quinta-feira, 4 de abril de 2013

Perigo: assaltantes no caminho

Bandidos  renderam e levaram morador da Península, que parou no sinal do 02 antes das dez da noite

 “Ontem, terça-feira, às 21:50hs, saí da Península para buscar minha mulher que estava no Barra Shopping. Ao chegar ao sinal da rua João Cabral de Melo Neto, em frente ao O2, parei atrás de um carro branco que já se encontrava parado.  
Assim que parei, dois bandidos, usando máscaras, saíram armados deste carro em direção ao meu e mandaram que eu saísse.
Rapidamente saí do carro com as mãos para cima, me afastando o máximo que eu podia, mas um dos bandidos mandou que eu entrasse no carro deles, de nada adiantando eu falar que eles podiam levar o meu carro que eu nada faria.
 Assim, obrigado a acompanhar os bandidos no carro deles, fiquei refém por mais de 1 hora, sendo constantemente ameaçado e obrigado a entregar meus pertences e a senha do cartão do banco, que eles usaram para fazer saques durante o trajeto.
Após essa longa hora eles finalmente resolveram me libertar, deixando-me numa rua do bairro de Bonsucesso, onde, por sorte, consegui um táxi que me trouxe de volta para minha casa e minha família.
Foi uma hora de terror que eu jamais esquecerei.
Eis a minha amarga experiência que, graças a Deus, terminou bem, mas até quando...?”
O depoimento é de “Jorge”, morador do Atmosfera, 48 anos, funcionário do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que teve roubados seu Honda CRV preto, cartões, documentos e celular. O assalto, acompanhado de sequestro,  aconteceu na noite de terça-feira, dia 26 de março. Esse relato me foi enviado 24 horas depois, mas, em meio a um grande número de mensagens, não abri a sua.

Decorrida uma semana, ainda muito indignado com o que aconteceu, o nosso vizinho voltou a me escrever. Pedi-lhe desculpas pela falha, sugeri que comunicasse também à Assape, e fiz-lhe algumas perguntas, decidindo eu mesmo atribuir-lhe um pseudônimo para preservar sua identidade.

CLIQUE NA FOTO E VEJA A REPORTAGEM
Nesta quarta-feira também recebi mensagem de outro morador da Península com o link para uma reportagem da GloboNews em que um sargento do 31º Batalhão orienta uma rapaziada dos condomínios como fazer seus terríveis “pegas” no trânsito “sem chamar muita atenção da polícia”.

O link está também  aqui no nosso blog, mas vale transcrever seu comentário:
“Vídeo de um policial acobertando delinquentes da classe A, que se divertem arriscando a vida de inocentes.

Militar negligente para com o risco que se repete toda quarta e quinta-feiras há quase 1 ano. Agora entendi por que as denúncias ao 190 não funcionavam. Um sargento "capacho" de ricos desocupados”.
Esses policiais são do batalhão que devia estar dando segurança aos moradores da Barra da Tijuca e do Recreio. A bem da verdade, não são diferentes dos demais, pois seu treinamento  não é forte em bons costumes.
“Acabou realmente a nossa segurança”

A esses dois fatos pra lá de chocantes poderia acrescentar outras informações que me vão chegando com pinceladas berrantes sobre a total falta de segurança no entorno da Península, apear do clamar expresso pelos moradores desde o assassinato de Rita de Cássia Pimenta, engenheira da Petrobrás, nossa vizinha do Gauguin, no acesso à portaria 1.

Na última reunião aberta que tivemos com a diretoria da Assape, em 21 de fevereiro, ao retornar para a Península fazendo o balão próximo ao Via Parque, um morador presenciou um assalto e me relatou no dia seguinte:  
"Após a reunião de ontem, ao sair com meu carro do Barra Exp., percebi que um veiculo branco Chevrolet Cruze fechou uma moto e dois rapazes desceram do carro com armas em punho para iniciar um assalto.Como eu logo peguei o retorno, não tenho maiores informações".
Não consegui apurar mais detalhes e escrevi ao autor da mensagem. Ele manifestou ainda: “A moto foi fechada 5 metros após o retorno que existe em frente ao CEO. Temos que brigar pelo conserto em definitivo da iluminação daquela rua e pela instalação de uma cabine da PM fixa e blindada naquele retorno, visto que aquele ponto é central para qualquer emergência envolvendo o Via Parque, a Península, o CEO,  o O2 Offices, Tok Stok, Casa Shopping, etc..
Podemos sim EXIGIR isso do 31 BPM”

No dia 1 de março, uma moradora do Green Star escreveu-me:
“Ontem à tarde, por volta das 15 hrs, uma prestadora de serviço, passando a pé voltando do Barrashopping, foi assaltada por uma rapaz de bicicleta com uma pistola em frente ao ponto de ônibus. Mais um!!!!!!Realmente algum bando descobriu a fonte!!!!!Precisamos ficar atentos!!!!Acabou realmente a nossa segurança”
.
Em matéria de segurança a insegurança total

Como já ressaltei uma vez, não é intenção do CORREIO DA PENÍNSULA ficar noticiando fatos que demonstram cabalmente que nada mudou em termos de segurança no entorno, principalmente na nossa “faixa de Gaza” que vai da entrada junto à falida Terra Encantada até o sinal de acesso ao Open Mall, junto ao Forum e à Faculdade Estácio de Sá.

