quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

De portas abertas para a insegurança

Pagamos três vezes para ter segurança, ao Estado, à Assape e ao nosso condomínio e estamos cada vez mais vulneráveis

Ao contrário do que se pode imaginar, tenho sido muito cauteloso no noticiário que envolve ameaças à nossa segurança na Península. Isto por que este é o quesito mais sensível neste recanto onde pelo menos 4 mil famílias depositaram seus sonhos e investiram na sua aspiração legítima a uma moradia segura e de qualidade.

Conservamos as ruas para outros estacionarem
Nem tudo que chega ao meu conhecimento vira notícia, pois há exigências de comprovação de veracidade.  Mas seria uma fraude midiática sonegar informações sobre fatos concretos a essas famílias que precisam encarar a realidade como ela é, antes que sejam vítimas da desinformação, do silêncio imposto, da boataria e da manipulação dos acontecimentos.

É evidente que não temos hoje a segurança que esperávamos quando optamos pela Península. Ao contrário, pagamos um preço alto por algo que não desfrutamos, quer pela equivocada filosofia que baliza a política de segurança do Estado, quer pela inepta tentativa de provê-la por conta própria, em caráter privado, tanto a nível da Península, como de cada condomínio, num gasto mensal paralelo superior a 80% dos municípios brasileiros.

Se não temos segurança hoje, pode-se dizer que o amanhã será pior. O crescimento da presença criminal é proporcional à facilidade com que alguns bandidos atuam em nosso entorno, que virou um manjar para eles, e da própria natureza da associação que nos representaria perante os poderes oficiais: ela é muito mais uma administradora territorial do que uma entidade de defesa dos seus representados compulsórios.

É igualmente um apêndice do grande empreendedor imobiliário da área, que a criou e a moldou conforme seus próprios interesses e sujeita a limitações decorrentes dos mesmos.  Não cabe nem entrar no mérito desses elementos contingenciais. Mas não se pode esperar muito de quem não tem suas preocupações focadas exclusivamente em nosso conglomerado residencial, uma "cidade"  de população superior a 3.283 dos 5.565 municípios brasileiros.

Por conta disso, vivemos uma situação ambígua, com ônus, mas sem bônus. Substituímos os poderes públicos em suas obrigações elementares, embora seja abundante a carga de impostos que pagamos a todos os entes. E não exigimos a contrapartida da gestão compartilhada.

Gastamos do nosso bolso na conservação de todo o espaço, a mais dos impostos, mas não temos nenhuma autonomia sobre ele, o que não acontece em centenas de outros condomínios. Assim, damos trato por nossa conta, em caráter particular, às nossas ruas, que servem de estacionamentos gratuitos a forasteiros, sob a alegação de que são logradouros públicos, sem que possamos exercer qualquer controle efetivo sobre o fluxo de veículos.

Não podemos sequer desfrutar de uma segurança real pelas mesmas razões enunciadas. A empresa que pagamos para "complementar" o Estado é limitada a uma ação simbólica e desvirtuada, pois não tem a menor condição de enfrentamento dos criminosos. 

Nossas cancelas se tornaram piadas de mau gosto e são verdadeiras portas abertas para a insegurança, enquanto as prometidas câmeras que seriam espalhadas não saíram do papel.  Se existissem, porém, teriam alcance limitado e não seriam suficientes para inibir por si ações criminosas.

A coisa é tão feia que sequer existe entrosamento entre as empresas que prestam serviços aos condomínios e à da Assape. Ao contrário, pelo que se nota, a concorrência entre elas fala mais alto. Resultado: não existe nenhum mecanismo de comunicação entre as portarias dos condomínios e às da Península.

Assim também, não há uma ligação institucional entre nossas seguranças e às do Estado, que, curiosamente tinha, em março de 2013, 1 PM para cada 361 habitantes, próximos dos 333 pugnados pela ONU, numa proporção bem mais confortável do que Minas Gerais (441),  São Paulo (499), e Paraná ( 669).

Esse desentrosamento é cultivado também pelo grande negócio em que se transformou o mercado de segurança no Brasil, que tem 5 vezes mais agentes privados legalizados do que policiais, sem falar nos informais,  numa proporção 3 vezes superior a dos Estados Unidos, segundo dados do relatório de 2012 da Organização dos Estados Americanos.

Não é absurdo imaginar que existe uma rendosa indústria da insegurança, alimentada principalmente por agentes públicos graduados e políticos, de onde saem os sócios da maioria das empresas do ramo. A presunção de que podemos pagar qualquer preço pela nossa segurança, independente do que é devido pelo Estado, incrementa essa indústria ainda mais.

Viramos reféns de um contexto perverso e mal inspirado. O Estado definitivamente nos exclui por que não temos representação política, mas teríamos dinheiro em caixa para substituí-lo na mansidão do nosso orgulho. Quem vive da deficiência do Estado em matéria de segurança tem aqui um prato feito.

Não é por acaso que muitos moradores discutem hoje a forma jurídica de "desassociar-se", uma medida extrema, que ainda achamos prematura, ante a convicção de que não há como mudar o sistema de gestão da Assape: ainda proprietária de centenas de apartamentos na Península, a Carvalho Hosken influi diretamente na escolha dos membros do Conselho, em assembléias de que participam em média 10% dos condôminos: em pelo menos um, o próprio funcionário da empresa se impôs como seu conselheiro. E é o Conselho quem escolhe sua direção.

A pergunta que paira no ar é: tem alguma saída alternativa para isso? Creio que sim. Mas o ponto de partida para essa resposta é a disposição de cada morador, uma certa mudança de atitude: enquanto terceirizarmos nosso poder decisório, enquanto esperamos mais dos outros do que de nós mesmos o impasse continuará e será mais angustiante.

É para aguçar um pouco a sensibilidade de nossos vizinhos que nos posicionamos diante de cada um. Como é de praxe, tudo na vida tem componentes opostos, que travam uma luta surda extremada. É como se fosse máxima e definitiva a constatação do adágio popular: o que dá pra rir, dá pra chorar. Reflita sobre tudo isso, enquanto é tempo.

27 comentários:

  1. Quero voltar para a Zona Sul.

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  2. Prezado Porfirio, não vou me cansar de denunciar que nunca tivemos, não temos e jamais poderemos ter segurança PARTICULAR no Condominio Península, pois trata-se de ÁREA PÚBLICA, logo só o Poder Público pode e tem a obrigação constitucional e legal para tanto, e o que é pior, a ASSAPE usa o dinheiro dos seus associados indevidamente nessa obrigação do Estado, bem como quanto ao fornecimento de transporte rodoviário gratuito na Península, na conservação e manutenção dos parques, jardins, lagoa, trilhas,e ruas do Condominio. ACORDA PENÍNSULA!!!!!!!!!!!

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  3. Porfirio, quando nos mudamos para cá, há 3 anos atrás, buscávamos a liberdade de, simplesmente caminhar, sem nos preocuparmos, com a criminalidade que existe do lado de fora das cancelas, que nos separam do restante de nosso bairro. Mas hoje, se quer me arrisco a ir a pé às missas, que acontecem em nossa Capela de Santo Antônio. E olha que vou à missa para pedir proteção. As coisas definitivamente não andam bem e não tenho a ilusão de que vão melhorar...é uma pena, considerando que tinhamos tudo para desfrutar com liberdade desse lugar privilegiado que é a Península.

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  4. Anônimo16 de janeiro de 2014 16:20 (REPUBLICADA COM A TROCA DE UMA PALAVRA POR ????)

    Pedro, concordo que não é possível que não exista uma alternativa a ser refém da ASSAPE e Carvalho Hoskem. No entanto o que podemos fazer ? Enquanto só nos debatermos virtualmente não veremos resultados. Eu mesmo presenciei e reportei absurdos inimagináveis na Peninsula. Eu mesmo reportei a porcariada e área degradada deixada pela casa cor no outrora frondoso e lindo jardim da península. Para o blog deixar de ser somente um mecanismo de comunicação inefetivo precisamos de ações práticas. Eu sei da dificuldade no entanto não há outra escolha ou então esperar para isso aqui estar entregue as moscas e sem uma ASSAPE ( nem essa nem nenhuma ). Alguem ja reparou a infestação de pragas na península, incluindo cupins ? O que a ASSAPE vem fazendo ? Nada ! Alguem ja reparou os jardins com mato alto e muitas vezes careca em vários pontos ? A assape também não vem fazendo nada. As catracas e portarias em obra continuamente há mais de dois anos acoberta a sujeirada a que estamos vitimados..... Enquanto isso ir na Assape reclamar é certeza de ser mal tratado. Eu mesmo quando verifiquei que o ar condicionado do esqueleto da casa cor abandonado encontrava-se ligado ao meio dia sem ninguem dentro me dei ao trabalho de procurar a Assape que me respondeu dizendo que aquilo era da Carvalho Hosken... ????? os moradores desculpe o meu desabafo.
    Dessa forma precisamos de uma assessoria jurídica e de um grupo montado que tenha voz ativa e possa peitar essa gestão atual.

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    1. Devemos nos mobilizar, pois pagamos um preço alto de condominio/Iptu., se hover uma mobilização para 02 meses não repassarmos os valores., talvez acordariam

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    2. Bem antes de tentar marginalizar os adolescentes sobre motos deveria sim conversar com eles não ficarem tirado fotos escondidas parece que estão querendo marginazar os adolescente, so porque andam de motos gostaria que vc fosse feito uma materia com eles não falando mentiras
      como se fala...

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    3. Estou indignado com seu comentário vc esta marginalizando os adolescente poderia fazer um entrevista com eles pois, os que estão nessas fotos
      tiradas escondidas não sao arruaceiros........nem arruaceiros..........

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    4. São pobres coitados né? :(

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    5. Quero ver a hora que acontecer um grave acidente!!!! Quem será o culpado??? O atropelador ou o atropelado??

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    6. Educação vem de casa, muitos pais ñ querem nem saber, querem estar bebendo com os amigos... e os filhos??

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  5. Porfírio, Vc alertou que "pagamos um preço alto por algo que não desfrutamos".
    E se suspendermos os pagamentos a ASSAP até que restabeleçam a segurança prometida, o conserto da cancela e limpeza de plástico de dentro da mata!!! Que tal? Se não prestam o serviço, não recebem...

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  6. Aos 400 ou 500 folgados que querem transporte gratuito a nossas custas para o Centro da Cidade.Quem quer paga... Sistema pay per use, conhece???? O Estado já é muito benevolente com bolsa família e outros benefícios que levam as pessoas ao ócio.Querem pode criticá-los se aqui a classe média quer se dar bem as custas dos próprios vizinhos. Estranho que parece que a Assap está começando a gostar da ideia.
    .

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    1. Com certeza, deveria ter PAY PER USE para tudo, não só ônibus, mas parques, quadras, futebol, trilhas, etc. Cada cachorro que lamba sua caceta!

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  7. Muitas pessoas estão se mobilizando. Procurem o grupo "DESASSOCIAÇÃO AMIGOS DA PENÍNSULA" no facebook e participem do movimento. Dessa vez é pra valer!!!

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    1. Sou moradora da península, tenho orgulho de ser uma neste lugar, o que eu vejo de errado é a ASSAPE, quanto mais moradores, eles arrecadam mais condomínios, não investe na reestruturação da segurança, não basta organizar e limpar os jardins ou as cancelas, precisamos de reunião com o pessoal dos funcionários e seguranças pra colocarmos novas medidas pra controle de entrada e saída dos moradores, estas cancelas não resolvem nada se a portaria libera pra todos, cada morador deveria ter seu controle de entrada e identificação pela cor de um selo colado no painel do vidro do carro para a segurança se identificar se houver uma falha do controle da cancela.
      Dia deste entrei na península e comuniquei que sou moradora e eles liberam a catraca, sem perguntar nada,se colocarmos a catraca levantada dá na mesma, assim não precisa pagar a segurança da portaria....Dá vontade de testar que vou entrar só pra dar um passeio e sair depois pra ver se eles liberam também.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. A verdade é que a área é pública, sim. Podemos não gostar e até pensar e implementar ações que alterem essa condição mas, no momento, com as condições dadas, o controle de entrada só pode ser pro forma. Parece-me que não haja base legal que autorize nossa segurança privada a barrar a entrada de quem quer que seja nesse espaço, que é público. Na verdade, penso que até a abordagem que se faz nas cancelas seja indevido, constituíndo-se em constrangimento ilegal e passivo de sanção jurídica com boas chances de êxito, por parte de algum visitante mais aborrecido.
    É claro que o Estado é ausente em suas atribuições aqui. Mas nem pelo fato de efetuarmos benfeitorias passamos a ter o direito de apropriarmo-nos de uma área pública para nosso exclusivo benefício. Se assim fosse, todo aquele com recursos, que assim quisesse, poderia fazer o mesmo nas áreas que elegesse como "suas". Para que essa área possa ser reivindicada como particular, penso que a ASSAPE, após consulta, e representando os moradores, deva propor não apenas cuidar da área que sonegamos ao resto da sociedade, mas um acordo de contra-partida, quem sabe com a recuperação de outras áreas públicas ou outra solução qualquer.
    Isso não é barato, como barato não pode ser tornar-se dono de um pedaço significativo de terra na Barra da Tijuca, que os mais afetados gostam de lembrar ser do tamanho do Leblon...
    Esse negócio de tornar o público privado é coisa de Classe Alta, e gosto de pensar que ainda penso e faço parte da Classe Média, que leva esse país nas costas, apesar (e nunca com a ajuda) de uma classe parasitária que gosta mesmo é de capitalizar lucros públicos e socializar prejuízos particulares.
    Júlio Curvêllo
    Lago Verde, 303

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  10. Alguns comentários acima têm sentido, mas a grande maioria não tem o menor sentido. É preciso que as pessoas saiam de seus apartamentos , de suas cadeiras , "de seus computadores" , de suas piscinas (onde fofocam), e tenham a vontade de buscar informações corretas NA ORIGEM OFICIAL ,e não oficiosa , das mesmas . Ir na prefeitura, ir na sub-prefeitura, ir na Assape , falar com as pessoas responsáveis pela informação oficial, e não pela "fofoca destrutiva" . O principal problema da Barra da Tijuca , e a Península não é exceção, é a população heterogênea em educação ( não falo de dinheiro , não falo de situação econômica ) , e desinformada , e o que é pior "grita, esperneia, promove a bagunça" sem qualquer informação correta e oficial , divulga informações incorretas a fim de controlar a maioria que também é desinformada , e que também não tem vontade de saber a verdadeira informação . É mais fácil destruir , que construir. Vamos transformar a Península em algo melhor ? ! Se a sua resposta for sim , nós temos muito trabalho pela frente , esqueçam comentários que não ajudam em nada e ainda promovem a desmotivação , o desânimo e a baixa auto-estima. Viva a Península e os moradores que querem uma Península melhor , e não uma bagunça !

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