quarta-feira, 23 de abril de 2014

Todo mundo em pânico...

Tiroteio no Leroy e assaltos em engarrafamentos infernizaram a noite de moradores da Península

Engarrafamento na João Cabral de Melo Neto fatal. Nenhum PM aparece.

A terça-feira acinzentada de 22 de abril podia ter passado em brancas nuvens para os moradores da Península não fosse a surpresa de um trânsito engarrafado desde o cair da tarde. Não era para dar nisso: imprensado entre os feriados de Tiradentes e São Jorge, o dia em que os portugueses dizem ter "descoberto" o Brasil vinha de um prolongamento do feriadão iniciado com a sexta-feira santa, de onde as viagens de milhares de cariocas para outras cidades, apesar da tibieza da estação outonal. Quem saiu da Barra da Tijuca de manhã cedo não podia imaginar um retorno tão lento, mas foi o que aconteceu, principalmente na Avenida das Américas, na Airton Sena e na João Cabral de Melo Neto,  cenários contumazes de uma roda presa exasperante, onde também aconteceram acidentes em cadeia.
.
Trânsito parado atrás do Barra Shopping. Foto de Priscila Pereira
 Gonçalves postada às 8 da noite no REAIS AMIGOS DA PENÍNSULA
Se fosse só pela lentidão também não haveria mais o que lamentar para além da nossa agenda massacrante de lamentos sobre a desafiante imobilidade urbana. Mas pelas vias mais escondidas,  que serpenteiam o Barra Shopping e passam ao largo do Via Parque, onde não pinta um único policial militar para dar o ar de sua graça, os bandidos andam de moto e atacam motoristas dos carros parados no trânsito como se servidos de bandeja. E não deu outra.

Só que entre aos carros havia pelo menos um dirigido por um policial que não gosta de levar desaforo para casa. E à aproximação dos assaltantes ele fez uso de sua arma, iniciando um confronto que deixou todo mundo em pânico. Para alcançar os bandidos, foi tentando ultrapassagens e deixando alguns veículos amassados, conforme relato de um morador da Península, primeiro a mandar sinais de fumaça ainda de dentro da loja da Leroy Merlin, onde se refugiou das balas perdidas no primeiro momento.
Engarrafamento na Aírton Sena postado por Carolina Ridolfi
às 7 da  noite na página do REAIS AMIGOS DA PENÍNSULA 
- Tiroteio comendo solto na rua lateral à Leroy Merlin. Evitar essa área, tou refugiado dentro da loja - alertou pelo smartphone Alexandre Martins, acessando a página do grupo Reais Amigos da Península.  Eram oito da noite e pouco depois Ricardo Perrone avisou também pela mesma página, que se transforma na principal fonte de informações nessas horas.

- Não tá dando pra sair do condomínio. E não é modo de falar.

Desde o primeiro alerta, quem estava de carro a caminho da Península e quem esperava seus entes queridos se ligou direto nos comentários que iam sendo postados. Naquele mesmo momento, Copacabana estava em pé de guerra por conta de protestos pela morte de um jovem bailarino do morro do Pavão-Pavãozinho, já conhecido por sua participação no programa Esquenta, de Regina Casé.

Sabia-se também de outra confusão da Linha Vermelha, onde moradores colados à via na confluência com a Dutra pedem a construção de barreiras de proteção contra acidentes. E de um confronto de policiais com bandidos em Honório Gurgel, com três mortes.

CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA MAIOR
A Tv Record deu uma notícia sobre o tiroteio perto da Leroy, como postou Alexandra Fernandes. E o G1, citando fonte do 31º BPM, informou às 8 e 45: "Uma tentativa de assalto em frente ao BarraShopping, na Avenida das Américas, Zona Oeste do Rio, por volta das 20h desta segunda-feira(?), 22, deixou um criminoso morto e duas pessoas feridas. As informações são do 31º BPM (Barra da Tijuca).
Dois suspeitos assaltavam pessoas em um ponto de ônibus quando uma patrulha passou pelo local e iniciou a troca de tiros. Um pedestre e um policial ficaram feridos e foram levados para o Hospital Lourenço Jorge".
O link dessa informação foi postado na página do Reais Amigos da Península por Naty Rufino, já depois das dez da noite. Até a madrugada, ninguém conseguiu decifrar se o site G1 estava falando do mesmo tiroteio, por que nenhum morador que passou pelo Barra Shopping postou qualquer informação a respeito. E nenhum outro órgão da mídia falou de um tiroteio envolvendo a patrulha da PM, pelo menos até às 5 da manhã desta quarta-feira, quando esta matéria estava sendo escrita.

Na sequência de 75 comentários em 3 postagens durante as horas de pânico a maioria fazia críticas indignadas ao abandono total da área pela PM, numa hora em que o trânsito parado facilita a ação de bandidos em motos.  Dois deles resumem a revolta dos moradores:
" Nós moramos onde quem manda são os bandidos..." - Claudia Mendes Urnikes;
 "Que absurdo, estamos ilhados! Reféns da bandidagem ! A qualquer hora do dia ou da noite, toda semana mais e mais notícias novas. E a ASSAPE incapaz de usar todo os seu tráfico de influência (afinal são grandes construtoras com imensos projetos na região !!!!) para conseguir um policiamento ostensivo definitivo!" - Patrícia Galante de Sá.
Com esse clima de pânico instaurado na terça-feira em que também se festeja o Dia da Terra, Jussara Leal, do Mandarim, postou a uma hora da manhã já de quarta-feira:

- Alguém mais, além de mim e do meu esposo, está escutando barulho de tiros aqui por perto?

Questionada se não seria barulho de fogos, respondeu:

- Eram tiros, escutamos uns 4 disparos...fogos estão tendo toda hora.

Fica mais esse registro deplorável e deprimente. Hoje, estou concluindo a terceira matéria com pesquisas jurídicas sobre o nosso laudêmio, que é outro poço de situações confusas, mas esse quadro de pânico ganhou prioridade por que a SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA grassa e atormenta a quase totalidade dos moradores da Península.

20 comentários:

  1. O problema da violência não é apenas da Península, é de todo o Rio de Janeiro. No horário citado no texto, eu estava no meio de fogo cruzado, na guerra do Pavão-Pavãozinho. Em local, portanto, bem mais perigoso do q quem se abrigou na Leroy Merlin. E refiro-me a Copacabana, um dos bairros nobres do Rio. Lamento esta campanha difamatória e tendenciosa contra a Península. Nosso condomínio, infelizmente, localiza-se na cidade do Rio de Janeiro, q está tomada por bandidos, milicias e traficantes. A violência é geral e a Península ainda é um dos lugares mais calmos. Volto a dizer q não concordo com esta campanha tendenciosa contra a Península. À nossa volta, as coisas estão MUITO piores. Obrigada, ANGELA DUTRA DE MENEZES.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ângela. Só uma leitura bitolada para achar uma CAMPANHA DIFAMATÓRIA E TENDENCIOSA CONTRA A PENÍNSULA, pois o que queremos é exatamente o que temos direito: segurança, a mística central e o grande atrativo de quem não quer morar em bairros visados como Copacabana. Se você acha que está tudo bem aqui por que o pessoal do morro desceu em Copacabana, você está no mínimo sendo conivente com o total ABANDONA desta área vulnerável pelas autoridades de segurança. Já é uma blasfêmia pagar "seguranças" três vezes: ao Estado, à Península e aos nossos condomínios e vivermos sobressaltados. Nós temos direito, sim, a uma política de segurança decente: enquanto o 31º BPM tem menos de 500 homens, qualquer UPP de uma favela média tem muito mais efetivos. A topografia daquela área das João Cabral e Melo Neto exige mais do que CONVERSA FIADA. Lutar por isso, Ângela, É LUTAR PELA PENÍNSULA.

      Excluir
    2. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    3. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    4. Sr. Pedro Porfírio, bitolada ou não, entendo que a Península é logradouro público. Temos direito à presença de policiais da mesma maneira que todos os cariocas têm. Nada nos torna diferentes. Sua visão é distorcida. A cidade está praticamente em guerra civil. Batalhão nenhum vai pensar em nos dar proteção especial. Sou jornalista há 30 anos, encerrei minha carreira como editora da VEJA, nos bons tempos da revista. Insisto q a sua visão é unilateral. Digamos q o seu jornalismo não é moderno. Torno a reafirmar q seus textos são tendenciosos e difamatórios e sugiro q o senhor alargue os seus horizontes. Por mim, a discussão termina aqui. Não pretendo mais perder meu tempo com quem vê chifres em cabeça de cavalo e faz disto uma egotrip. Respeito demais a minha profissão que, infelizmente, já viveu dias melhores. Cordialmente, Angela Dutra de Menezes (Angela sem acento, por favor).

      Excluir
  2. mais um assalto em frente ao barra shopping

    http://extra.globo.com/famosos/mc-marcelly-do-hit-bigode-grosso-levada-por-bandidos-tem-carro-roubado-na-barra-12296224.html#ixzz2zv4TqJjm

    ResponderExcluir
  3. Estamos lutando por segurança sra jornalista!!!! PAGAMOS!!!!

    ResponderExcluir
  4. Moradores da Península, tem o mesmo direito à segurança, que qualquer outro morador da Barra, Ipanema, Tijuca, Madureira, Penha etc... Não sei por que tanta afronta com a situação descabrosa que acontece milhares de vezes em todos dos lados da cidade! Acostumem-se a isso ou saiam de suas prisões de alto luxo e vão às ruas protestar como fazem os pobres!!

    ResponderExcluir
  5. Antes os pobres que os pobres de espírito.

    ResponderExcluir
  6. Admirável : " Não pretendo mais perder meu tempo com quem vê chifres em cabeça de cavalo e faz disto uma egotrip. Respeito demais a minha profissão que, infelizmente, já viveu dias melhores. Cordialmente, "
    No mínimo muito engraçado. Não sei o que é que leva algumas pessoas a encerrar uma discussão assim.... Rsrs

    ResponderExcluir
  7. Pedro, adorei o fim do moderador. Espero que o nível dos debates não volte a cair. Quanto aoa "anônimos"', exceto aqueles que por facilidade ou desconhecimento preferem assim participar nos posts, outros fazem como os avestruzes: escondem a cabeça e deixam o traseiro exposto. Kkkkkk

    ResponderExcluir

Este espaço é livre para seu comentário. Saiba usá-lo evitando palavras agressivas e ataques pessoais ou inconvenientes.

Web Analytics