segunda-feira, 28 de abril de 2014

Nossa segurança, nossa vida

Por que expomos os fatos como eles são, fomos acusados de "textos tendenciosos e difamatórios". É mole ou quer mais?

video

Percurso perigoso: só não vê quem não quer.
Iluminação precária é o "sonho de
consumo" da a turma do "perdeu" .
Quando procuramos uma autoridade policial para cobrar a segurança devida pelo Estado, a primeira coisa verificada é a "mancha criminal" da área. Se as pessoas não prestam queixa ou se tentam esconder os fatos pensando numa presumível revenda, se ninguém fala nada, a autoridade já encontra uma desculpa para continuar omissa.
No caso da Península e no contexto da Barra da Tijuca vivemos uma situação insustentável, o que levou mais de mil pessoas a participarem de uma passeata entre o Parque das Rosas e o Bairro Marapendi, no último sábado, 26 de abril.  O presidente da ABM, Ricardo Magalhães, lembrou que o 31º BPM, que cobre Barra Recreio, tem hoje um efetivo de 400 policiais, o que dá 100 por dia numa área de 300 mil habitantes.

Os moradores da Península, igualmente assustados, têm usado as redes sociais para protestarem. Sugestões para uma manifestação semelhante à de sábado não vingaram até hoje. Por que o governo do Estado só tem olhos para as UPPs nas favelas, estas já em processo de desgaste e rejeição. Se em toda a Barra e Recreio o 31º BPM só tem 400 efetivos, apenas na UPP da favela do Jacarezinho, de 36 mil habitantes (números do IBGE), estão lotados 543 PMs. Ao lado, a de Manguinhos tem 588 para 35 mil moradores.

No entanto, uma "colega" diz que estamos difamando

Na contramão da indignação de quem não está reclamando nenhum "atendimento especial", mas um direito, ainda existem moradores fazendo estranhas acusações contra a divulgação do sufoco vivido entre nós. Isso não acontece por acaso. Veja esse comentário:

"Lamento esta campanha difamatória e tendenciosa contra a Península. Nosso condomínio, infelizmente, localiza-se na cidade do Rio de Janeiro, que está tomada por bandidos, milícias e traficantes. A violência é geral e a Península ainda é um dos lugares mais calmos. Volto a dizer que não concordo com esta campanha tendenciosa contra a Península. À nossa volta, as coisas estão MUITO piores".

Esse comentário, postado na matéria sobre a terça-feira de pânico e incerteza remete a uma reflexão: estão errados ou agem de forma tendenciosa e difamatória os moradores que reclamam da insegurança generalizada que atinge exatamente a quem veio morar aqui tendo como um dos principais atraentes a oferta de segurança, produto que escasseia não só na cidade do Rio de Janeiro, mas em todos os centros urbanos do país?

O correto seria o que? Repassar informações preciosas até para que as pessoas se previnam ou escondê-las como naqueles tempos em que o exercício da liberdade de imprensa foi bloqueado para que todos acreditassem num milagre de fachada?

É deplorável ter de tratar desse protocolo, mormente quando a signatária da acusação se  jacta de ter sido bamba quando exerceu a profissão de jornalista em veículos da primeira classe da mídia nacional. Para essa pessoa, capitaneamos uma campanha do mal:

"Torno a reafirmar que seus textos são tendenciosos e difamatórios".

Outras pessoas devem pensar como a "cara colega".  Se não, pelo menos as incorporadoras interessadas na venda rápida dos imóveis que compõem um estoque robusto devem se sentir no mínimo incomodadas, já que, se tentaram, fracassaram no sentido de que o Estado cumpra seu dever constitucional de proporcionar o mínimo de segurança aos seus cidadãos.

Pensam alguns o mesmo, sobretudo por que querem repassar o logro. Compraram apartamentos aqui crentes de que estariam livres de qualquer ameaça à sua vida, que podiam fazer o percurso mínimo pelo entorno sem o risco de serem rendidos a qualquer hora do dia ou da noite. E se amanhã tiverem necessidade de revender seus imóveis, ao invés de ajudarem dar combate a um quadro de omissão explícita, preferem guardar segredo desses fatos como condição para passar o mico adiante.
O foco da questão diz respeito a compreensão de cada um sobre a importância da informação livre como elemento positivo, reparador e de grande valia para o pleno exercício da democracia.
A mais dessa lógica cristalina é a compreensão social e contextual da difusão da notícia, da manifestação da dúvida e da insatisfação, elementos de referência na dialética midiática. Apesar da cabeça dura de quem acha mais conveniente apontar "campanhas tendenciosas e difamatórias" na vazão de acontecimentos do interesse objetivo dos moradores, proprietários ou inquilinos, os modelos de gestão mais consistentes estimulam a disseminação das notícias, boas ou não, sendo comum hoje a existência de ouvidores abertos a toda e qualquer reclamação.

O fato de estarmos numa cidade mal servida no quesito segurança não nos obriga ao silêncio fatalista. E nem nos condiciona a abrir mão da nossa indignação, querendo que ela seja considerada no contexto dos nossos direitos como cidadãos. Despropositado e demagógico seria se abríssemos mãos da segurança do Estado, pedindo que as autoridades olhem primeiro para outras áreas ou então que só ajam sem atenderem a todos simultaneamente.

Ao contrário da lógica, mesmo ante nossa indignação, as autoridades parecem propensas a nos oferecerem às feras. Como você verá no vídeo que fizemos, a Prefeitura entregou ao trânsito mais uma via com iluminação precária - ou nenhuma - uma espécie de prato feito para novas e apetitosas ações dos "amigos do alheio". Talvez quisesse essa ilustre jornalista que ocultássemos essas imagens também do seu conhecimento, pois, a seu olhar, estamos processando mais uma prática "tendenciosa e difamatória".


É profundamente patética a tritributação a que somos obrigados para desfrutar desse direito: além dos pesados impostos em todos os níveis, ainda somos obrigados a pagar a uma empresa de segurança contratada pela ASSAPE e a outra paga por nossos condomínios. Ironicamente, essa soma de gastos não nos garante nada, antes pelo contrário: a menos que nos sujeitemos ao nosso inesgotável apego às ilusões, ao faz de conta, o custo beneficio é zero em função do caráter farsesco dessa soma, mesmo  por que não há sequer entrosamento entre as ambiciosas e caríssimas vendedoras de "segurança", concorrentes em primeiro lugar.

Estaria difamando quem, cara pálida?

Por se tratar de acusações formais, fui consultar o Código  Penal e faço questão de transcrever aqui o seu artigo 139, que define o que venha a ser difamação, coisa que a "cara colega" poderia ter visto antes de usar expressões tão criminalizantes:

Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa."

Não satisfeito, abri o Código Civil e encontrei a mesma exegese definindo o objeto da difamação:

"Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória".

Já não esquento em relação ao termo tendencioso, por que aí não se configura crime, não está nos códigos e pode ser entendido como inspirado por uma tendência ou, como diz um dicionário, "que denuncia uma intenção secreta, uma ideia preconcebida, de impor uma opinião".

Nada é mais indispensável nos dias de hoje, principalmente para municiar os cidadãos do conhecimento de causa, como reclama a ABI e a Federação Nacional dos Jornalistas, do que o respeito ao Capítulo V da Constituição Federal (DA COMUNICAÇÃO SOCIAL), notadamente o expresso em seu artigo 220:

"Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV".

Provavelmente, alguns profissionais que não passaram pelo cerne da atividade jornalística entendem diferente. Isto é, que informar é difamar, como se devêssemos forçosamente esconder a vida como ela é.

Este não é meu caso, desde o dia 27 de fevereiro de 1961, quando tive a carteira assinada como repórter da ÚLTIMA HORA, a grande escola de Samuel Wainer, onde aprendi algumas coisas que podem não  estar ensinando hoje nas fábricas de diplomas e frustrações de escopo bem diferente, mais voltado para "moderno" o jornalismo de entretenimento, de fritar bolinhos.

12 comentários:

  1. Primeiramente sr. Pedro, boa tarde, gostaria de expor minha opinião sobre o seu jornalismo amador e sua postura quanto aos comentários postados aqui.

    o sr. precisa aprender a respeitar a posição e opinião de todos os que tem acesso ao seu "blog", não é com deboche que voce vai atrair pessoas para as suas ideologias. Concordo com algumas materias postados por voce mas esta ultimo eu tambem não concordei com seu posicionamento sobre a "terça do horror". Infelizmente temos problemas espalhados por toda a cidade e não sei o que te faz acreditar que seria diferente nas proximidades da peninsula. precisamos te politicas muito mais abrangentes do que dobrar ou triplicar o efetivo policial da barra. NÃO PENSE QUE POR MORARMOS NA PENINSULA SOMOS MELHORES DO QUE OUTRO ALGUEM DENTRO DESSA NOSSA CIDADE CONTURBADA. SOMOS TODOS CIDADÃOS E MERECEMOS RESPEITO E DIGNIDADE DE FORMA IGUAL .

    Com relação ao seu material jornalistico, acho muito tendencioso sim. Alem de querer usar este canal para fins políticos. O fato de voce ter feito uma conta de "portugues" para descobrir a população da peninsula e compara-la a quantidade de votos que voce recebeu nas ultimas eleições e ainda ficar triste, desapontado e desabafar dizendo que se sentiu traido pelo baixo numeros de votos recebidos...

    por fim espero que seja construtivo meu comentário, que ele não venha a censurado por quem diz lutar contra censura e que não seja alvo de deboche em seu blog.

    att

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    1. Você agora é anônima? Por que tanto ódio escondendo sua identidade? Pode deixar: apesar do seu subterfúgio, suas indignidades vão ficar aqui. Serão sempre de uma ANÔNIMA, que não tem caráter para assumir o que escreve..

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  2. Eu acredito em tudo e todos até que me provem o contrário. O trabalho do Pedro tem uma utilidade, quanto a ser tendencioso ou difamatório vou guardar minhas opiniões. NO entanto compartilho com os membros dessa comunidade a necessidade de um movimento estruturado e menos espasmódico do que esse que temos feito. Temos problemas sérios sim internos e externos. A Assape vira de costas a tudo isso e poderia estar mobilizada no intuito de atender aos moradores nos pleitos de segurança. Não é obrigação dela fazer a segurança das ruas da Barra, no entanto se conhecemos os pontos chaves onde a bandidagem tem feito a limpa porque não mantermos postos de segurança avançados nas imediações. Isso poderia ser feito pela Assape, Casa Shopping e Barra Shopping. E para tal a associação dos amigos da peninsula de nada serve.
    Minha pergunta é a seguinte, até quando e porque estamos reféns dessa maldita associação que é um verdadeiro assombro aos moradores da Peninsula. POrque não exigir daqueles que nós moradores remuneramos e muito bem por sinal ? Uma campanha bem feita de cobrança ou fora Assape geraria resultados com certeza.
    Quanto as questões difamatórias, pensem se fizermos uma campanha: não venham ao Barra Shopping e ao Casa Shopping pois correm o risco de serm roubados ou assassinados nos sinais de seus entornos. Não exito em afirmar que as duas empresas mobilizariam muito mais de recursos de segurança do que a famigerada ASSAPE que deveria ser daqui pra frente assustando os amigos da Peninsula. Pensem nisso, vamos nos mobilizar e dar crédito a quem tem tentado pelo menos informar às vítimas desse tenebroso cenário que vem se desenhando.
    Volto a profetizar, vejo a Peninsula em progressão de abandono com a Assape cada vez fazendo menos. Vejam os estados dos jardins, das quadras de tênis e das mesas plásticas que foram instaladas no bar do tenis em substituição as belas mesas de madeira com confortáveis cadeiras. Nem em condomínio de quinta categoria temos isso..... Fora ASSAPE !!!!

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  3. Que sirva de reflexão para todos, especialmente para os membros do Conselho Comunitário da Península e os administradores da ASSAPE, a frase do Anônimo acima: "NÃO PENSEM QUE POR MORARMOS NA PENINSULA SOMOS MELHORES DO QUE OUTRO ALGUEM DENTRO DESSA NOSSA CIDADE CONTURBADA. SOMOS TODOS CIDADÃOS E MERECEMOS RESPEITO E DIGNIDADE DE FORMA IGUAL ."

    Só em paz, conseguiremos debater de forma democrática, justa e transparente, os problemas e necessidades de todas as comunidades da nossa cidade.

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  4. Oi Pedro,

    Penso que este assunto seja mais profundo e mais delicado do que parece. De fato, muitos vizinhos compraram seus imóveis por preços altos, e a grande maioria tem valor venal na ordem dos Milhões BRL.

    O reflexo disso é um senso de proteção às avessas. Ao invés da proteção da vida vir em primeiro lugar, o que vem é a proteção do patrimônio. Eu vejo que a maior parte das pessoas que sofrem assaltos em nossas redondezas apenas registra um BO se este for estritamente necessário para o acionamento de seguros ou outros dispositivos de proteção ao patrimônio equivalentes. E quando não existe perda material significativa o morador prefere esquecer o problema do que admitir que sofreu uma violência. Isso sempre com pensamento subconsciente de não “manchar” a boa imagem de uma área dita como Nobre.

    Ora, esse tipo de atitude a longo prazo somente torna o território mais intimido para os bandidos. Se formos seguir ao pé da letra o ditado popular “Dê dinheiro, mas não dê intimidade”, chegamos à conclusão que estamos literalmente entregando o ouro aos bandidos.

    Além disso, existe uma sensação feudal em nosso espaço. Por não termos ocorrências exatamente dentro da península (dentro dos “Portais do Feudo”), as pessoas acabam enraizando o pensando “Isso acontece com os outros”.

    Ë triste admitir que existe muito pouco que possamos fazer, exceto por tentar, sempre que possível, abrir os olhos dos nossos vizinhos.

    Sinceramente,
    Ricardo

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