domingo, 5 de janeiro de 2014

Ano novo, novo assalto no mesmo lugar

 BMW é levada em mais uma ação dos bandidos no desguarnecido acesso à Península

Encontrada  sem gasolina na Barra, dois dias 
depois, a dona  da BMW não quer usá-la mais
Com mais um assalto na desguarnecida área de acesso à Península, o ano novo começou mostrando que a insegurança ali é pra valer, já que as autoridades policiais resolveram virar as costas, indiferentes à sequência macabra que tem tudo para registrar mais uma vítima fatal, como há um ano.

Isso poderia ter se consumado na noite de quarta-feira,  dia primeiro, quando a vítima,  ao ser fechada em sua BMW 118i por um Pálio prata, às 11 da noite, tentou dar marcha a ré. Ela não conseguiu manobrar por que um outro veículo, uma Mitsubishi preta, estava atrás, participando da ação criminosa.

Os dois bandidos que desceram do Pálio pareciam rapazes bem de vida e agiram com bastante frieza:

- Sai logo, deixa tudo no carro, vasa.

Ao tentar escapar, a BMW bateu
A vítima, moradora da Península, viu que não havia saída. Na marcha a ré, bateu no segundo carro dos bandidos, freou e desceu com sua filha, de 19 anos, enquanto um dos rapazes, em cujo pescoço reluzia um cordão de ouro, tomou a direção do seu carro, fez o retorno em frente ao ponto de ônibus e tomou o rumo que quis junto com o outro veículo.

- Pelo que conheço, eles não tinham caras de bandidos de morro, até pareciam rapazes de família de boa situação - comentou a motorista, uma comerciante de 49 anos, para quem estavam levando seu carro apenas para "curtir uma BMW".

Seja para o que fosse, aquele era o terceiro assalto na mesma "faixa de Gaza" que chegava ao nosso conhecimento no espaço de 4 dias. Em todos os casos, em comum a preferência por carros importados e o uso do mesmo local, embora em direções diferentes. A opção por mulheres ao volante também parece outro traço comum.

No sábado, 28, à noite, um carro esportivo foi levado quando parou no sinal da esquina do O2, às dez e meia da noite.  Em plena segunda-feira, dia 30, às quatro da tarde, foi a vez da motorista que ia entrar para uma reunião de trabalho no mesmo 02 com o sua Pajero Mitsubishi.

Na noite do dia 1, a BMW foi fechada porque normalmente as pessoas reduzem a velocidade ao pegar o caminho da Península. Pode ser que os bandidos sejam os mesmos, agindo por aqui dia sim, dia não,  mas com uma área que oferece tantas alternativas de fuga e não tem segurança de espécie alguma, qualquer criminoso se aproxima na caça, principalmente, dos "carros de luxo da Península".

- Não, eu não quero mais saber desse carro - disse a moradora, ao saber que o filho o encontrara na manhã da sexta-feira, dia 3, parado na ponte Lúcio Costa, sem uma gota de gasolina.
- Vou vender o carro e comprar um tipo popular já bastante usado - desabafou, depois que sua BMW branca, modelo 2010, foi recolhida ao pátio do seu condomínio.
Comerciante na Olegário Maciel, ela nunca tinha levado susto semelhante. Assim que os bandidos sumiram, saiu correndo com a filha até a entrada 1 da Península, pediu ajuda, mas foi inútil. O mais que fizeram foi chamar a polícia, que chegou só para tomar conhecimento do  roubo.

No dia 2, contando com a ajuda de uma pessoa experiente e sentindo toda a inutilidade da estrutura policial, ela própria saiu em busca de seu carro.

- Fui às áreas onde normalmente suspeitamos. Bati na Cidade de Deus, fui até o Morro do Juramento e à favela da Nova Holanda.  Fui por ser hábito, por que desde a noite do assalto tive a nítida impressão que aqueles rapazes podiam ser daqui mesmo da Barra. E não eram favelados, não.

Mas uma coisa a deixou intrigada. Quando seu filho encontrou o carro, sua bolsa estava lá, esvaziada dos documentos, cartões e talão de cheque, mas a bolsa estava lá.

-  Será que eles não sabiam que era uma bolsa cara?

Por motivos óbvios, omitimos aqui o nome da vítima e o condomínio onde mora, aqui na Península. Mas pelo que conversamos com ela, parece uma pessoa muito determinada, que realmente não pretende mais usar esse carro para ir até sua loja ou para sair, como aconteceu no dia do assalto, quando vinha do Barra Shopping.  Além disso, já decidiu que só vai entrar na rua em alta velocidade e descartou a alternativa de dar a volta pelo Via Parque, "por que lá é muito escuro".
Com mais esse roubo, só resta aos moradores da Península contar com a sorte, por que chegar ou sair daqui faz lembrar o velho ditado: se correr, o bicho pega; se ficar o bicho come.
Se depender da Polícia Militar, ela está muito ocupada nas UPPs das favelas, onde, aliás, os marginais continuam poderosos, agindo no sapatinho. Mas é isso que oferece a sensação de que a polícia faz alguma coisa e dá ibope.

Também se depender da segurança que pagamos, seu limite é a portaria, onde um carro fica parado quase todo o dia para também nos oferecer uma ilusória sensação de segurança. Até quando isso, só Deus sabe.

9 comentários:

  1. Estamos pagando para ter insegurança. Conversando em frente ao Mall, um dos seguranças me disse: "Esse pessoal daqui tem mais é que se ferrar... Povinho arrogante". Que voltem os militares!!. Porfírio, sei que foram tempos sofríveis pra vc, mas acho que esse pais tupiniquim não aprendeu nada com a democracia. Desculpa.

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  2. Fica cada vez mais comprovado que a nossa associação não corresponde ao nome que tem, "AMIGOS DA PENÍNSULA", já que não presta nenhuma solidariedade aos moradores e visitantes da Península vítimas de assaltos, furtos e assassinato, e o que é pior, tampouco cobra qualquer medida junto aos órgãos públicos competentes.
    ACORDA PENÍNSULA!!!!!!!!!!

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  3. Prezado PEDRO,

    Entendo que na condição de jornalista você tem por força do hábito divulgar notícias que sejam do interesse público, como vem fazendo há algum tempo no seu blog.
    Entendo que como morador de um dos condôminios da Península você esteja preocupado com estes atos de violência que vem sendo praticados nas ruas de acesso ao lugar em que vivemos.
    Entendo que você está utilizando seu blog para divulgar estes fatos e com isso alertar os seus leitores que aqui residem para que estejam mais atentos ao circular com seus veículos por estes acessos.
    Mas confesso que não entendo o porquê de tanta surpresa pelo fato destes episódios estarem ocorrendo próximo a Península, sub - bairro de classe média alta, dentro da Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, onde residem mais de 7.000.000 de pessoas, e por isso considerada uma das maiores cidades do Planeta.
    Para quem já viajou por muitos países do primeiro mundo, e que por isso conheceu cidades populosas como a nossa, casos de violência como assaltos, furtos, roubos etc. não são uma exclusividade nossa. Só para exemplificar, minha mulher teve a bolsa rasgada por uma ladra em Miami em 1994, eu tive a mala do meu carro aberta com chave mestra no estacionamento de um shopping na mesma Miami em 2012, de onde furtaram U$2.500 em equipamentos fotográficos. Minha filia que mora em Chicago teve a bolsa roubada numa loja famosa da área mais valorizada da cidade em 2012. Os sogros de outra filha foram assaltados no metrô de Genebra em 2013 às 20:00. Amigos foram assaltados em Nova York na 32 às 19:00 há poucos meses. Portanto, viver em grandes cidades em qualquer lugar do mundo expõe moradores e turistas a casos de violência, praticados por bandidos e as polícias não conseguem impedi - los, até porque não há como fixar policiais em cada sinal ou quarteirão destas cidades, e os bandidos ficam cada vez mais ousados.
    Quando opitei por morar aqui jamais imaginei que estaria me mudando para um local completamente imune a fatos como este, mas tão somente que aqui seria menos exposto a roubo de residência, de veículo ou assalto a pedestre DENTRO da área da Península, e minha decisão se mostrou acertada, pois desde que mudei para cá há 6 anos foram pouquíssimas ocorrências, muito abaixo da média do restante da cidade.
    Como contra fatos não há argumentos, continuo acreditando que estamos bem mais seguros que os cidadãos que não tem o privilégio de ser moradores da Península. Mas não me iludo e sei que tenho que me manter alerta e cuidadoso quando estou fora dos nossos limites, seja na nossa Cidade ou em qualquer outra do Brasil ou do resto do Planeta. Este é o preço a pagar por vivermos num mundo REAL, com todas as suas mazelas.

    Um abraço,

    Silvio Izoton
    Residencial Bernini

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    1. Silvio.

      Como jornalista há mais de meio século, tenho clareza de que é mais útil divulgar os acontecimentos do que empurrá-los para debaixo do tapete. Com isso, além de provocar alguma atitude das autoridades, estamos alertando aos moradores para que tomem mais cuidado. E fazendo a divulgação de forma transparente, eliminamos a boataria que sempre impregna cada fato de exageradas fantasias.

      Não há espaço imune ao crime em lugar nenhum da terra. Mas não precisavam exagerar. POR QUE NUM CERTO MOMENTO HOUVE PATRULHAMENTO E AGORA NÃO HÁ MAIS?

      Os moradores da Península pagam impostos em dobro: aos entes públicos e na contratação de serviços particulares de segurança. Neste caso, pagamos também em dobro - para a Assape e para os nossos condomínios.

      Uma grande farsa: desde que moro aqui, a firma de segurança do meu condomínio já mudou três vezes e convivemos pacificamente com uma "fraude profissional": os terceirizados que nos custam quase R$ 150.000,00 por mês não são "seguranças", mas porteiros bem vestidos. E não entendem bulufas da matéria.

      Para o seu controle, até por razões éticas, tenho sido muito criterioso na divulgação das notícias que recebo, pois preferia estar falando, por exemplo, da alegria do futebol feminino, que fui cobrir pessoalmente, embora, como você sabe, esteja enfrentando uma situação de saúde delicada.

      Nesse caso, essa notícia já havia sido postada no facebook desde sexta-feira por um morador, mas esperei uma comunicação formal, esperei conversar com a vítima, para dar a terceira matéria a respeito da insegurança em 5 dias.

      E tenho mais informações, sobre as quais estou esperando confirmação oficial - um BO, por exemplo. Estas seriam mais graves, mas como a própria pessoa que me escreveu ponderou, ele quer também um comprovante policial por parte da firma onde trabalha a possível vítima.

      Creio que a Assape padece de uma doença de nascença: ainda não cortou o cordão umbilical com seu ventre materno, uma empresa de muitos interesses que não pode sair batendo de frente com governantes. Do contrário, seria mais rigorosa na relação com as autoridades, pois policiar uma área tão vulnerável NÃO É NENHUM FAVOR.

      Espero que estejamos juntos na defesa dos nossos direitos à segurança pública e de maior eficiência da nossa empresa privada de segurança. Não esqueça de que há um ano destinamos o que foi pedido em dinheiro para uma melhora nesse serviço, que não aconteceu.


      Onde e eu você moramos antes, em Jacarepaguá, eu me sentia mais seguro. E você também, certamente.

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  4. Otávio (por e-mail)6 de janeiro de 2014 10:27

    Pedro, a esculhambação está tomando proporções inimagináveis. Como estou a semana inteira aqui na Peninsula ( coisa rara na minha vida enlouquecida ) presenciei vários fatos que gostaria de trazer a tona usando seu canal:

    1) Jardins da Península outrora lindos encontram-se abandonados, árvores infestadas de pragas, cupins, mato alto em vários pontos, gramados pelados e com falhas em diversos pontos e muito, mas muito lixo. Hoje ao andar fiquei muito chateado com esse abandono das áreas ajardinadas. fato mais agravado nos arredores do green park e menos no lagoon park. Também no quesito paisagismo os caminhos não calçados não vêem máquina faz bastante tempo e parecem caminhos da roça.... Placas, todas danificadas.... Estátuas imundas, coisa que com um simples jateamento de água se resolve.


    2) Esqueleto casa cor - largaram uma área destruída e bastante degradada. Hoje ao procurar a Assape para falar do problema o Sr José me disse que aquela área é da Carvalho Hosken e portanto leia-se nas entrelinhas que se danem vocês moradores. Acho que esse negócio virará questão de disputa judicial em breve.

    3) Ainda no mesmo esqueleto da casa cor mais uma novidade aterrorizante. As 13:00 o ar condicionado do esqueleto abandonado estava ligado sem nenhuma alma. Pergunta: Quem paga essa conta de luz ?

    Acho que realmente as coisas entrarão em colapso em breve, as obras sempre inacabadas e infindáveis das portarias revelam um lado obscuro dessa prisão a qual nos submetemos chamada relação com a ASSAPE.
    Sei que a segurança é algo muito mais relevante mas os absurdos são tantos que acho que precisamos de fato buscar uma unidade em torno de uma mudança caso contrário a degradação rapidamente começará a mostrar marcas ainda mais profundas e agudas dessa vergonhosa administração provida pela ASSAPE.

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  5. Já que esta M fe governo nao faz nada, p q nao podemos colocar uma camera no sinal que todos sao assaltados , um holofote e uma placa grande escrito , sorria vc esta sendo filmado. Eh um prcedimento simples com custo insignificativo se for pago ppr todos os moradores . Vai ter a manutencao de uka unica camera que ppde ser sim instalada pois o local nao deve ter nem 200m de distancia da portaria da peninsula.

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