sábado, 27 de abril de 2013

Falando francamente, que hoje é sábado

Se é para falar só de abobrinhas, como nos anos de chumbo, não tem sentido queimar a mufa neste blog

 “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”.
Darcy Ribeiro


“Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância”.
Da poesia Dia da Criação, de Vinicius de Moraes

Porque hoje é sábado, creio que há clima pra gente ter uma conversa franca entre amigos, - mais do que isso,  entre irmãos, passageiros da mesma nave.

É necessário que a gente se fale, com coragem, sem hipocrisia, sem preconceito, sem medo de ser feliz, porque hoje é sábado.

Em matéria de segurança, sou mais o pequeno Argos
A gente tem várias idades. Eu tenho 70, você pode ter menos. Mas pode ter amadurecido com as sábias e insubstituíveis lições da vida. Vida que a gente procura fazer melhor, principalmente quando estamos em casa com nossos entes queridos, porque hoje é sábado.

Resolvi expor-me nas próximas linhas e dizer algumas coisas, propor uma reflexão, um exame de consciência, uma olhada no espelho das nossas almas, porque hoje é sábado.

E sabe por que quero lhe falar de coração para coração, de cérebro para cérebro? Porque, como escreveu o Vinicius, o poetinha, (que papo agradável), “há um renovar-se de esperanças, porque hoje é sábado”.

E começo pelo fim, por que estou ficando assustado, temendo estar furando a película que lhe reveste a existência, a relação com o mundo, com a realidade, como se, a partir de uma certa geração, o cérebro tenha sido lacrado a sete chaves, como se uma parafernália tecnológica tenha programado e direcionado sua faculdade de raciocínio, sob pena de dissolver o código da vida que lhe foi outorgado em série, estreitando sua margem de compreensão, num trágico coquetel de hipocrisias, ilusões, sonhos, medo, insegurança, manipulação, alienação, conformação,  adequação, arrivismo, covardia, decomposição mental,    enfim  uma panacéia patogênica que terceiriza e pasteuriza o ato de pensar, entender e decidir. Vejo isso com muita clareza, porque hoje é sábado.

Esse arrombamento em um dos nossos condomínios mais sofisticados, o último dos episódios traumáticos do nosso cotidiano recente, serviu para expor as vísceras de uma sociedade acrítica, vulnerável, possuída pelo medo, que aceitou boiar na superficialidade num angustiante pacto inercial irreversível.

Será que alguém acredita que aquele marginal com cara de professor de matemática fez todo aquele périplo de 4 horas dentro do prédio, durante o dia, usando ferramentas da própria manutenção, SEM A COLABORAÇÃO DE NINGUÉM?

Francamente, porque hoje é sábado, espero que sua ficha caia. Do jeito que aconteceu,  o  feito criminoso tende a entrar muito mais para o folclore do que para a crônica policial.

Forçando a memória, posso ter visto algo parecido em comédia cinematográfica. Na vida real, já fiz de tudo, mas não encontrei semelhanças, nem por mera coincidência.

A primeira informação que recebi foi num papo rápido com um morador do dito condomínio, cujo nome (o do condomínio) mantenho oculto a pedidos, embora já esteja rolando até nos ônibus dos empregados.  Mas a descrição pormenorizada  da proeza foi escrita num e-mail de um morador de outro condomínio, enviado a um vizinho, certamente para dizer: podia ter sido aqui.

Por muitos condôminos do prédio onde a segurança é uma piada de mau gosto isso seria empurrado mais uma vez para debaixo do tapete. É a expressão mais deprimente do jogo de aparências. Por que senão,  se a história vaza, poderá acontecer uma brusca queda no valor do imóvel de cada um, como se cada um vivesse contando com a possibilidade de precisar vendê-lo no dia seguinte.

Nada mais entristecedor. Se tal façanha criminosa houvesse acontecido em um prédio público, a casa tinha caído.  Policiais teriam sido recolhidos presos, a imprensa teria caído de pau e até o ministro ou secretário da área na melhor das hipóteses estaria sendo submetido à execração pública. Se não tivesse caído do cavalo como inepto e cúmplice da empresa de segurança de fancaria.

