sábado, 11 de maio de 2013

Por que também somos consumidores

Gostaria de trocar informações com os vizinhos numa espécie de sistema de proteção aos nossos bolsos

Quem quiser ter uma idéia como nós somos vistos no universo do consumo, basta dar uma olhada na revista PENÍNSULA.

Ela pode ser modesta como revista do ponto de vista jornalístico. Mas em matéria de publicidade, considerando o seu alcance localizado, não deve a nenhuma outra publicação.

A revista PENÍNSULA tem anúncios de grandes mídias
Tem uma massa de anúncios que a percorre da primeira a última página. E não é qualquer anúncio. Em alguns casos, como da Citroén, Líder ou da Tim, são duas páginas com destaque.

Isso significa que os programadores das agências de propaganda e até mesmo o próprio comércio, incluindo serviços,  levam fé na Península como um mercado consumidor pujante. E é.

Diz-se entre os profissionais do ramo que o fator qualitativo é ainda mais atraente do que o quantitativo. Há conversas de que nossos vizinhos compram muito e coisas caras.

Diz-se também, conforme indicativos vazados de fontes detentoras de pesquisas, que a média da renda familiar aqui é de R$ 35.000,00. Isso eu ouvi repetido por mais de uma vez.

Um atraente mercado de compradores

Quando a gente compra sem pensar, a dor de cabeça vem depois
Somos, portanto, um atraente mercado consumidor.  Resta saber, porém, se somos presas fáceis de qualquer campanha publicitária, se somos laçáveis pela quantidade cada vez maior de ofertas enviadas às nossas caixas de correio eletrônico, ou se de alguma forma alguns de nós somos consumidores críticos ou consumidores prudentes.

Nestes dias de apogeu do consumismo, ante o talento extraordinário dos nossos profissionais de marketing e propaganda, a tendência de sermos consumidores fáceis, de mão aberta, é muito grande.

Eu mesmo me flagro comprando o que não preciso só por que não quero perder uma oferta. E pior: sou muito descuidado diante de pechinchas postadas na internet. Já comprei até de sites picaretas, tendo como único cuidado pagar em boleto, para não confiar-lhes os dados do meu cartão. Mas fiquei no prejuízo.
Preços muito baixos na internet. Eu mesmo
já caí em ofertas de sites picaretas.

Não estou aqui para cortar o barato de ninguém. O ato de comprar decorre de impulsos de toda natureza e pode até ter um conteúdo compensatório no nosso existencial.

A meu ver, compra-se por dois motivos banais: por que temos disponibilidade e não gostamos de poupar; não acreditamos que vá faltar dinheiro um dia. E também por que, mesmo não podendo, gostamos tanto de uma coisa que embarcamos na elasticidade das parcelas oferecidas hoje em dia.

Comprar é, sem dúvida, uma manifestação de prazer, com sua dose de sexualidade não erótica, segundo os parâmetros do alemão Herbert Marcuse. Mesmo assim, como a gente não acha dinheiro na rua, ou como, no meu caso, temos por hábito fugir de dívidas incontroláveis pelo uso parcimonioso de uma planilha Excel, gostaria de partilhar com meus vizinhos uma espécie de sistema de defesa dos nossos bolsos.
É isso mesmo. Ser cuidadoso nos gastos não diminui ninguém.  Pior é rechear a lista de inadimplência no condomínio ou se tornar escravo do cheque especial.
Revisão de um Gol por R$ 2.300,00

Há coisas que podem nos ajudar a disciplinar nossa frenética vida de consumidores, sem tornarmo-nos avarentos jamais. A troca de informação é uma. Outro dia, levei o carro do meu filho, um gol, para a revisão dos dois anos.  Nesses casos, o carro é entregue, depois vem o consultor da concessionária com a lista das despesas.

Eu e minha mulher ficamos indignados. Ali, na Disbarra, do outro lado da Ayrton Senna, o consultor nos apresentou um orçamento de R$ 2.300,00, quase quatro vezes mais do que ela pagou na revisão do terceiro ano de um Honda. E no caso do gol, não haveria nem troca de partilha, porque o carinho não tinha nem 15 mil Km. Reagimos e, depois de um “enxugamento” ficamos em R$ 1.800,00 em seis vezes no cartão, sem juros.

O certo, pensei depois, seria ter saído com o carro em busca de outra concessionária.  Antes, fazíamos a revisão na Recreio de Jacarepaguá e nunca pagamos mais de R$ 600,00.

Essa obrigatoriedade de revisão por data, independente da quilometragem para manter o direito à garantia, é uma novidade e nem todas as marcas a estão adotando. Mas já pegou e pronto. 
Imagino que cada um que se sentisse lesado tivesse como avisar a outros, as possibilidades de cairmos em certas situações seriam menores.  Assim também, se descobríssemos um nicho de boas compras e informássemos aos vizinhos, teríamos uma boa resposta para esse hábito inevitável de comprar. Aqui em casa, por exemplo, não temos nenhum constrangimento de informar que antes de ir a um supermercado fazemos uma pesquisa. Tem vez que é melhor andar um pouco mais e comprar no Mundial, sem grilo.
Isso seria muito útil sobretudo em relação à internet. Há milhares de sites com ofertas mirabolantes e, embora existam bancos de dados de consumidores disponíveis, nós dificilmente recorremos a eles, através do Google, diante de uma câmera fotográfica Samsung  por R$ 149,00. O máximo que nos pode acontecer é perder o equivalente a um tanque de gasolina.

Por falar em gasolina, aqui na Barra há muitos postos com variedades de preços. Nesse caso, temos que considerar também a honestidade do vendedor.  Você sabe por que fechou o posto do Makro, que tinha uma boa promoção às quartas-feiras? Outro dia, pus gasolina a um bom preço num posto da Estrada do Gabinal, vindo da Freguesia. Fui ver depois, meu carro tinha tido um consumo de 1 litro por 3,5 km. Não tive dúvida: fui ludibriado. Hoje, sempre que posso, vou abastecer no posto do Carrefour. 
Que tal a idéia da gente criar aqui no CORREIO um serviço de informação ao consumidor entre nós, que indicasse onde fomos “lesados” e também onde ficamos felizes em nossas compras? Tudo com muito critério, é claro, se não a gente perderia a credibilidade.

Compras por impulso têm relação com baixa autoestima, diz SPC Brasil

Voltando ao geral, veja o que consta de uma pesquisa sobre consumo por impulsos realizado pelo SPC – Serviço de Proteção ao Crédito – divulgada em fevereiro no site do G1.


A ansiedade e insatisfação com a própria aparência são os motivos que mais levam os brasileiros a fazerem compras por impulso, segundo estudo do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) divulgado nesta quarta-feira (27). Foram ouvidos 646 consumidores em todas as capitais do país.

O estudo, segundo a entidade, foi encomendado para testar o grau de conhecimento do consumidor sobre finanças e concluiu que, apesar de se considerar preparado, o brasileiro não sabe lidar com o próprio dinheiro, visto que 85% da população fazem compras sem planejamento e 74% não possuem qualquer investimento fixo, como, por exemplo, a caderneta de poupança.

O levantamento mostra o quanto que fatores "puramente emocionais" interferem negativamente nas contas do consumidor: quatro em cada dez entrevistados (43%) admitem fazer compras por impulso em momentos de ansiedade, tristeza ou angústia. Na avaliação do SPC Brasil, este tipo de consumo descontrolado revela ser um "mecanismo de compensação para suprimir carências que nada têm a ver com o universo material".

Entre os que fazem compras movidas por impulsos emocionais, a ansiedade por um evento que se aproxima (festas, jantares e viagens, por exemplo) é o motivo mais decisivo entre consumidores de classes A e B, acrescentou a entidade. Por outro lado, a baixa autoestima (insatisfação com a própria aparência) é a razão mais citada entre consumidores das classes C e D, acrescentou.

"Na busca pelo prazer imediato ou para exibir um estilo de vida que não condiz com a própria renda, o comprador se alivia momentaneamente, sem se importar com o futuro do próprio bolso", declarou a economista do SPC Brasil, Ana Paula Bastos.

42% não conseguem poupar qualquer quantia

O estudo também revela o imediatismo do consumidor brasileiro, pois, segundo o levantamento, quatro em cada dez entrevistados (42%) gastam tudo o que ganham e não conseguem poupar qualquer quantia. Considerando somente consumidores das classes C e D, este percentual é ainda maior, chegando a 53% ante 28% nas classes A e B.

"Isso se deve a menor renda disponível nas classes C e D, impossibilitando estas pessoas de guardarem um pouco de seus salários, depois de pagar as contas primárias como aluguel, água, luz e telefone", explica a economista do SPC Brasil.

8 comentários:

  1. Rafaela A. Pereira11 de maio de 2013 15:43

    Como amanhã é o dia das mães, fui ao Barrashopping comprar os presentes que mesus filhos darão para mim. Já viu, né? Passei mais de meia hora para estacionar. E lá dentro tava cheio. Se isso é certo ou errado, não sei, mas que o pessoal gostar de comprar isso gosta mesmo, pra isso é que tem o cartão e os 12 meses sem juros.

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  2. A mídia tá falando que a inflação está de volta por causa da queda dos juros e dos crediários longos, incentivando o consumo exagerado. A culpa seria do excesso de consumo, e tem mais uma grande inadimplência. Nos alimentos, os preços já subiram muito por volta de 20%, isso me preocupa, mas deve ser com medo de restrições no futuro que estamos consumindo muito agora.

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  3. Pedro, acho que o consumismo brasileiro é cultural. Nunca vivemos uma guerra verdadeira, onde as pessoas aprendem a economizar e solidarisar-se. Também vivemos muitos anos de mercado fechado, com alta inflação, obrigados a gastar rapidamente antes que o dinheiro perdesse seu poder de compra. Isto não faz muito tempo. Nos habituamos a parcelar, etc. Porém, no caso da garantia de automóveis ou qualquer outro produto, acho um grande desperdício fazer revisões em concessionárias. Hoje em dia é muito raro ocorrer um problema sério que justifique o custo das revisões. Eu não entro nesta há muito tempo. Faço a revisão gratuita, básica, e depois deixo nas mãos de um mecânico de minha confiança e assumo o risco. Até hoje nunca tive problemas.

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