sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Península quer saber

O sopro crítico dos últimos acontecimentos na cidade e no país ecoa entre nós. Afinal, também somos cidadãos

Assembléia que escolheu o novo presidente da Assape expõe baixa representatividade 
E como fica a Península diante desses acontecimentos que bateram em nossa porta, que afetaram nossas rotinas e que operaram um choque de comportamento sobre uma população há anos confinada à vidinha de cada um?
A pergunta está no ar. Está mexendo com muitos moradores, alguns já engajados nos movimentos de suas categorias profissionais, outros interessados por natureza nas coisas da cidade e do país e outros que, como a esmagadora maioria dos cidadãos que descobriram o poder das ruas, só agora começam a se dar conta do enorme passivo acumulado em relação aos nossos direitos naturais por conta da manipulação inescrupulosa dos nossos atos e dos nossos sonhos.
A Península faz parte da urbe, absorve seus encantos e desencantos e repassa suas impressões e perplexidades no convívio cotidiano com os demais habitantes desta terra abençoada por Deus.
É um tecido social embrionário formado por pessoas de origens e expectativas  diferentes, mas tocadas como ninguém por um enorme amor à vida, pelos ímpetos de quem está aqui no pleno exercício do direito de escolha, quem se identificou com as virtudes da natureza e almeja a quietude que a amplidão dos espaços insinua.
Vir para cá foi uma opção sensata que custou sacrifícios a alguns, mas que teve o sabor do resgate de um refúgio da própria alma, onde as crianças possam crescer no desfrute de uma liberdade e de uma segurança singulares, numa integração construtiva com os elementos energéticos produzidos pela síntese idealizada que alcança os sentimentos mais profundos do ser humano.
No entanto, a Península é uma comunidade como qualquer outra, com sua insólita contradição entre o ideal e o real, com uma carga de informações que perpassam seus portais e permeiam suas rotinas, num excitante convite à reflexão, ao pensamento crítico e às atitudes.
Isso se viu no repique da onda de cidadania que está fazendo cada um mais exigente, mais forte e mais consciente, eis que todos esses acontecimentos repercutem sobre os mais indiferentes dos conformados, disseminando noções que estavam amortecidas e faziam falta na hora das decisões  mais transcendentais.
Esses acontecimentos tocaram os jovens, mas também alcançaram outras gerações, estas de cabedal mais consistente, de onde não há exagero em afirmar que  este país não será o mesmo das escolhas políticas desastrosas e descuidadas, dos enormes equívocos alimentados pela despolitização cultivada, pela alienação enganosa. 
A Península tem os ingredientes de uma cidade viva, onde se discute, se questiona e se pleiteia, ainda que de forma discreta ou em situações pontuais. Que está longe de ser um monumento ao me engana que eu gosto, ao melhor deixar estar para ver com é que fica, ou deixa que “eles” decidem.
Neste momento há pessoas querendo saber mais o porquê de cada coisa, querendo mudar as relações inerciais, querendo mais respeito de quem exerce o poder local na verticalidade de um autoritarismo de proveta, que desconhece a natureza da propriedade comum,  do direito de vizinhança, do poder de escolha partilhado, do mandato legítimo, enfim, para muitos dos moradores – muitos, mesmo – está na hora de passar certas situações a limpo também em relação à gestão do todo e de cada condomínio, para que nos libertemos dos fatos consumados, das heresias jurídicas que, paradoxalmente, nos tornam vítimas de uma ditadura caricata, da impostura e da manipulação. 
Quem tiver dúvida sobre isso, acesse às nossas próprias redes sociais, troque idéias com seus vizinhos, participe de momentos coletivos em que a conversa rola mais solta e mais fluente.
A Península quer saber como fica diante de todas essas novidades enriquecedoras, que, se mexeram com os poderes da República  pelo simples ocupar das ruas em perdidos cordões, não podem deixar incólumes as ficções farsescas que nos tutelam a partir de uma imposição contratual inconstitucional, ilegal e ilegítima, essa que já na escritura dos nossos imóveis nos declara agregados a uma associação que não é dos moradores, mas que se relaciona com todos como se estivesse acima do bem e do mal, que nos obriga a um estatuto outorgado pelas construtoras, no qual qualquer mudança do interesse comum é impraticável pela existência de poder de veto de uma empresa e pela impossibilidade decisória definida ao arrepio do Código Civil.
A Península que saber por que, mesmo  numa Assembleia Geral, a escolha do presidente da Assape é feia por uma minoria, pela absurda coexistência de dois tipos de "eleitores" - os que representam TODOS OS DEMAIS MORADORES do seu condomínio e os que só têm direito a um voto, de onde o vazio das assembleias que seriam, na forma da lei, o PODER SOBERANO de toda sociedade representativa.
A Península quer saber por que tem de pagar as manutenções das ruas, se não exerce qualquer prerrogativa sobre elas, cujos estacionamentos são diariamente tomadas por veículos de fora, sob a alegação de que as ruas são públicas. Aliás, a Península quer saber também por que tem de custear a manutenção das ruas externas, até o Barra Shopping. Se é do interesse dos construtores, que eles assumam sozinhos esse gasto.
A Península quer saber a verdadeira história do laudêmio, essa taxa escorchante de que muitos estão se livrando, mas a que fomos atrelados por um acordo secreto entre a antiga proprietária da gleba e a União Federal, que só agora chega ao nosso conhecimento num processo na 21ª Vara Federal, em que 11 moradores foram condenados para o resto da vida a nunca mais questionarem a cobrança.
A Península não quer mais ser enganada por meias verdades.  Quer ser informada do que farão com certos terrenos, inclusive à beira da lagoa, e de outros que provavelmente são os lotes públicos previstos em lei. Quer transparecia nos contratos terceirizados, que deveriam ficar expostos a todos e que a ética exige terem sido objeto de licitações, porque o dinheiro que os remunera é o dinheiro da contribuição de cada um.
Quer saber o que afinal se decidiu sobre os transportes em grupo para o centro da cidade, por que os problemas de mobilidade urbana que se tornaram mais explícitos  nos últimos acontecimentos também lhe dizem respeito.  E a sensação de que têm os moradores é de que estão sendo ludibriados com as surradas manobras protelatórias ou enunciados de propostas intragáveis.
Enfim, os moradores da Península também estão querendo resgatar o jogo da verdade, a sua cidadania plena e a enorme capacidade decisória que pode emanar de  sua tenacidade mobilizadora.

E esperam não terem de fazer sua própria passeata para exigir o respeito a que têm direito e que em muitos casos não é reconhecido.

5 comentários:

  1. A ASSAPE ARRECADA MENSALMENTE, LIVRE DE QUAISQUER IMPOSTOS, A IMPORTÂNCIA LÍQUIDA DE R$1.150.000,00 (UM MILHÃO CENTO E CINQUENTA MIL REAIS).

    O QUE REALMENTE É FEITO COM ESSA ARRECADAÇÃO MENSAL EM FAVOR DOS ASSOCIADOS DA ASSAPE???????

    ACORDA PENÍNSULA!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Carla Noronha da Silva28 de junho de 2013 11:38

    Eu também acho que a Assape gasta muito mais do que devia. Vi nesse blog mesmo que esses ônibus que fazem linhas de pouca utilidade custam mais de 200 mil. Mas sempre achei uma coisa chata por que os moradores parecem que estão de acordo, que não sentem vontade de reclamar. Pode ser que agora as pessoas acordem, como disse o vizainho aí de cima.

    ResponderExcluir
  3. Eu acho que a gente devia fazer nossa passeata, sim, como já foi sugerido por uma moradora no Face. Só assim, a ASSAPE e a Carvalho vão entender que não somos os cordeirinhos que imaginam e queremos nossos direitos. Acho também que a gente devia começar a pensar em pedir nosso desligamento da ASSAPE, como fizeram meus vizinhos do Office Way. Podíamos pensar também em criar nossa própria ASSOCIAÇÃO DE MORADORES, que seja realmente dos moadores, com um estatuto democrático igual às demais, pois eu vim de Botafogo e lá o estatuto era totalmente diferente.

    ResponderExcluir
  4. A Península tem de custear a manutenção das ruas externas???????
    Mas se as ruas são públicas..isso é função da Prefeitura!!

    ResponderExcluir
  5. Quanta demagogia ! O mais incrível é que quase todos tem plano de saude, mas porque se o governo tem obrigação de fazê-lo de graça. Todos os prédios tem serviço contratado de segurança, mas porque se o governo tem obrigação de fazê-lo também. Todos ou quase todos tem seus filhos matriculados em colégios particulares, mas porque se o governo tem obrigação de oferece-lo gratuitamente. Então francamente você acha mesmo que o governo está ligando para a urbanização de onde você mora ? Ele nao liga para você, imagina se vai se preocupar com o saquinho de coco de cachorro está no poste ou não ? Entao deixemos de ser hipocritas e assumimos nossa parte da conta, afinal os desmerecidos não moram por aqui !

    ResponderExcluir

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics