segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Incêndio em apto revela deficiências e despreparo em condomínio da Península

Bombeiros manifestaram surpresa e indignação ao verem que o Saint Barth não tinha sequer um brigadista

Foto de Bianca Cerqueira
Um incêndio que poderia ter tido consequências mais graves foi debelado no início pelos bombeiros no Saint Barth, às cinco horas da manhã desta segunda-feira, dia de São Sebastião, mas revelou deficiências nos equipamentos e despreparo dos empregados, que não conseguiram sequer se comunicar com a síndica "profissional" e deixaram de adotar providências elementares, como avisar aos vizinhos do apartamento sinistrado.

 "Ninguém do condomínio interfonou pedindo para que minha família deixasse o apartamento; eles que acordaram, viram a fumaça e os bombeiros chegando, e resolveram descer" - relatou uma moradora do bloco 4, onde ocorreu o incêndio. Seu apartamento é em coluna diferente, mas sua mãe mora em outro,  que foi invadido pela fumaça.

"Fui acordada as 4h da manhã com o telefone de casa tocando. Acordei assustada, já pensando em algo ruim que teria acontecido. Era a minha mãe, moradora do bloco 4, coluna 1, dizendo que estava ela e toda a minha família, incluindo parentes que estavam nos visitando, lá embaixo devido a um incêndio no 15o andar, e que era para eu ficar esperta, pois também sou do bloco 4, só que de coluna diferente". A família percebeu o fogo quando a fumaça entrava pela ventilação interna do banheiro, mesmo eles estando 5 andares abaixo.

Paulo Roberto, o morador do 1501, ainda tentou sozinho combater o incêndio, mas não havia água no hidrante e ele também não conseguiu conectar a mangueira. Acabou queimando a testa e tendo de sair às pressas de cuecas, enquanto bombeiros subiram, descobriram extintores e debelaram as chamas.

Foto Bianca Cerqueira
O tenente Padilha, que comandou uma guarnição que chegou rápido com quatro carros, trazendo escadas magirus e ambulância, manifestou-se surpreso e revoltado: nada funcionou no prédio, nem os sprinklers jorraram água do teto, enquanto os empregados não tinham nenhum treinamento e o condomínio não dispunha de um único brigadista especializado, como manda a lei. Situação semelhante pode estar acontecendo também em outros condomínios da Península, que tem desprezado tais providências.

Mesmo sem ter conhecimento e sem ter comando (a sindicância é exercida por uma empresa) os empregados tentaram se desdobrar para minimizar os danos.


Um profissional da manutenção ainda desceu até o subsolo 2 para bombear água para os hidrantes. Quando ligou a bomba, esta estourou o cano e inundou seu entorno, forçando-o a desligá-la.
 O fogo foi contido ainda na sala, onde se iniciou, mas o morador do apartamento preferiu deixá-lo de manhã e ir para casa de parentes. Os moradores que desceram por conta própria elogiaram a boa vontade do pessoal do condomínio, que procurou acalmar todo mundo, e a rapidez da chegada dos bombeiros, cujo quartel fica na Av. Ayrton Senna.
Mas demonstraram total insegurança com o despreparo do condomínio: "Esse fato levanta uma questão. Será que não houve aprendizado após o incêndio da boate Kiss? Ao que tudo indica (não podemos afirmar), o prédio não estava preparado para prevenir a situação, e graças a Deus não foi nada mais sério, além de danos materiais" comentou a moradora que nos enviou mensagem pouco depois das seis da manhã.
Uma integrante do conselho do condomínio reagiu ao ser informada:"isso é muito grave! Já falamos sobre esse assunto antes e por não ter havido ocorrências, não levamos adiante qualquer providência".  Ela fez uma lista de providências, que incluem o treinamento imediato dos empregados, mesmo pagando a uma empresa para isso, independente dos bombeiros terem esse serviço no Caju, como informou  um morador, que já fez treinamento.

Outro conselheiro comentou:  "Só um bombeiro não resolve,  temos que ter um plano de contingência e bem divulgado. Com alarme de incêndio dentro do apto ou nos corredores (esse me preocupa por causa dos trotes)".


A divulgação dessa ocorrência deve servir de alerta para todos os moradores da Península. Em seu condomínio há estrutura e pessoal preparado para evitar que um incêndio num apartamento vire uma grande tragédia?

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