Na reunião que teve a presença do comandante do 31º BPM, o coordenador de segurança da Assape, Cláudio Moraes, fez uma crítica indireta ao nosso blog por conta do estrito exercício de nossa atividade jornalista, algo com que temos intimidade desde  1961, portanto há 52 anos.

A idéia que algumas pessoas incompetentes e incomodadas tentam passar é que informamos com objetivos políticos ou por que estaríamos em confronto com a atual cúpula da Assape. Para não botar  lenha na fogueira, durante os últimos dois meses,  preferimos arquivar algumas mensagens que recebemos, certos de que aconteceram outras situações semelhantes e que nem todo mundo se sente motivado a comunicar-me os sustos sofridos.
Mas, como tudo tem limite, sentimos ser nossa obrigação repor a questão da nossa (in) segurança na pauta. Sem querer ser demasiado crítico,  sou forçado a reiterar que se algo mudou foi para pior, em termos de segurança.
E mais, perdoem-me a franqueza, falta à Assape a firmeza necessária para exigir medidas concretas das autoridades públicas, seja do Estado, com sua polícia omissa e inoperante, seja da prefeitura, que nada fez nessa área. Ao contrário, tenho filmagens de pontos no acesso à Península absolutamente às escuras. E nada se fez em relação às calçadas e outras medidas prometidas pelo representante do subprefeito naquela reunião de segurança.

Cuidado: você pode ser a próxima vítima

Uma resposta da funcionária Cláudia Capitulino, dedicada gerente de relacionamento da Assape,  ao registro feito nesta quarta-feira pelo  vizinho que foi rendido e levado pelos bandidos em frente ao O2 mostra que em matéria de segurança nós estamos absolutamente mal servidos.

Veja um trecho de sua resposta:

“A Assape vem fazendo contato constantemente com o 31º BPMRJ, diretamente com o Comandante e a Major responsável pelas operações na região. Hoje (03/04) no período da manhã, o Diretor Geral da associação esteve em reunião com o delegado pedindo ajuda quanto a segurança do entorno da Península. O delegado fez contato com o comandante e este se comprometeu a manter rondas periódicas e baseamento principalmente no sinal citado pelo senhor”.

Incrível, mas foi isso mesmo. Neste 3 de abril, o diretor geral procurou o delegado, provavelmente da Barra da Tijuca.  Este fez o que o vulgo chama apropriadamente de empurrar com a barriga. Diante do representante da Assape, passou a bola para o comandante, provavelmente do 31º Batalhão. E este reiterou antigas 
promessas que não acontecem por que essa guarnição opera com a metade do  efetivo previsto e não tem como cobrir uma área de 310 mil habitantes.

O diretor geral deu viagem perdida, bateu na porta errada,  provavelmente porque perdeu a esperança de conseguir alguma coisa falando apenas com o comandante do  batalhão.  Na verdade, a função de policiamento ostensivo é sabidamente da PM. E não há nada mais constrangedor de que recorrer a um delegado da Civil e este simplesmente fazer o que a Assape vem fazendo: contatos infrutíferos com o 31º BPM.

Na mesma resposta, Cláudia Capitulino acrescenta que a Assape tem  “feito contato também com os empreendimentos vizinhos para formar parceria de segurança,  juntos possamos criar uma força tarefa”.

Com a sequência de ocorrências assustadoras, os moradores da Península querem saber de medidas concretas que evoluam do plano dos contatos genéricos e ponham em prática um projeto de segurança claro, que deverá envolver obrigatoriamente os empreendimentos comerciais próximos, especialmente os shoppings, que já são atrativos naturais da bandidagem.

Uma hora para não esquecer nunca

.
O constrangimento passado pelo morador do Atmosfera, que abre esta matéria,  tem que servir de elemento incisivo a cobrar seriedade e competência no trato da questão da segurança, um dos fatores que fizeram centenas de famílias optarem pela Península

Eu já passei por um assalto seguido de sequestro relâmpago em 1990, na Estrada do Rio Grande,  Taquara, quando morava numa casa de frente para a rua. À época, era secretário municipal de Desenvolvimento Social e tive a habilidade necessária para conversar com os bandidos, que estavam mais  tensos do que eu e não conheciam as saídas de Jacarepaguá. Mesmo com toda a experiência acumulada pela presença funcional constante nas áreas onde esses bandidos se homiziam, sei o que representou para o meu sistema nervoso passar quatro horas ouvindo ameaças e procurando contornar, medindo cada palavra.

