terça-feira, 18 de junho de 2013

Quem está tirando o nosso sono

Fui ver pessoalmente o local de onde vem o barulho que chega até a Península. Não vai ser fácil enquadrá-lo, a menos que a Assape tome uma iniciativa.


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O som atravessa a lagoa e chega até a Península
Neste domingo, fui pessoalmente (e sozinho) ao Rio das Pedras,  fazer o primeiro levantamento do local que emite o barulho que está tirando o sono de muitos moradores da Península.

Fui de dia, para ter uma noção da verdadeira localização dessa casa de shows, que se chama Espaço Terraço, por que ocupa exatamente o terraço de uma casa de material de construções – a Fluzão – bem na entrada da comunidade para quem vem do Anil, à altura do número 900 da Av. Engenheiro Sousa Filho.

Tem uma entrada própria e deve comportar em torno de mil pessoas, pelo menos, usando a cobertura da loja de material de construção.  Claro que não me deixaram subir naquela hora – uma da tarde – e disseram que não havia ninguém para informar se a casa tinha alvará, autorização dos bombeiros e outras exigências das secretarias do Meio Ambiente.

Para saber sobre o Rio das Pedras

Como todo mundo sabe, essa que é hoje a terceira maior favela da cidade e é o grande celeiro de mão de obra da Barra e Jacarepaguá, ainda é controlada por uma “mineira”, que a imprensa apelidou de milícia.

É talvez a “mineira” mais antiga da cidade e durante muito tempo foi vista com bons olhos pelos moradores, por que afastava o tráfico de drogas e evitava assaltos, furtos e outros delitos. Na prática, apenas o comércio paga a taxa de proteção.

Na sua origem, era chefiada por moradores e teve até uma mulher no comando – a Dinda – filha do Otacílio, o chefe mais tranquilo da favela que, na década de oitenta, não tinha nem 20 mil habitantes.

Com a ocupação do areal, área aterrada para ser usada num projeto de lixo sanitário, no início dos anos 90, o Rio das Pedras experimentou uma grande expansão, associada ao crescimento da Barra da Tijuca, onde trabalha a maior parte dos seus moradores, a maioria vinda do Ceará e de outros Estados nordestinos.

O Rio das Pedras é um curral eleitoral cobiçado
No final da década de 90 já tinha duplicada sua população, hoje estimada em mais de 60 mil pessoas, com um comércio pujante, apesar das condições geológicas do terreno, de aterros precários, onde algumas casas vão afundando aos poucos e onde as chuvas fortes afetam todas as ruas.

Foi com esse crescimento que a “mineira” virou “milícia” sob o comando do presidente da Associação, Nadinho, muito prestigiado pelo ex-prefeito Cesar Maia, e do inspetor Félix.  Então, passou a exercer um domínio total e absoluto sobre tudo, inclusive sobre a política, elegendo Nadinho vereador pelo PFL (atual DEM) com quase 30 mil votos.  Nessa eleição, os eleitores eram obrigados a fotografar seu voto na urna eletrônica com seus celulares para eventual checagem.

Nadinho cresceu com o apoio também da Igreja Universal, frequentada por sua esposa. No inicio da década, esse paraibano teve a iniciativa de patrocinar a transferência dos títulos eleitorais dos nordestinos para o Rio de Janeiro (contrariando  velhos hábitos de imigrantes que sonham voltar) pondo o TRE móvel na comunidade.

Com a posse de Nadinho, houve um racha no comando da  “milícia”, que culminou com dois assassinatos: primeiro, diz-se que a mando de Nadinho executaram o inspetor Felix  em frente a um apartamento do Recreio. Depois, como vingança, ele próprio foi executado no condomínio Rio2, onde estava morando quase clandestinamente, depois de não ter sido reeleito,  provavelmente por amigos do policial morto.

Espaço Terraço rivaliza com o Castelo das Pedras

Os shows são no terraço da casa de material de construção
Hoje, a “mineira” continua, mas sem a força de antes.  Moradores com quem conversei na feira livre, onde aproveitei para comprar meu queijo coalho e minha goma de tapioca, reclamam que não têm a mesma sensação de segurança de antes.

Nessa comunidade este sistema de “proteção” funcionava como uma empresa informal de segurança até que o olho grande dos novos chefes descobriu como ganhar dinheiro também com outras atividades, como o controle das  vans (atraindo a ira das empresas de ônibus), a "gatonet" (mexendo com uma empresa da rede Globo) e a distribuição de gás.

Por enquanto, os moradores do Rio das Pedras ainda estão livres do tráfico de drogas e de assaltos á mão armada.  Mas já acontecem outros tipos de delitos. Não há previsão de que vá ganhar uma UPP em breve.

Durante muitos anos, o Castelo das Pedras, mega casa de funk, vem atraindo não só os moradores de lá, mas de muitos bairros, inclusive da Barra da Tijuca.

Esse Espaço Terraço fica no lado oposto da favela e tem a vantagem de oferecer mais áreas para estacionamentos. Funciona nos fins de semana, com o ponto alto nas noites de sábado, com uma variedade de ritmos, inclusive pagodes e sertanejos. Para o sábado, dia 29, a grande atração será Amado Batista.

Para se ter uma ideia do nível de poluição, será preciso ir lá na hora dos shows. Nesse caso, recomenda-se muita discrição e, de preferência, não ir sozinho.
Só com o levantamento completo teremos os elementos necessários para questionar a poluição sonora vinda de lá, pleiteando no mínimo uma proteção acústica, pois os shows afetam também a vizinhança.

Essa seria uma tarefa da responsabilidade da  ASSOCIAÇÃO AMIGOS DA PENÍNSULA, que é a nossa entidade oficial . Mas será que a Assape vai querer pegar essa briga?

8 comentários:

  1. Bom dia Pedro, antes da ASSAPE se envolver com o barulho que vêm de fora da Península sugiro faça reuniões em nossos prédios com a ajuda dos síndicos, para ensinar bons modos, boa educação e redução de barulho. Honestamente, está insuportável, festas com som altíssimo, veículos fazendo o maior barulho em plena madrugada, e assim vai.... é uma pena mas isso aqui vai acabar virando uma favela. Desculpe o desabafo, mas.............

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  2. A ASSAPE (Diretores e Conselheiros) NÃO TEM CAPACIDADE PARA RESOLVER OS PROBLEMAS INTERNOS DO NOSSO CONDOMÍNIO, QUANTO MAIS OS EXTERNOS, ESPECIALMENTE O DESPEJO DIÁRIO DE TODO O ESGOTO DO RIO DAS PEDRAS NA LAGOA!!!!!!!!!!!!

    A ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO RIO DAS PEDRAS É MAIS PODEROSA E COMPETENTE QUE A ASSAPE!!!!!!!!!

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  3. Sinceramente creio que esta nós teremos que "entubar". Já imaginaram uma "guerrinha" entre os almofadinhas da ilha da fantasia contra os funkeiros do Rio das Pedras ? Imaginemos algum de nós ou a própria ASSAPE indo bater à porta do tal Terraço pedindo para fazerem silêncio pois estão perturbando o soninho dos que decidiram vir morar onde antes só viviam pacas e jacarés? Seria hilário. Neste caso só uma GUERRA DE SOM. Precisaríamos organizar nossos próprios bailes funks com os alto falantes voltados para o Rio das Pedras. Mas tem um novo invento recente da tecnologia capaz de criar um bloqueio sonoro. Estará em breve à disposição. Até lá, melhor usar fones com bloqueio de ruído ou tampões nos ouvidos. Funcionam muito bem. Estou com os amigos que postaram acima. Não conseguimos controlar a falta de civilidade dos nossos vizinhos peninsulares, que dirá dos que habitam o outro lado da lagoa. A propósito, será que eles pagam foro e laudêmio nas bandas de lá?

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  4. A solução temporária (até que chegue a inovação mais recente de Israel) : os fones com bloqueio de ruídos externos.

    Como funcionam os fones que bloqueiam os ruídos externos:
    Podem ser usados para ouvir música com boa qualidade de som em meio à confusão do trânsito ou para facilitar a noite de sono de quem vive nas grandes cidades. Não se trata de garantir o silêncio absoluto. Em potência máxima é capaz de reduzir em 10 decibéis a barulheira externa. É o suficiente para que a sensação auditiva seja a de que a intensidade do ruído cai à metade. O aparelho foi projetado para filtrar os ruídos contínuos e de baixa freqüência, como o do motor de aviões, carros, trens e o burburinho do escritório ou do trânsito. Não bloqueia os sons de alta freqüência, como a voz humana, campainhas ou latidos de cachorro. É uma vantagem, pois livra o usuário dos ruídos mais irritantes sem isolá-lo do ambiente.

    Os primeiros modelos foram projetados para os pilotos de avião. O objetivo era amenizar o desconforto sonoro dentro da cabine sem impedir que ouvissem com clareza as instruções dos controladores de vôo. Custavam cerca de 1000 dólares. Os primeiros modelos comerciais chegaram às lojas americanas e européias no fim da década de 90. Hoje só nos Estados Unidos estão à venda 44 modelos produzidos por dezoito empresas. Custam entre 30 e 500 reais. No Brasil, um modelo da marca Coby custa 120 reais. A Philips pretende trazer o modelo HN050, atualmente vendido na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda não decidiu quando isso será feito. Deverá custar por volta de 200 reais. Praticamente todos os fabricantes de equipamentos de som – como Aiwa, Panasonic e JVC – têm modelos cujos preços raramente ultrapassam 100 dólares.

    A Sony foi um pouco além. Deu a seus fones um formato anatômico parecido com o dos tampões de espuma usados para abafar o som em ambientes ruidosos. Feitos de silicone, os fones MDR-NC11 são produzidos em três tamanhos e se adaptam ao canal do ouvido, vedando-o completamente. O resultado é um bloqueio ainda maior do ruído externo. Custa 150 dólares. O mais caro é o modelo E5c, da americana Shure, que também oferece reprodução sonora de altíssima fidelidade. O preço: 500 dólares.

    O mecanismo de bloqueio do som segue um princípio da física: o de que uma onda pode ser anulada por outra igual, emitida em sentido contrário. O microfone instalado no fone capta o ruído externo e transmite as informações para um microprocessador. Depois de identificar sua intensidade, ele envia por meio de um alto-falante uma onda sonora idêntica. Os fabricantes aconselham cuidado ao usar o aparelho ao volante, andando de bicicleta ou mesmo caminhando, por motivos óbvios.

    O ouvido humano tolera bem sons de até 50dB. A exposição contínua a ruídos com mais de 65 dB pode causar stress e laté depressão. Acima de 75 dB eles podem provocar hipertensão.

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  5. A solução verdadeira estará acessível em breve. Uma empresa israelense apresentou recentemente uma solução de ponta para reduzir à metade qualquer tipo de ruído. segue em inglês. No final do texto o link para maiores informações.

    Noise pollution is one of the banes of modern life. Chronic exposure to high levels of noise not only affects our hearing but also our stress levels and productivity, and even our physical and mental health.

    An Israeli company, Silentium, says it has technology which can actively reduce noise pollution. The principle of eliminating waves of noise with other waves going in the opposite direction is not new, but the Israeli company says it have significantly improved the technology.

    Vice Chairperson and CEO of Silentium Ltd Yossi Barath explained: “There is a physical phenomenon called destructive interference. It means that when waves are travelling into space, if you hit them with similar waves of the same volume, the same frequency, but shifted by 180 degrees, they will interfere with each other and cancel each other.”

    The company says it can achieve full spectrum noise reduction up to 10 decibels. A noise reduction chip has already been incorporated into some kitchen hoods.

    The same levels of reduction are achieved when using an industrial vacuum cleaner and a ventilating system. The technology can either be embedded on the source of the noise or can create a “bubble” in open spaces. The technology captures ambient noise, creating a quiet zone.

    In the future, even mainframe computers could produce very little noise, and therefore will be able to be placed anywhere, rather than being tucked into a closed room.

    For more information see:

    http://www.silentium.com/

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  6. O barulho ontem vindo dessa casa de shows foi insuportável e durou a noite toda!!!!! A ASSAPE deveria tomar uma posição em relação a esse fato. Com certeza essa casa de show não deve ter alvará, autorização dos bombeiros e outras exigências das secretarias do Meio Ambiente para funcionar!!

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  7. O problema continua. Essa noite, um domingo, o som começou à meia noite e rolou até o clarear do dia. Foi insuportável.

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