quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Segurança: quem é responsável

Cada vez que um fato grave acontece a Península se assusta, cobra, mas a rotina permanece a mesma de sempre

Cada vez que um acontecimento grave se torna público na área de segurança da Península os moradores se tocam para a inexistência das sonhadas condições mínimas que nos levam a gastar nesse quesito os maiores percentuais tanto no orçamento da Assape, como do da maioria dos condomínios.
Carro da PM parado não tem comunicação com a
 portaria  e parece fadado a ser apenas uma peça
 simbólica  para  oferecer  uma "sensação de segurança"

Isto por que a possibilidade de viver num ambiente mais seguro foi uma das maiores motivações que nos trouxeram para cá. A geografia da Península, esse espaço com as dimensões do bairro do Leblon, nos induz a essa percepção. E se isso não acontece na prática a decepção povoa nossos cérebros tensos.

Na verdade, é bom que se esclareça, a segurança é um direito dos cidadãos e uma obrigação do Estado. O envolvimento dos condomínios paralelamente no provimento complementar desse serviço é um absurdo que só se justifica pela ostensiva incapacidade de contar com políticas eficientes de segurança pública.

Mas é o que acontece e não só aqui, na Barra da Tijuca. Se você passar por uma rua interna de Bangu vai se deparar com uma vigilância particular, ainda que informal. De um modo geral, a população sente necessidade de suprir a ineficiência do poder público por que vidas estão em jogo, muito mais do que patrimônio.

Sob a égide da “sensação de segurança”

O carro da segurança fica parado na calçada do FIT sem ninguém
É apenas para cria uma "sensação de segurança".
Antes de olhar para as lacunas na Península e no seu entorno, cumpre constatar que o governo do Estado fez uma perigosa opção pelo truque que tenta incutir na população uma ilusória SENSAÇÃO DE SEGURANÇA.  Sensação de segurança não quer dizer segurança. Antes, pelo contrário.

O maior exemplo disso é a venda das chamadas UPPs nas áreas carentes como um achado que repercutiria também sobre toda a cidade. Os últimos acontecimentos confirmam o que sempre alertei no BLOG DO PORFÍRIO: o “poder paralelo” não foi banido dessas áreas e nem a presença policial golpeou a retaguarda da bandidagem, como  prometiam as autoridades.

Paradoxalmente, a presença dos policiais está sendo útil aos bandidos, que já não precisam andar armados para impedir a invasão de facções ou grupos rivais. O domínio do poder paralelo persiste, como aconteceu agora nos complexos do Alemão e da Penha, onde as instalações da ONG Afro-Reggae foram atacadas por ordens do Fernandinho Beira-Mar, emitidas da prisão de segurança máxima de Catanduva, no Paraná, conforme conclusão policial.

Como a segurança pública deveria ser objeto de uma política global de governo, que só agora começa a perceber a importância da escola de tempo integral,  uma tentativa frustrada nos anos 80, os segmentos sociais marginalizados, cada vez com menores perspectivas de acesso a um mercado de trabalho que exige qualificação,  continuam produzindo legiões de delinquentes. Estes podem não ter como conseguir um trabalho compensador, mas não são diferentes dos nossos filhos diante de apelos de consumo em que uma mídia poderosa nos mergulha.

Há a observar também o baixo nível de comprometimento do sistema policial. O Estado do Rio de Janeiro acaba de mudar mais uma vez o comandante de sua PM,  garantindo o pódio de rotatividade na liderança dessa corporação, que não tem tempo para preparar devidamente seus efetivos, em face das demandas crescentes.


A segurança particular complementar é falha

Nada disso nos exime das providências de auto-proteção que a conjuntura impõe. Por conta do que falei, a população vive detrás das suas próprias grades e não tem como fugir desse desígnio sinistro.

A Península se insere nesse contexto de segurança particular paralela. Mas, tanto como a exercida pelo poder público, embarcou também na idéia da SENSAÇÃO DE SEGURANÇA privatizada, o que se dá com ingredientes subjetivos mais negativos.


Medidas elementares como o entrosamento entre o pessoal de segurança da Assape e dos seus 25 condomínios são postergadas por conta de conflitos de interesses.  Não existe na prática nenhum entrosamento  entre as portarias e nunca se tomou a iniciativa de repassar conhecimentos para os moradores, como acontece hoje em condomínios do Paraná e de São Paulo.

A “sensação de segurança” aqui também patina na definição de sua geografia. O entorno oferece todas as condições para os bandidos atuarem com as rotas de fuga que pediram a Deus.

Engana-se quem pensa que assaltos no entorno são acontecimentos fortuitos. Uma viatura da PM parada junto a um sinal é uma presença quase simbólica, que gera apenas uma “sensação de segurança”.  Mas não garante sua onipresença operacional em todas as áreas vulneráveis e são rotineiros os assaltos a pedestres nessas vias, muitos dos quais, atingindo pessoal subalterno, sequer são registrados.

A falta de entrosamento entre as portarias e entre as empresas de segurança que prestam serviço aqui é o maior fator de vulnerabilidade. Se isso acontecesse, a empresa que cobre a Península teria melhores condições de cuidar dos acessos, da mesma forma que sai do nosso bolso o dinheiro para a jardinagem do entorno.

Por que moramos em “logradouros públicos”

Toda vez que se cobra maior controle nos acessos,
vem a limitação de logradouro público, que não
vale para outros condomínios em situação semelhante
Outro fator crítico é a condição ambígua da gestão do espaço. Cada vez que se pede maior controle aos acessos, vem a alegação de que as ruas que conservamos são “logradouros públicos”.  

Até vir para cá, morei num condomínio de casas na Freguesia.  Lá,  todas as ruas também são “logradouros públicos”, mas  ninguém entra sem que o morador autorize por telefone.  E olhe que esse condomínio – o Eldorado -  foi “fechado” muito tempo depois da sua implantação como empreendimento imobiliário.

Essa é uma questão política. Por suas limitações e seus vínculos, a Assape não tem como falar grosso diante de um poder público que não responde por suas obrigações e, portanto, não teria autoridade para inibir nossas medidas de auto-proteção. Fosse realmente uma associação de moradores independente com administração compartilhada com os moradores, teria um tratamento mais cauteloso das autoridades e até mesmo da Justiça, cujas decisões hoje consideram muito mais o contexto do que legislações defasadas.

Outro ponto nevrálgico é o não envolvimento dos moradores num amplo trabalho de orientação e discussão. Embora sejamos uma comunidade (palavra estigmatizada aqui) nunca se soube de uma iniciativa de repasse de conhecimentos a todos, abandono-os  ao “cada qual por si”.
CLIQUE AQUI e veja a cartilha de segurança distribuída aos condomínios no Paraná.
CLIQUE AQUI e leia as "Recomendações de segurança para condomínios  e residências" da da Polícia Civil de São Paulo
Há outros elementos que contribuem para a fragilização de nosso “sistema de segurança”. São conflitos de interesses que vão desde divergências no âmbito da Assape até o abuso do poder de tutela do principal empreendedor.

Sei que muita gente sente a Península prestigiada com a realização de eventos de grande porte como a “Casa Cor”, previsto para 10 de outubro.  Na minha opinião, porém, sua potencialidade comercial de atração nacional vai nos deixar mais vulneráveis, além de afetar diretamente a proposta essencial de privacidade do nosso ambiente interior, alterando nosso modo de vida tranquilo por muitos dias.
Em todos os casos, tudo seria mais fácil se a questão de segurança, que preocupa a todos, fosse enfrentada de forma menos concentrada e excludente, com a assimilação da colaboração de quem tivesse algo a dizer.

13 comentários:

  1. Oi Porfirio, bastante pertinente seu artigo, segurança é responsabilidade de todos, inclusive a nossa de apontar sugestões e melhorias para acontecer. Acredito que todos querem ou no mínimo almejam por segurança, mas que muitas vezes não sabem como atuar. Minha sugestão é que seja convocado uma reunião com todos os representantes dos condomínios da Península para encontrar uma forma de inibir a ação dos bandidos, pois impedir é sonho. Um monitoramento de câmeras a partir da Av. José Silva de Azevedo Neto de acesso a Península, poderia ser uma opção?

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  2. Com relação a insegurança do entorno, venho dar publicidade a um fato que ocorreu 5a-feira por volta da meia noite quando saí da península em direção ao aeroporto. Havia um carro parado no escuro na rua de trás do Via Parque que me seguiu em alta velocidade até que eu entrei no posto Ipiranga da Vila do Pan. Eles então prosseguiram. Foi aterrorizante.

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  3. Quando o cidadão de bem não cobra do Poder Público o cumprimento das suas obrigações constitucionais, o mesmo fica a mercê do Poder Paralelo!!!!!!

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  4. É inadmissível que a coordenação da segurança da península inteira esteja nas mãos de apenas uma pessoa que pelo visto não é especialista sobre o tema, mas o seu ego o faz se tornar notório saber no assunto. Está na hora de colocar responsabilidade nas mãos de pessoas com competência e experiência. Esse amadorismo está custando as vidas dos moradores!

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  5. Pedro, tudo o que você disse sobre a nossa sensação de segurança é perfeito. Na verdade isto aqui é uma peneira. Temos, sim, muita sorte. Nossa vulnerabilidade é talvez maior do que a de qualquer outro lugar. Temos aqui moradores que acham um absurdo ter que se identificar na portaria. Seus convidados, idem. Com um shopping e uma igreja, eventos esporádicos como o Casa Cor entre outros, mais o estacionamento grátis para qualquer funcionário do O2 e outros, precisamos é cuidar da nossa segurança a partir das nossas portarias e portas. De fato um carro da polícia parado sempre no mesmo lugar só evita assaltos naquele cruzamento. Temos que cuidar do nosso entorno com iluminação melhor, limpeza, acabar com o estacionamento itregular, instalar câmaras por toda a parte, por dentro e por fora do condomínio. Nosso dinheiro seria melhor empregado com isto do que em queimas de fogos de fim de ano, etc.

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