Nesse condomínio, por razões que nenhuma razão explica, que eu saiba, não aconteceu nada. A empresa de segurança terceirizada continua impávida no colosso e não me consta que a turma de serviço naquele dia de São Jorge, o guerreiro, tenha sido afastada, pelo menos até que a polícia apure os fatos.

Ou será que não querem polícia lá, por que não fica bem uma investigação policial envolvendo o condomínio, que poderia  ficar exposto à desvalorização?

Moradores me escreveram  e enviaram as fotos das câmeras de segurança. Eu não fui lá pedir.  Solicitaram-me que as divulgasse até para que outro condomínio não seja vítima do mesmo espertalhão, se é que já não foi e tal coisa foi hermeticamente abafada.

Outros, porém,  estão insones com a disseminação da informação.  Como o bandido usou um táxi para ir embora com um saludo cordial aos porteiros e seguranças, quis ajudar publicando a foto do dito cujo no blog destinado a taxistas. Quem sabe, um dos meus leitores de lá tivesse ajudado sem saber.

Pois não é que me escreveram achando que toda bandidagem do Rio de Janeiro e adjacências agora vai fazer fila na Península só por causa da notícia num dos milhões de blogs surgidos nessa febre salutar de comunicação?

Sinceramente, fiquei ofendido.  Será que estão pensando que os bandidos vivem lendo meus blogs e fazendo suas agendas criminosas com base no que escrevo? Outro vizinho, por brincadeira ou não, perguntou se eu estou fazendo a apologia ao crime na Península. É mole ou quer mais?

Eu pensava que a Lei do Silêncio fosse exclusiva das comunidades onde impera o crime mais brutal. Aqui também a gente só pode falar de abobrinhas?

Pelos números de cada postagem de abril dá para saber o que mais interessa aos leitores
Curioso, pelo controle do Google Analyts essas informações são as que despertam maior interesse dos moradores. Será que esses leitores padecem de alguma tendência mórbida?

Projetando essa censura ao país, a imprensa não poderia falar uma palavra dos bandidos que mataram uma dentista em São Paulo por que só havia R$ 30,00 em sua conta.  As sociedades de odontologia podiam protestar. Os vizinhos da dentista, igualmente. Desvalorizaram o prédio onde fica seu consultório.

Já pensou, aliás, se esse bandido arrombador fosse flagrado com a família retornando e matasse alguém? Aí, qual seria a rolha que impediria que toda a mídia informasse?  Ou você não se lembra da historia de estupros na trilha que saiu nos jornais?

Francamente, eu até pensei em parar este blog. Pensei mesmo.  Quem me cobrou por ter posto a notícia no blog dos taxistas parecia uma das pessoas mais lúcidas do pedaço. Se ela tem essa idéia de que “agora que os bandidos do Rio de janeiro inteiro vão querer fazer a festa aqui no nosso condomínio”, imagine quem não tem sua lucidez (?), sua vivência profissional e sua cultura?

Francamente, daqui a pouco, vão dizer que o Fontvieille permanece deserto por causa do meu blog; que existem quase 600 apartamentos empacados pelas notícias que divulgo.

Bem, por enquanto, vou ficar no ar. É a minha contribuição à humanidade, ao movimento virtual contra a paranóia e a oligofrenia.  É o meu grão de areia nesse deserto onde a hipocrisia deita e rola.

Porque, repito, como disse e me contagia o poeta Vinicius de Moraes (aquele que dá nome a uma rua em Ipanema)...

PORQUE HOJE É SÁBADO.
HÁ UM RENOVAR-SE DE ESPERANÇAS!

9 comentários:

  1. Concordo plenamente com você Porfirio, porque eu moro neste condomínio e só depois que você divulgou a imagem, e o relato do caso, fiquei sabendo. Sempre depois que você divulga, é que a gente tem uma resposta da ASSAPE, ou mesmo do condomínio.
    Acho que você esta de parabéns, porque nao adianta fingir que nao esta acontecendo nada.

