quarta-feira, 2 de abril de 2014

Desencantos que desapontam

Despedida de conselheiro da Assape reacende discussão sobre a gestão verticalizada da Península

Na maior reunião já realizada Assape, há mais de um ano, Paulo 
Gianinni teve apoio quase unânime na questão dos transportes.
Mas nada andou até hoje, apesar da  consulta de 6 meses,
Há alguns dias recebi um documento que me deixou desapontado - era um e-mail do conselheiro Paulo Gianinni, do FIT, formalizando sua saída do conselho da Assape. Estava desistindo de um esforço gigantesco para fazer a associação ouvir os clamores dos moradores, sobretudo em relação à reformulação da política de transportes. 
Durante um ano de mandato, Paulo Gianinni se dedicou de corpo e alma à dupla tarefa - questionar a indiferença da Assape e nos manter informados: se possível também mais ligados.

Acompanhei passo a passo sua atuação determinada, quase solitária. E pude constatar que o modelo de atuação da entidade a que somos compulsoriamente obrigados a  nos filiarmos e a contribuirmos é um grande logro.

Antes dele, outro conselheiro, Saulo Loureiro, do Smart, também havia se desiludido. Os controladores da Assape não dão abertura e, infelizmente, movem-se por outros interesses e outras prioridades.

O desencanto de Paulo Gianinni, expresso no e-mail enviado a muitos interlocutores, me faz refletir sobre o exercício de um poder não representativo e insensível neste universo misterioso que compõe a Península, onde mais de 4 mil famílias se cruzam numa relação precariamente resolvida.

Paulo Gianinni se debruça em seu escrito sobre certos absurdos, cujo maior relevo é esse caríssimo sistema de transporte que não tem nenhuma serventia para os moradores e funciona mais como um mostruário, como já comentei outro dia. No caso, são R$ 250 mil gastos quase que inutilmente e de forma perdulária: para trajetos tão curtos não carecia ônibus rodoviário de uso interestadual, limitando a  46 passageiros sentados.

Mas essa é apenas uma mostra do  modelo equivocado de gestão, garantido pela contribuição compulsória inquestionável que supera o milhão mensal. Além de tudo, quando emite a cobrança para os condomínios, a Assape não toma conhecimento de inadimplências: assim, quem paga em dia ainda paga mais por que supre a falta de quem está em falta com o seu condomínio.

Em seu documento, ele afirma: "Os balancetes que recebo, e os que constam no site da ASSAPE, não são explicativos e transparentes como entendo que deveriam ser, especialmente quanto as despesas mensais da ASSAPE. Neles não constam as devidas assinaturas do Conselho Fiscal e da empresa de auditoria contratada.  Ao contrário,  constam em todas as fls. dos balancetes um carimbo com os seguintes dizeres:  “ESTE BALANCETE ESTÁ SUJEITO À ANÁLISE E REVISÃO DO CONSELHO FISCAL DA ASSAPE”. Logo, como posso concordar que mensalmente as receitas e despesas da ASSAPE estão sendo legalmente aprovadas?"

Agora, em abril, haverá a assembleia ordinária anual da associação.  As duas últimas não reuniram nem 50 pessoas. Como os representantes são credenciados a votarem pelos moradores do seu condomínio que não comparecerem, ninguém quer pagar o mico de chegar na AGO com o seu votinho. Que não terá nenhum peso, conforme o estatuto outorgado pelas construtoras, que faz lembrar as entidades engendradas pelos fascistas italianos.

Lembra também, diga-se de passagem, o "colégio eleitoral" que escolhia o novo general presidente naqueles idos de triste memória para todos os brasileiros.

E aí fico pensando: será que os controladores da Assape têm noção do que representa essa comunidade de classe média e razoável base de conhecimentos e exigências? Será que não percebe que o modelo vertical, autoritário e sem nexo com as preocupações dos moradores é uma bomba de retardamento?

Hoje, há um grupo mobilizando contra a filiação compulsória, que fere cláusula pétrea da Constituição Federal. Eu não me animei a tomar esse caminho, por que ainda acho que este espaço em que vivemos deve ter sua autogestão, já que o poder público está perdido e sem condições de responder por suas responsabilidades. Acho também que o poder local presume uma grande aliança de vizinhos para alcançar níveis ideais de qualidade de vida.

Mas, francamente, é difícil tentar dissuadir quem se sente barbaramente desrespeitado, numa afronta ao Estado de Direito e num desprezo por suas expectativas essenciais.


Refletir sobre isso hoje é de bom conselho. Para que amanhã não venhamos a chorar o leite derramado.

2 comentários:

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics