quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Achado em Caxias o carro do sequestro

Para preservar-se, Assape preferiu falar de um “POSSÍVEL ROUBO” em sua “jurisdição”, o que pegou mal
A Polícia achou em Xerém, Duque de Caxias, o Ford Ka roubado sexta-feira na Península. A informação foi passada pela vítima do assalto e sequestro, que recebeu telefonema de policiais da 61ª DP na noite de segunda-feira, indicando que o veículo estava numa rua de grande movimento, onde teria sido usado à tarde num roubo a um carro de  duas mulheres, funcionárias da Odebrecht.

Segundo essa informação, ao serem acionados pelas novas vítimas, os policiais foram ao local da ocorrência e depararam-se com um carro abandonado. Ao consultarem o sistema, acharam o “BO” 016-09541/2013, registro do assalto na Península, comunicaram à proprietária e providenciaram o seu reboque para o Pátio Legal, em Deodoro.

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“Recebi agora á noite um telefonema da policia de Xerém (61a DP) dizendo que acharam meu carro. Os bandidos renderam duas mulheres por lá, usando o meu carro e passaram ao carro delas, realizando o sequestro relâmpago com elas e abandonaram meu carro no meio da estrada/rua e por isso foi rapidamente encontrado (estava no meio da rua, correndo o risco de causar um acidente, pelo que me relataram)”.

Para a Assape, um “possível roubo”

Na tarde de terça-feira, dia 16, a Assape divulgou uma “nota de esclarecimento” com algumas figuras um tanto inusitadas.  Primeiro, disse que houve um “POSSÍVEL ROUBO” – não sabia que existia na criminologia o “POSSÍVEL ROUBO”.  Depois falou que teria acontecido em sua “jurisdição”.  Também não me consta que a Assape tenha “poder para fazer cumprir determinada categoria de leis e punir quem as infrinja em determinada área” (Dicionário Aurélio).  

E ainda nos brindou com um baita erro gramatical, ao escrever que "a veiculação precipitada de fatos possam prejudicar as investigações e induzir aos nossos moradores uma suposição de insegurança irreal".

Nesse ponto, essa nota seria cômica se não fosse trágica. Essa imputação de “veiculação precipitada” tem o carimbo da mordaça de que felizmente estamos livres. E não deixa de ser a expressão de um constrangimento do tipo totalitário, em que só se pode publicar uma informação depois de submetida ao crivo da censura.

O que se infere da postura da Assape é que ela lançava dúvida sobre o relato por escrito de uma associada, tripudiando sobre o sufoco que ela teria passado, apenas para sustentar o insustentável:

Que o território da Península seria inexpugnável, que jamais alguém poderia sofrer um assalto aqui dentro, mesmo numa rua que é escura e desguarnecida.

Não está explícito na nota,  mas suas entrelinhas sugerem que o relato poderia ser pura fantasia, daí o POSSÍVEL roubo. Daí, a notícia ser inoportuna. De fato, essa nota tentou desautorizar tanto o depoimento da moradora, como a informação jornalística, publicada com as ressalvas que o bom senso impunha.

AGE garantiu recursos para segurança

Afinal, a Assape acabou ficando mal na fita por que no início do ano uma AGE autorizou o uso de parte do fundo de reserva para preservar o orçamento destinado a  medidas concretas na área de segurança. E, no entanto, se alguma coisa foi feita, os moradores ainda não perceberam.

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Providências elementares, como a conexão entre as portarias da Península e às dos condomínios sequer foram cogitadas. A falta de medidas visíveis  e a exposição de falhas gritantes é que causam a “sensação de insegurança” e não informações que, em última análise, são de utilidade pública, por que servem de alertas  para todos. (VEJA AO LADO FLAGRANTE DO MORADOR RODRIGO CUNHA POSTADO  NO FACEBOOK DOS "REAIS AMIGOS DA PENÍNSULA")

Esse quadro recorrente nos mostra a verdadeira realidade, sugerindo que tenhamos o cuidado devido por que o acesso de qualquer pessoa à área da Península é inevitavelmente livre, principalmente em ocasiões atípicas como esse evento da Casacor, que atrai pessoas de todo o país.

Um caso parecido três dias depois

Nos comentários do grupo Reais Amigos da Península, no Facebook, muitos moradores deploraram a postura da Assape nesse caso.

Mas uma moradora foi mais além, ao dizer que uma amiga tomou um susto, na noite de segunda-feira, 14 de outubro:
“Insegurança irreal? Capotagem, morte, roubos e sequestro, isso e o que a Assape chama de irreal? Ontem mesmo, uma vizinha minha, que nem estava sabendo do tal sequestro, contou que foi abordada na rua de trás do Open Mall por um homem engravatado que ficou batendo no vidro dela, ainda não tinha desligado o carro e avançou, entrando no estacionamento do shopping, comunicou o segurança de lá, e o mesmo respondeu que não poderia fazer nada, tinha que ser os seguranças da Assape. Onde estavam???? Precisa ser divulgado sim, o mais precoce possível, pois quando perguntamos na Assape, seus funcionários dizem que nunca sabem de nada!!!!”
Outra moradora fez uma leitura da notícia de forma bastante racional: “Ainda bem que tomei conhecimento, pois sempre estacionei atrás do Open Mall e ficava dentro do carro, enquanto alguém entrava no shopping para comprar alguma coisa. Eu tb nunca vi controle de quem sai da Península, basta apertar um botão na saída de visitantes e a cancela se abre”..

Um terceiro morador observou: “fiquei sabendo que foi um sequestro relâmpago e que ficaram com a sequestrada durante 3 horas circulando pela Barra. Foi na saída do Shopping. Nós que somos moradores mais antigos, temos uma falsa sensação de segurança dentro deste Paraíso. Temos que ficar mais atentos e não distrair. As motos de seguranças que eram bastante, agora quase não se vê mais. Elas podem não resolver, mas são inibidoras desse tipo de crime”.

A hora de uma reflexão serena

Como já relatei, de vez em quando somos surpreendidos por acontecimentos dos quais nos imaginávamos imunes. Algumas pessoas procuram respostas simples, como se não vivêssemos num bairro cada vez mais visado de uma cidade onde certo tipo de violência tem aumentado vertiginosamente.

É claro que se pagamos para uma segurança particular – com que tentamos suprir a ineficiência do poder público – desejamos o mínimo de proteção. E o ponto nevrálgico aos olhos dos moradores parece ser o acesso fácil à Península.

“Quando me mudei a segurança funcionava. – comentou outra moradora - Ninguém passava da portaria ...os carros só entravam no condomínio depois do morador,que ia receber determinada pessoa, autorizasse a sua entrada”.

Uma outra completou: “Quando eu me mudei também era assim, mas agora entra qualquer um sem se quer ser abordado, e isso nos torna muito vulneráveis, por que o que se paga para morar é para termos segurança. Que tal marcarmos uma passeata até a Assape e fazer valer os nossos direitos? Penso também que na portaria eles podiam segurar um documento das pessoas que não são moradores e só pegar na saída . È uma sugestão!!!!”

A meu ver, a solução desse problema é muito mais complexa do que parece. Independente da impossibilidade legal de barrar a entrada de “visitantes”, a quantidade deles é hoje muito grande. Um procedimento mais demorado seria caótico. Há, porém, uma vasta tecnologia que poderia ser  usada, sobretudo, na identificação e acompanhamento das pessoas. Neste caso, como já expôs um profissional da área que mora aqui, o primeiro passo seria conectar as portarias da Península às dos 25 condomínios. 

É necessário também restabelecer a comissão de segurança, com a participação de moradores de vários condomínios – o ideal é que todos fossem representados nesse grupo. Atualmente, um único morador cuida da segurança.   Por mais dedicado que seja não tem como gerenciar a área sozinho, até por que é voluntário e tem que tocar sua própria atividade profissional.

Finalmente, cabe reiterar: não podemos apostar na “lei do silêncio” como “solução” para preservar ilusoriamente o que não é real. Ao longo da história dos povos e das comunidades a transparência sempre foi mais eficiente do que a sonegação da verdade.

Algumas pessoas falam em “desvalorização dos imóveis” como se tivéssemos a intenção de vendê-los a qualquer hora. E como se os possíveis compradores devessem ser engabelados com a ilusão do “condomínio inexpugnável”. Os mais vividos já passaram por vários regimes e podem dizer sem medo: o que não é levado ao conhecimento público de forma cristalina acaba vazando com os condimentos do exagero, da suspeita, da má fé, da manipulação e do facciosismo.
Por isso, temos convicção de que prestamos um serviço relevante ao noticiar os fatos,  convenientes para alguns ou não

30 comentários:

  1. Lamentavelmente, com frequência estamos tomando conhecimento de relatos como este último. A insegurança na Península está aumentando e os marginais estão sendo atraídos pela publicidade que as construtoras veiculam acerca do alto padrão dos moradores, os quais ostentam uma renda per capita elevada. Aliado a isso temos a inoperância do sistema de (in)segurança da ASSAPE que a meu ver tem sido mais visível na feitura de propagandas sobre o que pretende fazer; nas infrutíferas campanhas contra o cocô dos cães e outros. Discordo, e assim o faço com fundamento, quando se diz que há uma impossibilidade jurídica para se impedir, controlar, o acesso de não moradores ao interior da Península. Somos onerados com a manutenção de todo o sistema da Península e de seu entorno e no entanto não podemos adotar medidas em defesa de nossa própria segurança. Para os da área, existe algo que se conhece como ponderação de princípios (jurídicos), empregado para se desfazer aparentes nós górdios que são criados pelos "dificultadores" de plantão ou pelos que não querem aceitar desafios de tentar solucionar algo que alguém lhe disse que "não pode". Viemos para cá em nome de uma vida diferenciada. Isto está desaparecendo. Quando vim morar na Península o sistema de segurança me parecia mais eficaz. O que se vê hoje são motoqueiros batendo papo, gastando combustível sem que nada de efetivo se faça. Enfim, precisamos discutir a adoção de um sistema de segurança efetivo em lugar, por exemplo, da discussão que se trava sobre ter ou não ter ônibus para o Centro da cidade ou outros locais. Tenho certeza que a maioria, quando optou por viver aqui, o fez para se distanciar do lugar comum que existe em outros condomínios; em outros bairros. Não está interessado em ter a sua porta cheia de ônibus à espera de quantos não se identificam com a filosofia do empreendimento. Com os ônibus, mais insegurança chegará; Enfim, Vamos ponderar o princípio do direito de ir e vir (sem legitimidade) com o princípio do direito à vida, à segurança, para decidirmos pelo controle de não moradores e de uma segurança efetiva, que não se esconda quando instados a ter atitude firme. Se não for assim, se não se pode impedir o acesso de quem quer que seja, para que precisamos de "seguranças"? Para que precisamos desse "aparato" nos pórticos? Tenho constatado ser muito mais rápido ingressar pela entrada de não moradores do que pela de moradores. Isso demonstra que efetivamente não existe qualquer tipo de controle. As nossas calçadas estão esburacadas; as nossas áreas internas de estacionamento completamente tomadas de veículos estranhos que fazem da Península o seu porto seguro e gratuito. E NÓS PAGAMOS A CONTA. ATÉ QUANDO?

    Valdir A Santos

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  2. Por que a Portaria Central não anota o numero do documento de visitante e a placa / modelo do veículo ? Ñão basta o visitante dizer para qual condomínio irá. A portaria principal teria de entrar em contato com a portaria do prédio / cond. em questão para averiguar se existe realmente o tal morador !

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  3. Prezados, rarissimas vezes os funcionarios na cancela. É mais confortável para os funcionários ficar dentro da cabine com ar condicionado e insufilm, onde nós que estamos de fora nao sabemos quem ou quantos estão lá dentro.
    A portaria principal deveria sim, entrar em contato com a portaria do condominio e esta avisar ao morador sobre o visitante e autorizar ou nao a sua entrada. Isso é o minimo que deveria ser feito. Mas ja tomei conhecimento que a portaria de onde moro nao tem como se comunicar com a portaria de entrada! Nao dá para entender mesmo!

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  4. Parabéns, Pedro
    Tem meu total apoio em divulgar e comentar estas ocorrências cada dia mais frequentes dentro da Peninsula.
    Os seus comentários sobre estas acintosas "notas de esclarecimentos da Assape" sao muito esclarecedores.
    No dia que recebi a mensagem tanto da Assape quanto do meu condomínio, respondi dizendo que era um absurdo o que escreveram... sugerir que a moradora estava inventando o ocorrido...
    A vitima poderia ter sido eu, pois frequentemente ficava nesta rua estacionada enquanto outro ia ao Shopping comprar alguma coisa e se eu estivesse la, com certeza a vitima seria eu...
    Mulher, idosa e deficiente para andar, alem de estar em um veiculo muito melhor para eles que um Ford Ka.
    Obrigada e continue a sua batalha, pode ter certeza que a grande maioria dos moradores apóia suas reportagens.
    Abs, Claudete

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  5. GRANDE PORFIRIO, como sempre excelente o seu trabalho. A VERDADE SEMPRE!!!!!
    Parabéns Claudete, concordo com você.
    Tenho certeza que a maioria, quando optou por viver aqui, o fez para viver com sua FAMÍLIA em uma comunidade justa, pacífica, respeitosa e principalmente com espirito de coletividade, e não para se distanciar da realidade da nossa cidade que já foi "maravilhosa". O RIO DE JANEIRO NÃO É SÓ A BARRA DA TIJUCA. A maioria está interessada em ter a sua porta, além do sorriso, amizade e cooperação dos vizinhos, melhor segurança e lazer, despoluição da lagoa, transporte coletivo de qualidade com segurança, conforto e rapidez nos deslocamentos para dentro e fora da Península.
    O que a maioria NÃO quer é continuar ter dia e noite a sua porta MORADORES EGOÍSTAS e AUTORITÁRIOS, insegurança, barulho, poluição, falta de educação e respeito de alguns dos MILHARES de motoristas que circulam no Condomínio Península TODOS OS DIAS E NOITES, com seus carros, vans, ônibus escolares, motos, caminhões, ônibus de luxo ineficientes e ociosos bancados pela ASSAPE!!!.

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  6. Para as construtoras com seus ativos e passivos nesta rentável "jurisdição" perfeita, linda, segura, ecológica, é a única forma de preservar uma atratividade aos empreendimentos em construção e aqueles que ainda não encontraram compradores. Imagine alguém disposto a pagar alguns milhões por um apartamento, para ser alvo de sequestros, etc.

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    1. Fernando. A Península não é exceção. Jogam todos os efetivos novos na ocupação das favelas, com o que vendem um modelo de segurança que já está dando chabu, e nos obrigam a contratar segurança de empresas particulares, muitas de propriedades de delegados ou oficiais da PM. Somos todos os cidadãos do Rio de Janeiro vítimas de uma política de segurança mal direcionada.

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  7. Sem dúvidas Pedro. Estamos em uma situação muito difícil. À mercê de um governo sem recursos para investir, pois o que tem alimenta a corrupção, e no privado, pagamos também por algo que está longe de ser um serviço aceitável, sem controle de quem entra e com um comércio, muito bemvindo, mas que requer controles mais modrenos na portaria. Identificação com foto, crachá para entrar e sair, como nas empresas ou grandes edifícios. Não vejo outra forma. Espero que a saúde esteja boa. Um abraço

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  8. Minha pobre mãe teve seu celular furtado dentro do supermercado do shopping Open Mall as 11 horas da manhã de um Domingo. A resposta do gerente: "Acontece!"
    As crianças são vítimas também de roubo de celulares nos parques e proximidades das quadras de futebol e tênis.
    Fiquem atentos!
    Fiquem atentos!

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Por que não fazer como a cidade de Vancouver? Não é tão caro instalar um sistema de surveillance eficiente. Melhor do que gastar com uma empresa de segurança ruim e premiar a policia quando o crime caí para zero. Vejam os custos para a cidade de VANCOUVER:
    "WHAT WILL IT COST ?
    Vancouver Police Department estimated cost for a CCTV system in the Downtown Eastside
    Camera System Installation Costs $72,000.00
    Video Transmission System $148,990.25
    Master Control - 312 Main Street $33,150.00
    E-COMM Control (E. Hastings St. and Hwy #1) $14,450.00
    Fiber optic Transmission from 312 Main St. to E-COMM undisclosed
    Yearly Operating Budget undisclosed

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  11. Pedro,

    Que tal ajudar os pretendentes de compra , venda, permuta ou locação de imóveis na Península criando um espaço para Classificados no " Correio da Península". Poderia até criar uma pequena taxa que por certo ajudaria nos custos de sua edição.

    ATT,

    Carlos

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    1. Pedro,

      Que tal ajudar os pretendentes de compra , venda, permuta ou locação de imóveis na Península criando um espaço para Classificados no " Correio da Península". Poderia até criar uma pequena taxa que por certo ajudaria nos custos de sua edição.

      ATT,

      Carlos

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