quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Minha saúde, minha vida

o tumor ou eu!

Já estou em casa

Nesta quinta, estarei "entrando na agulha" de uma  radiologia intervencionista para vencer um nódulo no fígado


Confesso que senti um friozinho na barriga, ontem,  quando a secretária do dr. Feliciano ligou para marcar o início do tratamento radiológico do tumor que foi localizado em meu fígado:

-  O plano já autorizou. Quer fazer amanhã?

- Amanhã? Não, amanhã, não. Preciso falar com a esposa e os filhos. Preciso me preparar psicologicamente. Pode ser na sexta?

Ela ficou de falar com o médico, contatar o hospital e me dar retorno: marcou o procedimento para amanhã, quinta-feira, às 14 horas, na Casa de Saúde São José, em Botafogo.

Quando ela ligou, estava começando a escrever sobre a judicialização do futebol, como reflexo de todo um ambiente dehipertrofia do Judiciário e com vista à preservação dos negócios da bola. Não poderia ser mais frustrante ver um time que não se classificou em campo no campeonato brasileiro beneficiar-se da aplicação burocrática e claramente direcionada de um artigo disciplinar para nele permanecer em detrimento de outro, penalizado conforme o velho adágio nordestino: aos amigos, tudo; aos inimigos, a Lei.

O que prevaleceu de fato foi o interesse do mercado. Para quem investe em um dos maiores campeonatos do mundo, ter apenas dois times do Rio de Janeiro entre os 20 de 2014 causaria prejuízo inevitável, afetando inclusive as transmissões televisionadas, que são as principais fontes do futebol: A GLOBO não teria como enviar imagens para o mercado do Rio de Janeiro todas as quartas e domingo com apenas 10% dos clubes cariocas no certame.  A Portuguesa paulista foi sacrificada por não ter torcida e audiência competitivas, em comparação com o Fluminense. Para os negócios do futebol, ainda bem que o Flamengo não caiu ao perder pontos.  Vamos ver o que vai acontecer no "pleno" do dia 27 ante o mal-estar causado pela decisão escandalosamente unânime do STJD.

Cada um tem seu modo de lidar com o cotidiano de cada um. E cada um tem uma reação ainda mais pessoal quando a vida se complica.

Desde o primeiro exame que revelou a existência do nódulo venho tirando do cérebro vivivido os elementos da minha própria reação. Já estou com 70 anos e, portanto, não poderia me surpreender com esse tipo de notícia. Que, aliás, pode ocorrer em qualquer idade, como me narraram muitos amigos e leitores que leram a matéria postada aqui no dia 30 de novembro.

No meu caso, além do que se poderia considerar uma notícia indesejada, assaltou-me a preocupação com os sentimentos dos outros, especialmente dos mais próximos. Por toda uma trajetória engajada no pensamento inconformista aprendi a encarar com dignidade os tropeços, as adversidades e as possibilidades de pirraças do destino. A vida é, sem dúvida, imprevisível e nos oferece todo tipo de surpresas.

Cabe-nos administrar com serenidade os bons e os maus momentos. Quem não estiver pronto para tudo, que se imaginar singrando somente num mar de rosa, vai sofrer muito mais às primeiras procelas.

Como a maioria dos mortais, exceto provavelmente os profissionais da área, não morro de amores por hospitais, mas é lá que encontramos a praça de guerra mais adequada para os combates em defesa da saúde e da vida.

Pelo tratamento que estarei iniciando, a previsão é de retorno no dia seguinte. Dizem até que a retomada das atividades laborais também pode acontecer em poucos dias.

Uma técnica nova e de sucesso


Como não poderia deixar de ser, andei lendo muito sobre radiologia intervencionista, quimioembolização, ablação e outras variáveis dessa técnica moderna. No meu caso, o mais indicado é a quimioembolização de início.

Minimamente invasivo esse procedimento combina duas frentes de ataque: a embolização, adotada para obstruir os vasos sanguíneos que nutrem o tumor, a fim de diminuí-lo; e o uso de quimioterápicos, em geral as mesmas drogas da quimioterapia convencional. Na quimioembolização, porém, a dosagem é muito menor, aplicada diretamente na área do tumor, de maneira concentrada.

Guiado pelas imagens de angiografia (uma espécie de raio-X dinâmico), o médico conduz um microcateter até a região da lesão, levando as microesferas ao alvo. Primeiro elas estufam, bloqueando os vasos sanguíneos que alimentam o tumor, reduzindo a vascularização, o que contribuirá para que ele diminua de tamanho. Depois, a dose de quimioterápico concentrada no local vai sendo liberada de forma gradual ao longo de aproximadamente 15 dias. É a diferença, por exemplo, de se ministrar 50 mg de quimioterápico em apenas dois centímetros de tecido doente (quimioembolização) ou injetar 500 mg dessa droga em toda a corrente sanguínea do organismo (quimioterapia sistêmica). Além de atingir o alvo, os efeitos colaterais são reduzidos.

Por hoje, fica um abraço para todos e uma enorme vontade de retomar minhas atividades blogueiras. Darei notícias dessa intervenção, como velho jornalista que faz sua auto-reportagem. Aguardem.

Foi vapt, vupt: já estou em casa

Amigos: Sofri a inervenção radiológica de um cânceer no fígado (CHC) ontem na Casa de Saúde São José, pelas mãos do dr. Feliciano Azevedo, um dos pioneiros dessa tecnologia revoluicionária, com a assistência da dra. Vanessa e do dr. Rodrigo Marques (anestesista), os dois últimos, por coincidência, moram na Península. 

Após a intervenção radiológica, convenci-me de que vamos vencer essa: não precisei ir para o CTI e ainda tive alta 24 horas depois. E já estou de volta ao nosso ap, retomando o nosso convício internáutico (com moderalção). Nos próximos 30 dias teremos a avaliação pela ressonância magnética. Posto aqui logo a notícia e a foto como forma de AGRADECER ÀS DEZENAS DE MENSAGENS DE ESTÍMULO, SOLIDARIEDADE E CARINHO DOS NOSSOS VIZINHOS DA PENÍNSULA.



8 comentários:

  1. Caro Sr Porfirio,
    Desejo-lhe serenidade para enfrentar mais uma adversidade dentre tantas que a vida nos apresenta. Com certeza esse episódio lamentável será superado em breve. Aguardaremos ansiosos seu retorno à ativa, sempre nos mantendo informados sobre os "bastidores" da Peninsula.
    Abraço,
    Ana Bricio

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  2. Força e Fé..
    Já deu certo!

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