segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Tranquilidade indispensável

Moradores da Península vieram para cá, entre outros itens, por que a imaginavam uma ilha de segurança

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O fracasso da política de segurança do governo do Estado, com a concentração de efetivos em 30 favelas da cidade do Rio de Janeiro, está repercutindo de forma incisiva sobre bairros de maior poder aquisitivo, onde a contratação de serviços particulares tornou-se um quesito obrigatório no orçamento dos seus moradores.
Dados divulgados em março pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostraram que diversos indicadores de violência urbana, como o roubo de veículos, homicídio doloso, roubo à residências e estupro tiveram aumento no Estado em janeiro em 2013, na comparação com o mesmo período de 2012.

Segundo os dados do ISP, a letalidade violenta - indicador que reúne homicídio doloso, latrocínio, auto de resistência e lesão corporal seguida de morte – teve alta de 14,7%. Os números passaram de 375 em 2012, para 430 este ano. A alta desse indicador é consequência também do aumento do número de homicídios dolosos – quando há a intenção de matar – registrados, que passou de 324 em 2012 para 391 em 2013, um aumento de 20,7%.

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Outros pontos, como roubo de veículos, que passou de 1627 para 1941 - aumento de 19,3% -, e roubo de carga, que saltou de 299 para 335, tiveram alta no período. O número de ocorrências de roubo a residência também teve alta, e passou de 103 para 123, crescimento de 19,4%.

Esses índices em 2013 já são bem maiores do que os de 2012 em relação a 2011, com agravantes de aumentos localizados de assaltos a residências, sequestros relâmpagos e automóveis, nos quais a Barra da Tijuca passou a figurar no topo das estatísticas oficiais.

Segurança a passos de tartaruga

Após a morte de uma morada à entrada da Península, imagem acima,
os moradores pediram segurança real. Até agora nada mudou.
São decorridos  7 meses desde o assassinato de uma vizinha à entrada da Península,  levando os moradores a exigirem medidas concretas de parte das autoridades de segurança e da Assape, que tem nesse quesito o equivalente a 20% do seu orçamento.

Ante o clamor reproduzido pelo CORREIO DA PENÍNSULA, a Assape convocou uma reunião com a presença de representantes da Polícia Civil, do comando do 31º BPM e da Prefeitura.

Numa assembleia extraordinária (convocada para discutir inadimplência do Way Office) segundo a modalidade de votação diferenciada (o voto do atacado e do varejo) foi aprovada a liberação de recursos do Fundo de Reservas para viabilizar um plano de segurança que mudaria os parâmetros na Península.

A viatura da PM com pessoal de UPPs de folga sumiu
Nesse período, porém, a única coisa que se viu foi a presença de uma viatura da PM na Rua João Cabral de Melo Neto e de outra da empresa de segurança à entrada da Portaria 1.

Nos últimos 15dias, como reflexo da mudança no comando da Polícia Militar, a instituição do gênero que mais troca de chefia no país,  a viatura já não é mais vista. Já a da empresa de segurança foi flagrada várias vezes fechada, sem ninguém em seu interior.

No sábado à tarde, carro da segurança vazio.
No domingo, nem isso. 


Ainda que essas duas viaturas  cumprissem seu papel de inibir assaltos, qualquer leigo sabe que isso é muito pouco, considerando, sobretudo, o alvo em que nos transformamos, com 4 mil apartamentos já ocupados por famílias de ostensivo poder aquisitivo e cerca de 9 mil veículos.


A falta de especialistas e a centralização inócua

Ao contrario do que seria razoável, a Assape decidiu centralizar a segurança nas mãos de um único morador voluntário, que não é especialista, embora residam aqui inúmeros profissionais da área, entre delegados, oficiais militares e técnicos da área privada.

Isso reflete um modelo de gestão que tem tudo para cristalizar a ineficiência. Todos os problemas desta pequena cidade são enfeixados nas mãos de alguns, de forma monolítica. O atual presidente da Assape, que é dentista, continua acumulando o cargo de Coordenador de Infra-Estrutura, mesmo depois de assumir funções de natureza mais abrangente que, em entidades racionais, lhe reservam o papel de supervisor e coordenador geral.

As antigas comissões com a participação voluntária dos moradores foram extintas, numa perigosa opção pela individualização dos segmentos, fato que se torna mais absurdo na medida em que tal monopólio  não é exercido por profissionais das respectivas áreas.

Hoje, essa insustentável centralização se tornou tão caótica como autoritária. Até na gestão dos espaços de esportes há um clima de revolta, principalmente por conta da "privatização" de algumas quadras de tênis, entregues a "professores" que cobram R$ 55,00 por aulas-hora dos próprios moradores.

É como se apostassem num sistema de feudos e como se aos moradores, associados compulsórios, não restassem senão a resignação,  embora não seja este o estado de espírito de quem contribui religiosamente para um orçamento de R$ 1 milhão e 300 mil mensais: na pesquisa que realizamos, 70% dos que responderam disseram que não se consideram representados pela Assape.

Esse modelo de gestão causa espécie entre os moradores, principalmente daqueles que ficam  sabendo dos conflitos de interesses que vazam no âmbito da Assape, onde nos reportam situações patéticas: o coordenador de segurança estaria querendo trocar a empresa que presta serviços por outra a seu critério, mas o diretor geral estaria resistindo com o apoio da maioria dos conselheiros.

Como o clima de insegurança não encontra resposta no âmbito de quem exerce o monopólio da gestão, talvez seja inevitável que os próprios moradores tomem iniciativas, por que não se sentem no pleno gozo do item principal da Península: esta que seria uma ilha de segurança residencial, incluindo aí o seu entorno, está se configurando muito mais uma ilha de fantasias, com reflexos até na queda das vendas dos seus imóveis.

13 comentários:

  1. Tudo começou a partir de dois eventos chave: a entrega dos condomínios comerciais e a instalação do ponto de ônibus na entrada da península, que a tornou de uma circulação muito grande de pessoas, reduzindo a característica de lugar isolado que possuía anos atrás.

    Quanto à Assape, o que mais dizer? Não há mais nada a dizer, a pedir, a cobrar, e porque não mais a pagar. Fato é que os moradores estão se movimentando. A indignação é cada vez maior e a Assape e o Conselho não estão levando isso a sério.

    Em relação ao transporte, estão enrolando com isso desde o ano passado. Vai fazer um ano que a revista da península chamou os moradores de boateiros e mentirosos e até agora nenhuma retratação ou muito menos uma ação concreta se realizou. O prazo dado pelos moradores para implementar o novo sistema se encerra dia 31 de dezembro de 2013, mais de um ano da publicação da revista, a partir do qual muitos moradores e condomínios ingressarão na justiça para parar de pagar a taxa associativa. A resposta negativa só pode ser fruto de duas coisas: falta de vontade e de competência. Assim, 2014 pode ser o ano do início do fim da Assape. Será que as incorporadoras vão sustentar tudo sozinhas? Ou irão cobrar mais cotas extras para cobrir as "inadimplências".

    Há também o movimento de luto da Assape, em que vários moradores já estão colocando panos pretos em suas janelas e varandas, num protesto pacífico e silencioso, atestando o iminente óbito da Assape.

    E ainda a grande manifestação programada para a inauguração da Casa Cor, essa sim, numa espécie de panelaço, com faixas, protestos, onde a visibilidade do evento dará aos moradores a voz que até hoje nunca foi ouvida pelos conselheiros e incorporadores, que fazem da península seu jogo particular de Sim City.

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    1. Sinceramente,

      Você acha coerente fazer uma manifestação baixaria em um evento que movimenta milhões e implica na valorização dos apartamentos da Península?

      Lamentável. Sou contra muitas medidas, mas isso é avacalhação, não contem com minha presença.

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  2. Volto a denunciar que o Condomínio Península está dentro de uma Área PÚBLICA, logo não pode e continua não podendo ter segurança privada!!!

    Os R$250.000,00 que a ASSAPE (MORADORES) gasta mensalmente com uma vigilância inútil, não serve para nada, pois os carros e pedestres circulam tranquilamente no nosso Condominio em qualquer dia e hora!!!!!

    É OBRIGAÇÃO DO PODER PÚBLICO DAR AOS CIDADÃOS SAÚDE, EDUCAÇÃO, TRANSPORTE E SEGURANÇA!!!!!!!!!

    PAGAMOS COTA ASSOCIATIVA (ASSAPE), IPTU (PREFEITURA) E FORO (GOVERNO FEDERAL) PARA QUE??????

    Paulo Gianinni

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  3. VICTOR HUGO (por e-mail)19 de agosto de 2013 13:46

    Devemos exigir viaturas da policia nos arredores.
    A segurança particular então nem se fale, nos pagamos e devemos cobrar a presença continua deles nos arredores e nao só no interior da península .
    Este sabado ao chegar na península por volta de 11 da noite observei uma moto da segurança rodando entre a portaria 1 e 2 , já êh um bom sinal mas prevíamos de mais Pedro Porfírio,
    Contamos com sua ajuda .
    Att,
    Victor Hugo

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  4. O CASA COR só trará benefícios para os seus organizadores e a CAHO.

    Os moradores proprietários de imóveis na Península continuarão com os seus imóveis cada vez mais desvalorizados em virtude da falta de segurança, transporte, infraestrutura de esgoto, lagoa recebendo diariamente esgoto dos Shoppings, Hospitais, Rio das Pedras, etc..., ou vocês acham que não?????
    ACORDA PENÍNSULA!!!!!!!!

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  5. A falsa sensação de segurança é mais perigosa que a insegurança!

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  6. OS funcionários da segurança não me passam tranquilidade. Penso que eles odeiam os moradores.Por vingança aos mal educados,chamam a guarda municipal para multar os moradores que param ao redor do shopping. Os moradores, por sua vez, não respeitam as regras e não praticam o respeito ao próximo. Parece que estamos entre inimigos!!!

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  7. Discordo que a Península seja uma área pública. Pode ser no conceito, mas na prática não é, desde que existe uma portaria. Caso contrário já teríamos visto vans entrando com famílias para desfrutar dos nossos parques e trilhas. A segurança é falha, sim, mas os problemas mais graves acontecem lá fora. Pode e deve melhorar mas nem tudo é tão ruim. O problema maior são divergências de interesses ou interesses desconexos, como a questão que envolve os interesses da CH, como empreendedora e que ditou o estatuto da Assape, protegendo seus interesses.

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