quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cenário para assaltos em escala

Quando as trevas do descaso expõem a uma rotina de risco no entorno do nosso mundo de encantos mil



Ao postar comentário na matéria sobre nosso grupo de teatro, um vizinho escreveu:
"Concordo que é muito válido divulgar a arte na Península, mas a insegurança no entorno está sendo prioritária neste momento! Estou trabalhando no CEO há 2 meses e meu funcionário foi assaltado a pé na rua ente o Via Parque e Terra Encantada por uma moto e soube do "arrastão" a carros numa 4ª feira por uma amiga que foi assaltada em frente ao CEO, antes de pegar o retorno do Via Parque parada no trânsito,..... 2 motoqueiros armados tb levando pertences das pessoas . Naquele dia ela foi a quinta vítima a registrar o ocorrido na delegacia. O que está sendo feito para coibir isso? Será que os shoppings, centros comerciais, ASSAPE não se pronunciam perante o Governo do Estado e a PM? Até uma próxima fatalidade?"
Ele tem toda razão.
Seu comentário me veio à cabeça quando retornava à Península no inicio da noite desta quarta-feira, dia 11 de setembro: a Rua Nelson Mufarrej, totalmente às escuras, era o cenário dantesco do repugnante descaso da administração municipal, pródiga em grandes extravagâncias com obras "padrão COI" e inteiramente desatenta para o feijão com arroz de suas obrigações primárias.

Esse prefeito que nos obrigou a pagar na conta da luz doméstica uma taxa de iluminação pública tem dado o patético retorno com ruas mal iluminados - ou simplesmente o breu aterrorizonte - no entorno da Península, trançando uma passarela convidativa para bandidos de todos os naipes: de carro, de moto, bicicleta ou até mesmo a pé, tais as condições favoráveis para roubar, às vezes, alguns trocados de um trabalhador que é obrigado a fazer esse trajeto contando apenas com a proteção de Deus e com muita sorte.

Da mesma forma que tais assaltos acontecem nos engarrafamentos ou no escuro que filmamos usando o farol do carro, não há mais horário seguro: domingo, às 7 horas da manhã, uma funcionária da Drogaria do nosso Open Mall foi rendida por um assaltante que também caminhava, armado e com jeito de bandido pé de chinelo.

O que esse meliante levou da moça? Pouca coisa de valor, mas a deixou traumatizada para o resto da vida. A crônica criminal dos nossos dias é a do repeteco. Como ela foi abordada no domingo ensolarado, quantos outros já passaram pelo mesmo sufoco no mesmo trajeto?

Noutra semana, duas domésticas do Life foram rendidas em frente ao CEO - aquele novo edifício comercial - por um bandido de bicicleta, num assalto com requintes de perversidade e certeza da impunidade.

Embora sua patroa tenha me escrito relatando o crime, certamente as vitimas, como a mocinha da farmácia, não se deslocaram até a Barrinha, onde fica a 16ª DP, única delegacia da Barra. E como não há registro, não há estatística, não engorda o que o jargão policial cognomina de "mancha criminal".
O mais trágico é que não temos para quem apelar. Ou estou exagerado no clamor?
Hoje, sem exagero, tenho a sensação de que somos reféns. Nosso espaço interno é invadido diariamente por veículos que se servem de ruas mantidas por nós, mas, ironicamente, nada é feito por que qualquer atitude mais severa pode ser explorada pela mídia e prejudicar os interesses dos incorporadores, que ainda têm quase mil unidades estocadas. E estão construindo mais.

Essa ambivalência de interesses é cruelmente constrangedora para quem veio desfrutar de um verdadeiro sonho - o morar num cantinho bucólico, onde canta o sabiá, nos terrenos aveludados dos parques do verde que te quero verde de Garcia Lorca.

Infelizmente, não temos nosso próprio escudo. Dependemos de uma associação que ainda não cortou o cordão umbilical com seu criador: este se sente à vontade para monitorá-la, orientando nosso convívio  seguindo exclusivamente  seus interesses mercantis.
E  pior -  permita-me o lamento - o pior está por vir, pelo menos  em termos da idílica tranquilidade que se desenha no horizonte perdido como uma volátil miragem das mil e uma noites.
Que pena. Como  deploro ter escrito essa crônica que me ocorreu ao atravessar de carro as trevas que faziam de alguns pedestres sem alternativas as presas fáceis forjadas no descaso e oferecidas de mão beijada aos "amigos do alheio".
Logo ali, onde um dia um visionário imaginou oferecer a terra encantada.

12 comentários:

  1. Por falar em segurança devemos ficar bem atentos
    assistindo o jogo do Brasil fiquei muito assustado pois entre o Mandarin e o Paradiso,
    muitos gritos de socorro e bem alto, uma taxista estava sendo assaltada aos gritos
    ficamos do prédio gritando informando que estavamos vendo, sorte que a segurança apareceu,
    deveria ser mais rigoros nas entradas pois qualquer entre, tenho pessoas que não moram no condominio, fazem tenis,jogam bola e depois vão embora.

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  2. Este é um ponto que sempre me chamou a atenção: qualquer um entra na Península. É só encostar o carro na entrada de visitantes que os porteiros permitem o acesso. Não há nenhum controle, não se pergunta onde a pessoa vai, não se pede nenhum tipo de documento. Em alguns dias as entradas ficam completamente abertas e os carros - táxis ou não - passam livremente. Ou seja, muito em breve casos como o relatado acima vão fazer parte de nossa rotina. Precisamos pressionar a ASSAPE para que ninguém entre na Península sem, no mínimo, um controle de documentos ou/e uma aprovação prévia do morador que eventualmente estaria sendo visitado. Precisamos nos mobilizar urgentemente, antes que algo muito grave aconteça.

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    1. Na de visitantes não somente, pois basta encostar na de moradores que os "come-dorme" da portaria abrem na hora. Uma vergonha total...

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  3. Estou cansado de tanto blá, blá, blá, não só dos administradores da ASSAPE, como também dos representantes dos Poderes Públicos da nossa cidade.
    ACORDA CIDADÃO DE BEM!!!!!!

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  4. Então vamos em peso entrar no site http://www.1746.rio.gov.br e clamar por nossas necessidades!!!! Junto a Rio Luz podemos pedir iluminação urgente para a Rua Nelson Mufarrej ( entre Terra Encantada e Via Parque) . Se todos pressionarem podemos mudar a situação ! Chega de blá -blá-blá!!!

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