Quando os bandidos me renderam, minha mulher estava abrindo o portão da garagem e viu tudo. Ela também ficou com aquela cena na cabeça por muitos anos. Ainda bem que eles não quiseram entrar para fazer uma limpa na casa. O meu carro era um Chevette com menos de mil quilômetros rodados. Parecia um assalto de encomenda. No dia seguinte, recebi ligação na Secretaria de uma empresa especializada em recuperar carros roubados,  mediante pagamento de 18% do seu valor. Fazia questão de dizer que  contava om a ajuda de  alguns policiais.  Estava matada a charada.

No caso do nosso vizinho, a tensão deve ter sido muito maior. Os assaltantes estavam mascarados e, como me narrou, chegaram a dar um tiro para cima quando ele entrou no carro para seguir seu calvário.
“Os bandidos não me agrediram, mas ao me obrigarem a entrar no carro deles, um atirou para o alto, certamente para me intimidar. Os dois que saíram do carro estavam armados. Temi muito por minha vida, pois fui constantemente ameaçado de morte” - escreveu-me o vizinho "Jorge".

Atenção
Encontro com quem entende de transportes

Respeitada como uma das maiores autoridades em transportes e mobilidade urbana, a professora Eva Vider, da UFRJ, estará na manhã deste sábado na Península para um debate sobre a visão da Universidade em relação aos ônibus fretados.

O encontro será coordenado pelos conselheiros que integram o grupo encarregado de  propor alternativas para a reformulação do sistema de transportes da Península e tem o apoio do nosso blog.
Você também pode participar. Se possível, confirme sua presença até a noite desta quinta-feira, para que o grupo possa definir melhor o local do encontro.

A professora Eva Vider é uma das especialistas que escreveu para os Cadernos Técnicos da ANTP. Ela conduziu uma pesquisa da UFRJ no Rio2, que chegou a uma conclusão altamente positiva a respeito do sistema lá, tido como referência nos meios acadêmicos.

12 comentários:

  1. Pagamos tanto pela Assape para ter seguranca alem de limpeza nas ruas da Peninsula, onibus como em todos os outros condominios que partem para zona sul e centro e que quase nada pagam por esse servico. Vim morar aqui pensando em seguranca, lazer, beleza etc, mas estou pensando em vender meu apto com tudo o que esta acontecendo diante de nossos olhos

    ResponderExcluir
  2. Não sou mais morador da Peninsula mas ainda tenho apartamento lá.Ontem entrei no site da ASSAPE e vi que na chamada da reunião sobre transportes, de fevereiro,é apresentado um estudo recente realizado pela UFRJ.Aí fica uma sugestão: Pq a equipe que elaborou o projeto não é convidada para participar das reuniões sobre o assunto.

    ResponderExcluir
  3. Anônimo de 19:31,
    Simplesmente porque a Assape pagou uma "fortuna" para a UFRJ fazer um estudo apenas para "tapar o sol com a peneira". Esse estudo não poderia dar como resultado ônibus fretado para fora da Barra. Assim, desse enorme estudo, sabe qual foi a melhoria implementada na Peninsula em relação ao transporte ?? Um ponto final de uma linha municipal (345) na porta da Peninsula. Essa linha faz o caminho peninsula X centro passando pelo Alto da Boa Vista. Inicialmente, a Assape acreditou que com essa implantação os moradores ficariam satisfeitos e nunca mais pediriam ônibus para o centro (kkkkkk)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Putz, misturou as estações...

      Excluir
  4. Vocês repararam que a rua dos Tamarinos esta sendo aberta dando acesso a um estacionamento nos fundos do centro comercial CEO?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Península está virando uma bagunça.É terra de ninguém.Para que serve a ASSAPE?

      Excluir
    2. Oi Pedro
      Vc podia averiguar isso.Como fica nossa segurança?

      Excluir
  5. Em relação ao assunto dos Anônimos (19:31 e 20:31) tenho informarções da propria Assape que o estudo contratado tinha a ver com o transporte dentro da Barra.Nada a ver com o famigerado 345.Como sabemos a Assape nunca cogitou colocar transporte pra fora da Barra.

    ResponderExcluir
  6. Então o estudo e o dinheiro foram em vão, porque NADA foi alterado....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A ASSAPE jogou jogou para a plateia. Como está fazendo agora

      Excluir

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics