sexta-feira, 7 de junho de 2013

Bosque Marapendi, Ônibus de Verdade

Sistema transporta 7 mil para o Centro, com ônibus de 5 em 5 minutos  e um custo médio de R$ 45,45 por morador

A Associação do Bosque Marapendi – ABM – reúne 26 condomínios próximos a um grande fluxo de tráfego. Vai da Eurobrra,na Avenida das Américas até o Canal de Marapendi pela Avenida Afonso Arinos de Mello Franco.  Tem cerca de 18 mil habitantes que moram em mais de 5 mil apartamentos.
CLIQUE NA IMAGEM PARA VER O VÍDEO DO CORREIO DA PENÍNSULA NO BOSQUE MARAPENDI
Foi constituída em 1996 tendo como principal finalidade articular um sistema de transporte próprio para o centro da cidade, através de vários itinerários. Hoje, apenas 20% dos seus moradores não se utilizam desse sistema. Cerca de 15 mil têm a carteirinha que dá acesso aos 29 ônibus rodoviários, que fazem 234 viagens por dia, com saídas de 5 em 5 minutos, das 5h40m às 23 horas nos dias de semana, 8 aos sábados, sendo que a linha circular dentro da Barra funciona o dia todo também nos fins de semana.

Ao todo, são transportados 7 mil moradores para o Centro (contando ida e volta) e 800 na linha circular da Barra,  perfazendo 6 mil Km por mês. Todos os apartamentos dos condomínios associados contribuem mensalmente com R$ 150,00, o que, na prática, corresponde a R$ 45,45  por morador,  já que o número médio de carteiras por apartamento é de 3,3, (mas não há limite). Os usuários têm apenas que provar que efetivamente são residentes. No caso das empregadas domésticas, a ABM exige a carteira assinada para conceder a carteirinha.

Pelo contrato em vigor, cada Km rodado sai por R$ 122,91, contra os R$ 312,00 do projeto apresentado na Península, onde cada um dos seis ônibus para o Centro faz apenas um percurso diário de 80 Km, uma ida e volta ao Centro pela Linha Amarela.

A empresa cobra em média R$ 171,15 por morador usuário, contra os R$ 577,14 estimados no projeto apresentado ao Conselho da Assape. 


Isto quer dizer que o serviço da ABM, que disponibiliza ônibus o dia inteiro, tem custo por usuário 33% do valor que pagaríamos por usuário se aprovássemos o projeto da Península, que beneficiaria apenas 276 moradores com transportes disponíveis das 6 às 8 da manhã, ida; e das 17 às 19 horas, volta.

Embora o contrato seja negociado e gerenciado pela Associação do Bosque Marapendi, os pagamentos são efetuados diretamente por cada condomínio à empresa de transporte. A ABM não tem acesso a esse dinheiro.

A entidade tem uma diretoria executiva, formada quase toda por moradores aposentados,  e um Conselho Geral, integrada pelos 26 síndicos e mais 2 representantes eleitos em cada condomínio.  É nesse coletivo que se forma a comissão que procede a licitação do serviço de transporte de 4 em 4 anos.

A ABM também tem muitas outras atividades nas áreas do esporte, lazer e recreação,  cursos e grupos temáticos, além de ser responsável pela manutenção do bosque, segundo contrato de cessão de uso com a Prefeitura. Por esses outros serviços, cada morador paga R$ 32,00. Somando-se ao transporte, cada morador paga um total de R$ 182,00.

Com a implantação do sistema, a ABM estima que retém mais de 3 mil carros particulares nas garagens durante a semana. Para você ter uma ideia do que isso significa para o meio ambiente, cálculos oficiais indicam que cada carro emite 170 gramas de CO2 por km rodado. Outras estimativas apontam que em média, por cada litro de combustível consumido por um motor de carro, são libertados mais de 2,5kg de CO2.

A cada ano, porém, até mesmo esse serviço de ônibus fretados é afetado pelo aumento crescente de veículos nas ruas e pela a realização de obras na região. Por isso, a principal preocupação da ABM é fazer frente a atrasos provocados pelos engarrafamentos, que começam a repercutir a partir da segunda vigem dos seus ônibus.

Não obstante, os moradores com quem conversamos nas filas, nos horários da manhã, não admitem mais usar seus carros na ida ao trabalho.  Contam ainda com a implantação da estação do metrô no Jardim Oceânico, muita próxima dos seus condomínios.

Para documentar esse serviço de ônibus fretados, estivemos dois dias no Bosque do Marapendi. No primeiro, conversamos com os principais dirigentes da ABM, que acabam de serem reeleitos: Ricardo Magalhães, presidente; Américo José de Araújo Neto, vice-presidente de Transportes, e Fernando Antônio Gonçalves, diretor técnico.

No dia seguinte, fizemos as tomadas de rua, com a colaboração do gerente-adjunto de Transportes, Robson Correa da Silva.

Desse trabalho editamos o vídeo que chamamos ÔNIBUS DE VERDADE. Afinal, lá, no início da Avenida das Américas, junto ao Canal do Marapendi, há um sistema de transporte consistente, que já funciona há 17 anos e se tornou parte inseparável da qualidade de vida dos seus moradores.

27 comentários:

  1. E o que está faltando pra Península ter uma qualidade de serviço igual a da ABM?

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  2. Pedro Porfírio,

    Parabéns pela matéria!
    Informações preciosas, fruto de seu trabalho investigativo experiente, que certamente auxiliarão no processo de revisão que está sendo feito no sistema de transporte comunitário da Peninsula.

    Ines Freitas
    Aquarela

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  3. Porfírio,
    A Materia ficou 10000!!!! :-)
    Que chovam questionamentos e o pessoal da ASSAPE tenha vergonha de levar adiante a proposta 2,5 vezes mais cara e 10 vezes menos eficaz do que da ABM.
    Vamos aguardar os comentários e as mobilizações para que alguém que decida de fato diga que vai fazer igual ou parecido ao da ABM que funciona!!

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  4. 2 Perguntas:
    1) Por que a ASSAPE criou um Grupo de Conselheiros, quando ela, através da sua competente Administração, já tem há muito tempo todos esses dados, bem como o dinheiro suficiente em caixa para a implantação de um sistema digno para os moradores e os empregados, e ainda, sem precisar aumentar tanto (R$40,00) a cota associativa?

    2) Por que o sistema hoje implantado que é caro, funciona de forma precária e desorganizada, que não atende os empregados, e tampouco os moradores?

    Essas perguntas e cobranças venho fazendo desde 2009 à ASSAPE!!!!!!!!!!

    PAULO GIANINNI

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  5. Ou seja, comparando com a ABM a ASSAPE deveria mudar de nome. Eu morei lá e sei o rigor do controle que existe, Para obter as carneirinhas do ônibus, por exemplo, você tem que provar que é MORADOR, pois não basta ser proprietário. Além disto eles tem uma associação que de fato trabalha de forma muito ativa promovendo excelentes eventos, etc. Tudo a custo de R$182 por Familia, com um transporte de verdade, que é sem dúvida o serviço mais interessante e de retorno para os moradores e fator de valorização dos imóveis. E não venham dizer que lá só mora pobre que precisa de ônibus. Os POBRES de espírito e falsos ricos estão na Península dos bossais. Outro dia, na padaria Delli. tinha uma dessas figuras bossais que nos dão vergonha pertencer à mesma espécie, dizia para a filhinha: "não toque neste pão nojento. Pode ? E na maior empáfia esnobativa. Já pensaram ? Essa só compra pão em Paris. Kkk

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    1. Poderia ser menos "boçal" quando efetuando algum comentário público...

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Me ocorreu uma sugestão : ASSAQUE. Não é nem preciso dar sentido às letras.

    Parabéns Porfirio. Eu ia te sugerir de entrevistar o dono da empresa Venus que presta o serviço da transporte da Península. E você foi direto aos usuários e contratantes. Parabéns ! Ah, importante a questão do rateio sair direto dos condomínios, evitando olho grande e outros desmandos, pois aumenta o poder de fiscalização.

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    1. Corrigindo, a empresa VENUS (do Rio de Janeiro) faz o transporte da ABM.

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  8. Parabéns pela iniciativa, Porfirio. Morei no Parque das Rosas e o sistema de lá também é muito eficiente a um custo justo. Muito semelhante ao ABM. Esse é o modelo que devemos buscar!

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  9. Que tal uma manifestação em frente a ASSAPE para exigir explicações para um custo tão elevado, e um serviço de transporte tão deficiente?

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  10. Por que não entramos em contato com a VENUS apenas para trocarmos algumas idéias, sem compromisso ?

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  11. Venus Transportes, Tel/Fax: (21) 2448-9200
    www.venustur.com.br
    No site da empresa, todos os detalhes para contato (orçamentos para empresas, condomínios, etc.).

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  12. Fernando Bello,
    Empresas de ônibus somente entregam orçamento para pessoa juridica. Já tentamos entrar em contato e não conseguimos nada. Alem disso, várias empresas já enviaram suas cotações para ASSAPE, mas todas somem em um "buraco negro" que existe lá dentro.
    Excelente matéria, lá funciona porque o comando está nas mãos dos moradores !!!

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  13. Taí a resposta... Se a ASSAPE tivesse "interesse" (ela não é uma pessoa física, então não deveria ter interesses a não ser o do seus contribuintes) já teria feito e mostrado os orçamentos que recebeu das empresas que sabem prestar serviço de ônibus...
    Sabe o que mais me impressiona??? A ASSAPE parece um mini-Brasil... todo mundo sabe a solução, sabe onde estão os problemas, mas eles continuam lá dizendo o que devemos engolir e como vão fazer... e nada acontece com eles...
    A diferença é que na ASSAPE podemos mudar e solicitar nossos direitos como contribuintes e pagantes de todas as taxas e despesas!!!

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  14. Estou surpresa com tanto desperdício de tempo, exceto o Porfírio que trabalha de fato.

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  15. Outro dia eu li uma matéria no Globo que me deixou bem pensativo: as empreiteiras (construtoras) estariam cada vez mais "sócias" das empresas de transporte e vice-versa. Por uma espécie de simbiose natural: leva-se um novo empreendimentos aos cafundós e com isto cria-se uma nova necessidade: o transporte das pessoas. (Claro que NÃO se aplica aqui na Península onde até empregada anda de Porshe (só algumas) e onde BMW e Jaguar se joga fora na calçada. Então por que a própria empreiteira perderia a oportunidade devexplorar esta boquinha? Nada mais justo já que o lucro da venda do imóvel é passageiro e uma concessão de transporte é "só passageiro" e pro resto da vida! Percebem a sutileza? Mas quem sabe se por este prisma pudéssemos entender melhor o nosso "buraco negro", o das tais cotações e propostas de transporte que evaporam na ASSAQUE ? Não fui eu quem falou de "buraco negro", foi um anônimo! - Talvez então, Pedro Porfirio, em vez de entrevistar a empresa Venus da ABM (estou falando comigo mesmo) não seria melhor tentar coversar com a verde-exuberante Turismo Santo André? Só para entender sua história e sua capacitação para a desafiante missão de servir a nossa garbosa e exigente Península ? Mas por favor, não levem minhas suspeitas a sério pois acabo de ter a certeza insofismável de pertencer à espécie mais idiota do homus idiotum, um energúmeno, um debilóide perto da inteligencia, esperteza e sagacidade que podemos encontrar por aí, das bem ou das mal intencionadas. Chego a ser patético. Desculpem eu tomar o tempo de vocês com minhas fantasias idiotas. Eu deveria estar no fundo de um manicômio cercado de napoleões e cleópatras. Sou um mentecapto ! Onde já se viu tamanho disparate?! Casamento entre móveis e imóveis? Um tá sempre parado e o outro sempre andando. Bem, isto até pouco atrás pois outro dia escutei falar de uma nova linha de ônibus aqui na Barra, a PPFL (Parado e Parado no Fim da Linha). Atribuo esta inovação à engenhosidade, inovação e criatividade devum semi-deus finalmente revelado a sua imagem e semelhança no apoteótico e apoplético G4. Percebem então como os conceitos de imóvel e móvel se integram naturalmente? Coisa de louco ! Daquina pouco veremos edifícios andando em avenidas. Quem viver, verá !

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  16. Correção, a mensagem postada acima, ontem às 23:47 foi de minha autoria, acidentalmente postada como anônimo. Não foi intencional. Aliás cheia de erros de digitação. Desculpem.

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  17. Segue um link interessante, a responsabilidade tem que ser da prefeitura. http://m.g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/o-povo-ainda-reclama-diz-prefeito-de-cidade-que-tem-onibus-de-graca.html

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