domingo, 19 de maio de 2013

O dia da multiplicação dos pães

 
Sem o gás da CEG, Deli abre com o gás contagiante do seu pessoal e dos clientes

Dona Sônia, que trabalha no Quintas, foi a primeira a comprar os pães da Déli

Quem se der ao prazer de visitar a página dos REAIS AMIGOS DA PENÍNSULA no Facebook vai sentir como pulsam nossos corações. Nesse grupo fechado que cada vez aumenta mais – é fácil entrar – as pessoas postam espontaneamente o que desejam, segundo suas próprias pautas.

É de longe a ferramenta mais instantânea e mais interativa do nosso bairro. De certa forma, além de refletir as preocupações e as ansiedades dos nossos vizinhos pelo contato diário, principalmente através de mensagens por e-mail, é na visita a essa página que tomamos a pressão e a temperatura dos moradores deste recanto inegavelmente peculiar.

Foi nesses acessos que nos deparamos com uma ansiedade disseminada e reproduzida quase diariamente: um estabelecimento que pudesse suprir necessidades primárias, mas irrenunciáveis, que oferecesse o nosso pão de cada dia, mais frutas, verduras, legumes, enlatados, enfim alimentos variados e de qualidade, tornou-se o grande sonho de consumo da família peninsular.

Esperamos até o Península Open Mall iniciar suas atividades. Embora tenha um mix de serviços e comércios necessários, aquela que seria sua âncora não dava sinais de vida.

Caramba.  Estava todo mundo sem entender. Por que logo a Deli não desencantava?

Fomos lá e, com objetivo único e exclusivo de prestar serviço aos moradores – esse é aliás o nosso único escopo – levamos os pontos de interrogação que estavam no ar.

A resposta não podia ser mais desconcertante: o estabelecimento de 550 m² estava prontinho, com um cenário deslumbrante, dependendo única e exclusivamente da ligação do gás de rua.

Uma novela. A novela do gás. Escrevemos a primeira matéria e, como se diz na linguagem jornalística, tentamos fazer a “suíte” procurando a Assessoria de Comunicação da CEG.

A mocinha que responde por essa função tão importante vacilou. Não sabia de nada, ficou de se inteirar e dar retorno.  Até hoje esperamos a resposta. Um blog de alcance comunitário não merecereu a atenção dessa mocinha, que não vai longe, certamente. Por que não sabe que a força de um veículo está na sua credibilidade, na sua seriedade.

Quando o pessoal da Deli encontrou uma solução provisória, o uso de forno elétrico, voltamos lá e ficamos sabendo de sua abertura. Fizemos uma segunda matéria.

Tivemos a sensibilidade que os donos estrangeiros desse monopólio privatizado não tiveram. Cento e vinte pessoas estavam empregadas ali. Já faziam parte da folha de pagamento e dos onerosos encargos sociais. Havia compromissos com aluguel, condomínio, luz e água, entre outros.

Independente de qualquer interesse – essa é nossa prática há 70 anos – passamos a integrar a torcida dessa padaria tão desejada. Decidimos fazer o que estava ao nosso alcance e como hoje somos apenas blogueiros recorremos ao poder da palavra.

Fomos na sexta-feira, dia 17 de maio, conferir a abertura. Antes das seis da manhã estávamos lá, enquanto uma chuva enjoada caía na rua.

Fizemos o registro como um documento histórico.  E no primeiro dia só tivemos satisfações. Muitos moradores postaram comentários positivos na página dos REAIS AMIGOS DA PENÍNSULA.

Mais ainda: minha sogra de 78 anos, que tinha por hábito ir diariamente à padaria e ao mercadinho da Estrada do Bananal, na Freguesia, onde moramos até março do ano passado, estava enfim feliz.  Há um ano aqui, ela tinha como voltar aos antigos hábitos, no prazer incomensurável de trazer alguma coisa para nossa casa com o dinheiro de sua pensão.

E, com os critérios que só a idade e a vivência produzem, deu sua aprovação ao estabelecimento com a soma de referências inseparáveis: qualidade dos produtos, atendimento cordial e preços competitivos.

Continuamos na torcida da Deli e de todos os empreendedores do nosso Península Open Mall. São pequenas e médias empresas como essas que alavancam a nossa economia e dão emprego de verdade.

Conservamos nossa independência crítica e esperamos não ter que amanhã fazer uma censura a esses empreendedores arrojados, que fizeram das tripas coração para estar entre nós.  E que já sabem que somos bons de gosto, mas que também temos  zelo pelo que vem do suor do nosso rosto.

Com ou sem gás da CEG, a Deli está a pleno valor. Por que tem o seu próprio gás, o gás de sua energia humana, um gás tão incrementado que é capaz de produzir a multiplicação dos pães com as chamas que vêm dos seus corações valentes.


peninsula@pedroporfirio.com

14 comentários:

  1. Gostei muito da Deli pela variedade de produtos e pelos produtos frescos mas fiquei desapontada com a lentidão nas caixas. Espero que resolvam isso logo.

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  2. Gostei muito da Deli! Superou as expectativas! Muito bem arrumado, a parte de legumes e frutas e excelente. Claro que os preços são altos, mas faz parte da proposta... Um diferencial para a península

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  3. Fátima Cristina19 de maio de 2013 14:13

    Parabéns para o que você escreveu e para os corações valentes que fazem a diferença. Acho que a Deli felizmente vai seu o nosso "point".

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  4. Rafaela A. Pereira19 de maio de 2013 14:48

    Gostei muito da Deli, mas como passei lá com pouco tempo, que tinha de ir trabalhar não vi se tinha ovos, uma coisa que está sempre fazendo falta em casa. Alguém sabe se tem ovos lá? Será se eles não vão botar ovo na Deli? Este fim de semana não estou no Rio, por isso nao posso ir lá e na outra semana vou pedir a minha funcionária para ver se tem ovos na Deli.

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  5. Essa questao do gás é absurda!

    Explica isso para um estrangeiro que more na Peninsula. O absurdo vira logo.

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  6. Gostei . Mas pena que o o pãozinho é branco demais.

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  7. Porfírio, parabéns pelo vídeo!!!!! E também pela cobertura na inauguração da Delli. O nosso condomínio tem a sorte e o privilégio de ter um "personal" jornalista de plantão, que faz tudo com muito amor, dedicação, bom humor e enorme competência.!!!!
    Um abraço,

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  8. Pedro, o formato do vídeo não é compatível com iPad ou iPhone... Para mim só funciona num computador. Não sei se alguém conseguiu abrir o vídeo nestes dispositivos da Apple ?

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  9. Por falar na Delli, o atendimento nos caixas foi muito bom na minha experiência. Apesar de uma fila bem razoável a fila andou bem rápido. Só não deu para provar a pizza por enquanto, porque a fila estava grande. E fila para pizza... é complicado. Tomara que a ampliação chegue logo.

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  10. Sr.Pedro,
    Estou neste momento em viagem, fora do Rio, mas sempre acompanho o Correio.Parabéns pelo precioso e útil trabalho.Lindas palavras nesta reportagem, escrita com a alma.
    Assim, fiquei ansiosa para provar estes pãezinhos.
    Abraços,
    Lucia

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