    ResponderExcluir
  2. Num universo grande como a Península, um blog que exponha a ASSAPE é muito mais que bem-vindo. Acho absurdo que notícias não sejam divuldadas sob o pretexto de uma possível desvalorização de imóveis. Informação é essencial, e se a informação é ruim é porque os fatos também o são -- cabe a ASSAPE e às demais autoridades competentes cuidarem de melhorar os fatos, i.e., investirem em segurança decente.

    Poucas coisas são tão patéticas como a pseudosegurança da entrada da Península. Primeiro, porque é uma área pública. A mera pergunta de para onde se vai já é uma afronta ao direito de ir e vir. Depois, porque, francamente, mesmo que fosse um condomínio efetivamente fechado, essa pergunta, junto com a senha (que, aliás, até hoje não recebi) não servem para rigorosamente nada.

    Querem fazer segurança *dentro* da Península? Formalizem a emancipação (ou o termo que for correto) da área e instalem interfones. Simples. Mas fica a dica de que é o cúmulo da burrice se preocupar com a segurança de dentro do condomínio e esquecer que este está inserido numa cidade, e que a cidade, a comunidade maior, é o que realmente faz diferença.

    ResponderExcluir
  3. Sr. Porfírio, concordo plenamente também, se por hora não concordamos com alguém, graças a Deus, significa que temos opiniões diferentes e temos que aprender a lidar com isso. No caso do seu blog a quem não gosta ou se ofenda, sugiro não abra, não leia. Vivemos em uma democracia, e informação não aceita desaforo, tem sempre uma questão coletiva e quem não sabe lidar com esse principio de cidadania, que procure isolamento ou um estado de censura.

    ResponderExcluir
  4. Não sei porque não citar o nome do Condomínio!
    É o mínimo que se espera. Se o relato é verídico, há que se dar o "nome aos bois".
    Todo jornalista sabe que para se ter crédito na notícia não se pode ocultar os dados e os fatos.
    Não, não é necessário falar o nome do morador lesado, mas todos têm que saber aonde foi, para podermos entender como esse indivíduo entrou no condomínio.
    E minha opinião, se é verdade esse arrombamento, pelo que li, ele já sabia onde ir. Não pode ser tanta coincidência: - escolher um prédio, um andar, um aptº que se encontrava sem os moradores.
    Enfim… A polícia se quiser vai descobrir!
    Aguardo sua resposta com o nome do Condomínio, afinal daqui a pouco todos saberão.
    Bom trabalho!

    ResponderExcluir
  5. Porfírio, calar!?! nunca!..
    Há que divulgar, sim!..
    O silêncio é a arma da qual se vale o criminoso.
    Portanto, há que se revoltar, sim!..
    Quando todos saírem de suas cascas, quando todos quebrarem seus cristais, quando todos perderem seus medos, quando todos abandonarem suas vaidades, egoísmos, idiossincrasias, estaremos mudando e, quem sabe, teremos uma sociedade melhor.
    Continue a nos informar, e que todos participem, ativamente, desse movimento em prol da segurança, que depende de cada um de nós.
    Nossos olhos, ouvidos e boca, são a segurança de nossa comunidade. Usemo-los, pois!..
    Parabéns!..
    Continuemos em frente.

    ResponderExcluir
  6. Porfírio, parabéns pelo seu blog. O que você faz é de muita utilidade para todos que estão na Península. Agora, o problema é que aqui e em todos os lugares sempre vai ter gente que prefere a crítica, mesmo os mais lúcidos como você disse. Também acho que o nome do condomínio deve ser divulgado. Um assalto pode ocorrer em qualquer lugar de uma cidade violenta como a nossa. Que bobagem pensar que isso desvaloriza o imóvel!!! A ignorância é um problema sério.
    Um abraço.

    Marco Aurélio
    Península FIT

    ResponderExcluir
  7. Respeito seu trabalho, mas quero deixar claro q todos
    os porteiros e seguranças do condomínio foram mandados embora sim.
    Nao foi divulgado o nome do condomínio não por desvalorição pois isso não existe e sim por segurança aos moradores.
    E os moradores q não fiaram sabendo foi por falta de interesse pois tivemos reunião e poucos moradora comparecerem.
    Portanto inverdades firam ditas e venho esclarecer.
    Qualquer codomínio aqui se entra fácil, eu já entrei em vários.

    ResponderExcluir

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics