terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Outro assalto, 2ª à tarde. É demais!

Motorista de Pajero é fechada em frente ao 02 às quatro da tarde de segunda-feira. Vizinha foi quem a socorreu

Quatro da tarde de uma segunda-feira quente, os termômetros registrando uma sensação de calor de 49 graus. O trânsito fluía tranquilo pela av. Escritor João Cabral de Melo Neto - era uma segunda sem as neuroses dos engarrafamentos. Ao atravessar o sinal do O2, a moça reduziu a velocidade do seu Pajero  Mitsubishi: tinha uma reunião de trabalho ali, e não podia imaginar o que lhe aconteceria no lapso de alguns minutos. Um corsa preto atravessou em sua frente, um bandido desceu armado e a rendeu, levando o carro, com o laptop, bolsa e celular. Como ela estava nervosa com o celular na mão, ainda levou um tapa no rosto.
Ao Deus dará, a Av João Cabral de Melo Neto virou "faixa de Gaza"

Vinha do Leblon, onde mora, e provavelmente não era a primeira vez que participaria de uma reunião ali. Atrás dela, um moradora da Península viu tudo. Fez o contorno e foi socorrê-la, já a pé e muito tensa.

Foi a arquiteta Marcela Jabur, nossa vizinha,  quem, sem medir os riscos, vivenciou mais esse insólito episódio que inscreve aquela via próxima no pódio da insegurança urbana:

Marcela, atitude admirável
"O assalto aconteceu por volta das 16h de hoje e não foi no sinal - postaria em seguida na página do grupo Reais Amigos da Península, do Facebook, via celular -  Foi após o sinal, quase em frente à entrada do O2. A moça que foi assaltada não mora no nosso condomínio e sim no Leblon. O carro dela era uma Pajero e foi fechado por um celta ou corsa (carro pequeno preto) de onde saiu um marginal e a mandou sair do carro. Eles levaram o carro dela, bem como bolsa, celular, laptop e tudo mais que estava no carro. Como ela estava com o celular na mão e ficou nervosa sem saber o que fazer, ainda foi agredida com um tapa no rosto. Afirmo isso tudo pois eu estava exatamente atrás dela e vi quando aconteceu tudo. Fiz o retorno da Tok & Stok e voltei pra ajudar a moça. A coloquei no meu carro e liguei pro 190. Nesse momento ela ainda está na delegacia da Barrinha. O carro ainda não foi encontrado e nem sinal de patrulha ali no local".

Seguiram-se os comentários dos moradores, entusiasmados com o exemplo de Marcela Jabur e indignados com o clima de total insegurança. "Parabéns por sua atitude em dar apoio à pessoa. É. uma situação que só quem passou por isso pode aquilatar. Deus a abençoe" - escreveu uma vizinha, logo após ler o relato. Outra foi incisiva: "A patrulha tem que voltar!!!Ficamos muito vulneráveis ali..."

Perto dali, mesmo sabendo da exposição dos moradores naquela área que se assemelha às "faixas de Gaza", como o folclore citadino denomina as zonas de risco, o carro da empresa de segurança estava parado na calçada do Fit, como se ali estivesse apenas como mostruário. Assim como a PM não deu o ar de sua graça nem depois do assalto, o nosso "segurança" provavelmente até agora ainda não sabe do que aconteceu segunda, dia 30, às quatro da tarde a 200 metros de seu nariz.

Qual será a próxima vítima? Nestes dias de euforia, todo cuidado é pouco. Ante a omissão ostensiva da Assape, ainda em clima de Papai Noel, e frente à total indiferença das autoridades de segurança, os moradores se comunicam pelas redes sociais com dicas de como escapar dos bandidos. Por enquanto, alguns resolveram tomar outro caminho na saída, usando a Portaria 2 e fazendo o retorno próximo ao Via Parque, com o que fogem do sinal. Outros afirmam que não param mais ali no vermelho, mesmo correndo o risco de provocar acidente.

Nesse caso, não surpreenderá se o mesmo poder público que não dá as caras para proteger os cidadãos-contribuintes, como é sua obrigação, escale alguns guardas municipais para multar quem furar o sinal de risco.

Ao agradecer as mensagens postadas por sua atitude, Marcela Jabur escreveu:  "Obrigada a todos. Espero que um dia possamos viver em paz".

Essa que seria uma garantia elementar a quem trabalha, estuda e paga pesados impostos, infelizmente, não passa de uma esperança, mesmo para quem concorda em pagar pela segunda vez, em caráter privado, para ter segurança, diante de um serviço público que é o retrato sem retoque de um Estado anti-cidadão.

2 comentários:

  1. Bom dia Prezado Pedro Porfirio,
    Parabéns pela reportagem. Seu blog é de extrema importância, na disseminação destas informações, omitidas pelos meios de comunicação de massa.
    Infelizmente, esta representa uma realidade cada vez mais comum. Sou médico, trabalho na Baixada Fluminense e as informações que recebi é de que a violencia esta cada vez maior naquela regiao tambem. O que está acontecendo na realidade? Na verdade o Governo do Estado está se preocupando em ocupar as comunidades de risco na Cidade, formando o tal " Cinturão de Segurança". Todos os policiais formados na Academia, estão sendo desviados para as UPPs, deixando, em segundo plano, os Batalhões da Regiao. Para voce ter uma ideia, o Batalhão de Mesquita deveria ter aproximadamente 700 militares e, no momento, somente possui cerca de 200.
    Acredito que as ocupações são benéficas porem deixam outras regiões descobertas. Não adiante tapar o Sol com a peneira. Temos que tomar medidas mais eficazes no combate ao crime, punindo exemplarmente os infratores.
    Sugiro que todas as ocorrencias da regiao sejam enviadas para a ASSAPE e desta para os moradores, não para gerar panico entre os mesmos, mas sim para nos manter informado do que estáaconetecendo.
    Cordialmente,
    Alexandre de Athayde Barbosa

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