quinta-feira, 27 de março de 2014

Apenas um estranho no ninho

Orçamentos robustos e moradores desatentos são objetos da cobiça de quem se autodenomina síndico profissional

Num país em que levar vantagem em tudo é tudo que motiva, em que é costume dá nó em pingo d'água para ganhar dinheiro fácil, em que o "por fora" dos 10% de "comissões" virou rotina na maioria das terceirizações, os moradores de condomínios de boa arrecadação são os alvos preferenciais de um novo tipo de cobiça, a dos autodenominados síndicos profissionais, pessoas e empresas insinuantes que se aproveitam de um certo vazio - a inexistência de condôminos com tempo, experiência, paciência, habilidade, dedicação e, em muitos casos, de credibilidade entre os vizinhos para assumir. Eles são protagonistas de uma burilada fraude semântica, que difunde uma espécie de "marca de fantasia".
 A fraude começa pela denominação: síndico profissional.  Isto quer dizer que há um ofício, o de síndico, embora não existam escolas, nem em nível superior, nem de segundo grau. Esse "profissional" não é submetido a nenhuma prova de avaliação, não tira uma carteira, como motorista; não é formado nem no SENAC, nem obtém um registro profissional após um curso de 4 ou 5 anos, como um jornalista, um advogado ou nutricionista, para citar apenas algumas PROFISSÕES.

Logo, o máximo que poder ser é um síndico terceirizado, um desconhecido, vindo de outros ares,  que vende a ideia de que se preparou para substituir o SÍNDICO NATURAL, o condômino, aquele que é, de fato, sócio patrimonial de um empreendimento,  que a ele está ligado umbilicalmente, onde vive com sua família e deve cumprir uma gestão passageira, tão eficiente quanto cordial, em rodízio, ou compartilhada com outros moradores.


O síndico terceirizado começou a aparecer inicialmente em condomínios comerciais, onde as portas se fecham ao anoitecer, exceções à parte. O mais famoso deles é o síndico do edifício Avenida Central, no centro da cidade, com centenas de salas e lojas. Mas os shoppings modernos hoje são obrigados a ter um profissional à frente, e há alguns muito elogiados, por que as lojas e consultórios sequer são vendidos, e sim alugados. Nesse caso ele é de fato um administrador geral de um grande empreendimento empresarial.

Já o síndico terceirizado nos condomínios residenciais foi  chegando em função de vários motivos, desde os mais nobres, como eventual conhecimento e a dedicação exclusiva, até os mais espertos, como a manipulação maliciosa de um gordo patrimônio dos moradores com fins exclusivamente pecuniários, gerando um dos melhores negócios em uma grande cidade: além de salários  elevados, a função lhe permite terceirizar tudo o mais, no que, dependendo do caso, pode reforçar seus ganhos.

O filão do "síndico profissional" passou a ser tão atraente que as próprias construtoras criaram empresas subsidiárias: quando entregam o empreendimento aos novos proprietários, já o fazem com cláusulas na convenção indicando que, por algum tempo, sua afiliada é quem dever exercer a função de síndico.

Nessa imposição antiética, visam igualmente neutralizar o direito do adquirindo, previsto na legislação federal. Durante os cinco anos seguintes da entrega, a construtora é obrigada a fazer uma variedade de serviços dentro de uma garantia. Mas quem vai cobrar?  o síndico que ela mesmo remunera através da empresa subsidiária?

Com a tutela do empreendimento no pós-venda, a construtora arbitra de fato o tempo e a forma da garantia. Em alguns casos, esse tempo passa a ser contado a partir da entrega do primeiro bloco.

Não vai ser um síndico da sua confiança, que está na sua folha de pagamento, quem vai quebrar lanças contra a construtora pelos condôminos prejudicados.

As administradoras também descobriram as vantagens de acumular funções: como elas movimentam as arrecadações, passaram a fazem as despesas, muitas inteiramente despropositadas, a seu bel prazer. E ainda cobram mais caro do que o terceirizado individual, sendo que "sublocam" a função, contratando prepostas que sejam preferencialmente pessoas jurídicas.

Serviços caros, de baixa 
qualidade e sem controle

Num condomínio pessimamente administrado, com um custo real de R$ 10,00 por metro quadrado (embora na planilha seja outro por somar apenas o principal), uma determinada empresa acumula tudo: é síndica (através de uma pessoa subcontratada) e é remunerada à parte como administradora, incluindo cobranças e pagamentos, compras e contratações de terceiros. Além disso, tem à disposição 12 empregados diretos pagos à parte pelo condomínio: um custo administrativo de R$ 60.000,00. Com os terceirizados, 112 pessoas constam como empregadas de um condomínio de 330 unidades.

Não obstante esse acúmulo de funções, essa empresa-síndica é quem licita os serviços e administra 34 contratos terceirizados, como segurança, exercida de fato por porteiros, sem qualificação para vigilante, que são sistematicamente  trocados. É comum deparar-se com um porteiro que está no seu primeiro dia, produzindo uma sensação de que o condomínio está entregue a desconhecidos como rotina.

Essa empresa-síndica é um exemplo do descompromisso perdulário: em janeiro, assinou contrato com uma "empresa" de pintura, - 3 profissionais, o pintor e auxiliares - por R$ 12.000,00, ou seja R$ 4.000,00 por cabeça. Só que não havia orçamento e nem disponibilidade para a compra das tintas.

Não se pode esperar muito de quem não é parte da sociedade condominial. Tudo o que se perdeu pelo que se fez ou deixou de fazer vai exclusivamente para a conta dos  proprietários. Se a piscina do condomínio tem uma parede rachada e isolada por bóias há mais de um ano, não faz diferença. Era para ter sido consertada no inverno  anterior, mas a administração forasteira se esqueceu de cobrar da construtora.   

Acompanhado de uma equipe com gerente e supervisores, o terceirizado é também um síndico invisível.  Com esse trânsito sempre engarrafado, pica a mula antes do sol se por. E não consegue chegar com o seu nascer. Durante a hora do expediente, também não é o síndico que atende.  Uma funcionária da recepção faz o primeiro atendimento. Se o morador tiver sorte, pode expor sua dúvida a uma gerente. A síndica está mais preocupada em receber fornecedores e empresas prestadoras de serviços.

Um terceirizado nunca assume sozinho. Como um delegado que muda de delegacia e leva a sua turma de confiança, ele tem seus terceirizados satélites. Cristaliza-se então um clima de cumplicidade e tolerância ostensivas. Antes do condomínio, e por cima de seus direitos contratuais, o síndico terceirizado se associa ao prestador, enganando ou omitindo diante dos moradores.

Mais um exemplo desse complexo condomínio clube. Este teria 100 empregados terceirizados. Teria, mas pode não ter, na prática. Há uma solução prática, a adoção do relógio de ponto digital e biométrico.  Durante esses anos, nesse condomínio, a empresa que acumula todos os poderes evitou a providência reclamada por alguns moradores.

Nesse mesmo condomínio, o contrato de segurança prevê rondas pelas garagens. Para isso, a empresa usaria um carrinho de duas rodas.  Ela começou a prestar serviço em novembro e esse item continua a descoberto. Pior é o motivo: o mini-veículo chegou há mais de um mês, mas com problema na bateria que não é resolvido nunca.  Enquanto isso, vários boxes de moradores foram arrombados nos subsolos, e acontecem sumiços de bicicletas e peças de motos.

Mais grave, como a empresa que há quase dois anos faz tudo (ou deixa de fazer) os subsolos já estão sendo usados para guardar veículos de estranhos num nível de abuso inacreditável: houve um tempo em que carros importados de uma agência de automóveis importados, todos da mesma marca, ficavam no segundo subsolo.

Mas há também o inacreditável: você não podia imaginar que uma empresa de tecnologia ia usar um apartamento de um condomínio tão sofisticado para suas atividades. Descoberta por acaso por um vizinho subsíndico do bloco, devidamente fotografada, a empresa permanece lá, lépida e fagueira, como se sob a proteção algum poderoso da aliança de interesses que manda e desmanda nesse condomínio de comando terceirizado.

Não estou aqui para dizer que nada disso aconteceria se o síndico fosse um morador. Mas, sendo um vizinho,  alguém que vive com seus filhos entre nós, ele deve pensar mais de uma vez antes de meter os pés pelas mãos. Até por que não é incomum o síndico transgressor ter de se mudar ao ficar mal na fita perante seus vizinhos.


Em suma: como diz o ditado popular, "o olho do dono é que engorda o boi"

12 comentários:

  1. Porfirio, o brasileiro não cuida e, tampouco, valoriza a sua pátria, que foi conquistada com sacrifícios e vidas humanas, como podemos exigir que ele cuide e valorize os seus bens materiais pessoais e comunitários?

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