terça-feira, 5 de novembro de 2013

Uma vida mais cara

Aumentos nos combustíveis, luz, condomínios e serviços em geral pesam mais com redução dos ganhos diretos e indiretos

Se você não for daqueles que têm dinheiro sobrando, prepare seu coração: além de um novo e gordo aumento nos combustíveis, como revelei domingo no blog CORREIO DO TAXISTA, vem aí um reajuste de 6,5% na conta de luz, enquanto a Prefeitura espera "pintar clima" para uma tacada no IPTU, como aconteceu em São Paulo, onde o imposto teve alta superior a 20% aprovado pela Câmara Municipal. 
Preço dos combustíveis no Posto da Petrobrás da Ayrton Sena, hoje

No caso dos combustíveis, a adoção de um "gatilho" para aumentar automaticamente os seus preços  já é um fato consumado. É possível que esta fórmula seja implementada ainda este ano, com previsão de um reajuste em torno de 10% na gasolina. Com o novo modelo, os derivados do petróleo poderão sofrer de dois a três aumentos por ano, segundo o jornal ESTADO DE SÃO PAULO.

A Petrobrás alega que está no prejuízo com a sistemática atual, por que em alguns casos, como no óleo diesel, vem importando por mais do que revende ao varejo. Com a nova fórmula, que será submetida dia 22 ao Conselho de Administração da empresa, os preços cobrados aqui variarão segundo o mercado internacional, tendo como referência as cotações nos Estados Unidos.

 Em relação à gasolina, apenas 12% do combustível não são refinados no Brasil, o que torna essa "indexação" sem muita sustentação lógica e perigosa, como reconhece o ministro da Fazenda, Guido Mântega, que teme um incremento inflacionário. No início do ano, os combustíveis já tiveram aumentos em torno de 6,5%.

Na luz, a partir desta quinta-feira, dia 7, a conta de energia no Rio dos consumidores da Light vai ficar em média 3,65% mais cara. Para as residências (baixa tensão), que representam mais de 90% do clientes da empresa, o aumento deverá ser de 6,5%. Para a indústria ela deverá cair 1,01%. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira a Terceira Revisão Tarifária da distribuidora.

IPTU à espera de "clima"

Em relação ao IPTU, o prefeito Eduardo Paes ensaiou a mudança na planta de valores, para adequá-la "aos preços de mercado" em novembro passado, logo depois de reeleito. Como isso colidia com seu discurso de campanha, decidiu adiar a discussão para o segundo semestre deste ano.

Os protestos iniciados com o aumento das tarifas de ônibus, que foi forçado a revogar, o deixaram na defensiva e ele espera primeiro superar o trauma da polêmica derrubada da Perimetral, rejeitada por 75% da população, que manteve a ferro e a fogo por conta dos seus compromissos com as obras na região portuária. Mas o estudo já está pronto, com previsões que poderiam dobrar o IPTU de milhares de imóveis. Só que, para valer em 2014, teria de ser votado até o final de dezembro.

Há  outros aumentos em paralelo: condomínios, como do Saint Barth, tiveram majorações duas vezes em 2013, atingindo 20%, fora uma cota extra de R$ 1,2 milhão. Aos reajustes de dois dígitos nas despesas com planos de saúde, escolas particulares, viagens e lazer, juntou-se o custo com a nova legislação das empregadas domésticas. Quem usa carro para ir ao trabalho também teve de administrar os custos com estacionamentos: há casos de chegarem a R$ 40,00 por dia.

Até engarrafamentos pesam nos custos

Segundo o IBGE, o que mais afeta à classe média "alta" é o custo com os serviços, que subiu mais do que a inflação do IPCA. Quem mora na Barra da Tijuca e trabalha no Centro, ZS ou ZN, ainda paga o preço do trânsito engarrafado, um componente cada vez mais assustador nas grandes cidades.

Um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, divulgado em outubro, revela que  o custo dos congestionamentos na cidade em 2012 foi de R$ 27,2 bilhões, com média de 123 quilômetros por dia. A previsão é de que, em 2013, considerado pelas autoridades o pior ano do trânsito no Rio, os engarrafamentos cheguem a 130 quilômetros por dia e consumam R$ 29 bilhões. Com este dinheiro seria possível construir três vezes a Linha 4 do Metrô-Rio e ainda sobrava troco (o projeto que liga Ipanema à Barra da Tijuca custa R$ 8,5 bilhões).

Reportagem da revista ÉPOCA, publicada em junho passado, dá uma dimensão da pressão sobre a classe média e acrescenta alguns dados pouco considerados por quem incursiona nessa matéria:

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"Há, ainda, outros fatores que afetam a queda do poder de compra da classe média tradicional. Não dá mais para contar com ganhos obtidos com aplicações no mercado financeiro, como acontecia até pouco tempo atrás. O ganho real de outrora minguou. Com a inflação oficial na faixa de 6,5% ao ano e a taxa básica de juros – a Selic, que serve de referência para todas as outras – em 8% ao ano, o ganho real é praticamente zero para a maioria dos aplicadores, que não recebem a taxa “cheia” nos bancos – ou até negativo (abaixo da inflação), se o valor aplicado for baixo. O Imposto de Renda também abocanha uma fatia maior dos salários e afeta o rendimento da classe média.

Segundo um estudo elaborado pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a defasagem da tabela do Imposto de Renda na fonte alcança 66,4% nos últimos 16 anos. Enquanto o IPCA avançou 189,54%, a tabela foi atualizada em 73,95%. Não por acaso, a proporção de famílias de maior renda que não conseguirá pagar em dia as dívidas aumentou de 1,9% para 2,2% desde setembro do ano passado, segundo um estudo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

Nos cinco primeiros meses de 2013, a inadimplência subiu 20% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Serasa Experian, uma empresa de informações de crédito. Apesar de a classe média ter incorporado 9,2 milhões de “novos ricos” entre 2003 e 2011, de acordo com Marcelo Neri, já começam a aparecer sinais de retração no consumo do segmento". 

5 comentários:

  1. Concordo plenamente com você Porfirio, e pergunto, quando, de que forma e onde foram gastos em benefício de nós moradores da Península os R$14.000.000,00 (QUATORZE MILHÕES DE REAIS) arrecadados anualmente pela ASSAPE com as cotas associativas, os R$5.000.000,00 (CINCO MILHÕES DE REAIS) arrecadados anualmente pela União com o foro, e os R$10.000.000,00 (DEZ MILHÕES DE REAIS) arrecadados anualmente pela Prefeitura com o IPTU, já que NÃO temos segurança, transporte rodoviário e lazer de qualidades e democráticos.???????

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  2. Desculpem a Ignorância. A Casacor esta contribuindo com a Assape nesse período em que convive com os amigos da península?

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