chegada do metrô à Barra, mas seria uma aposta ainda arriscada. Porém o importante é rever o sistema que está aí e que já nem atende corretamente aos seus mínimos propósitos. Mas para isto precisamos nos mobilizar em prol das mudanças. Meu filho faz esse trajeto que você comenta e só assim tem evitado perder longas horas no trânsito.
      Abraço

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