segunda-feira, 12 de maio de 2014

Em ato arbitrário, coronel me cassou a palavra e encerrou reunião de segurança

Sem respostas para as demandas dos moradores e dizendo-se contra instalação de cabine, reagiu quando falei que ele estava sendo repetitivo


O auditório do Barra Experience foi palco de uma reunião sem pé e sem cabeça do chamado Conselho Comunitário de Segurança da Barra da Tijuca, que terminou abruptamente quando o comandante do 31º BPM, tenente-coronel Rubens Peixoto, decidiu cassar minha palavra e encerrá-la, embora não fosse o presidente da mesa. O oficial da PM ficou irritado quando eu disse que ele estava sendo repetitivo e não apresentava nenhuma resposta às demandas dos moradores.  Como eu insistia em falar,  cortaram o som do microfone, configurando o final tumultuado, coroando uma sequência de intervenções em que as autoridades presentes dividiam-se entre desculpas, promessas e transferências de responsabilidade.
Para explicar as suas dificuldades no 31º BPM, ele deu números assustadores. Um batalhão é dimensionado para ter 824 homens. O seu, que cobre toda a Barra da Tijuca e Recreio, tem hoje apenas 366. Desses, 220 fazem trabalho de rua, o que corresponde a 50 homens por turno. Trocando em miúdos: para uma população superior a 200 mil moradores, o Estado oferece 50 PMs em cada horário.
Como "boa notícia", o tenente-coronel Peixoto informou que deverá receber nos próximos dias 46 novos recrutas. O presidente da ABM, Ricardo Magalhães, disse que esse número é insuficiente e pediu que não falassem em percentagem. "Esses 46 representariam um acréscimo de 20%, o que daria uma ideia irreal do aumento de contingente".

Respondendo a uma sugestão do representante do Atmosfera, Fernando, ele disse ser totalmente contra instalação de cabines policiais. "As que existem permanecerão,  mas não há hipótese de se instalarem novas, por que elas acabam imobilizando até 8 policiais. Se acrescentar uma viatura, então, teremos muitos homens no mesmo local".

A uma pergunta da conselheira da Assape, Marília Cavalcanti, sobre os cavalos que estiveram por aqui e foram úteis, segundo ela, disse que esses animais ficam num regimento de cavalaria em Campo Grande. Mas afastou qualquer possibilidade de trazê-los de volta, pelo menos até o final da Copa do Mundo.

Já o delegado Mário Silva, titular da 16ª DP, informou que 85% por cento dos assaltos na área são efetuados por motoqueiros. Ele sugeriu o emprego das motos no policiamento da Barra, mas depois de sua intervenção não se falou mais na ideia.

O  tenente-coronel Peixoto disse ainda que a presença de viaturas do seu batalhão nos arredores da Península ocorre em alguns horários fixos, que são do conhecimento da Assape. Ele também alegou dificuldades na ação dos seus homens pela indefinição das ruas da Península, se eram públicas ou não. Diante de respostas contraditórias de pessoas presentes, ele comentou que essa indefinição também dificulta seu trabalho.
Niza relata o constrangimento que passou ao ser assaltada
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Na reunião, a moradora Niza Moreira fez um relato do assalto que sofreu às 9 horas da manhã em frente ao O2 e relatou os problemas que passou depois da ocorrência. "Só passando pelo que passei é possível avaliar o que significa a falta de segurança". Quando ela perguntou se outros haviam sofrido o mesmo constrangimento, várias pessoas na platéia levantaram as mãos.

Antes do tenente-coronel Peixoto, que não havia chegado ainda, foi dada a palavra ao representante do Corpo de Bombeiros. Este focou seu comentário na necessidade dos moradores colaborarem no controle das casas de festas, muitas das quais funcionam sem a licença da corporação. Citou nominalmente o caso do Barril 8000, que ele fechou e só autorizou o funcionamento depois de cumpridas as exigências dos bombeiros.

De concreto, mesmo, nada. E o pior: segundo o representante da ABM, aumentaram os índices de assaltos na Barra, que registra o terceiro maior índice, conforme matéria da revista VEJA.  Agora, é esperar nova reunião, já na porta da Copa do Mundo: a de hoje, pelo menos, foi regada a biscoitos deliciosos, sucos e cafezinho.

Policiais que faltam aqui sobram nas UPPs das favelas

De fato, é gritante a insuficiência de cobertura policial na Barra e é mais gritante no entorno da Península, área que oferece várias alternativas de evacuação para os bandidos. Os 366 homens do 31º BPM já seriam por si uma demonstração do descaso das autoridades maiores, inclusive o governador, mas se compararmos à concentração de efetivos nas 37 unidades de polícia pacificadora instaladas nas comunidades periféricas, esse quadro ficará mais assustador: 28 das 37 UPPs têm mais PMs do que o 31ª Batalhão. Só no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio com 40 mil habitantes, são 543 homens; em Manguinhos, ao lado, ficam mais 588; Na Mangueira, próximo, 332 homens. Ao todo, as UPPs contam hoje com 9 mil 293 policiais, praticamente todos os novos recrutas incorporados nos últimos 7 anos.

Diante desse quadro que tende a se agravar no período da Copa, estou começando a achar que nossa vizinha Andréa Carvalho tem razão quando conclama todo mundo a rezar para ter a proteção de Deus, já  que das autoridades de segurança não muito o que esperar. Andréa postou na página dos Reais Amigos da Península uma conclamação em que exorta:

"Vizinhos da fé, vamos orar, clamar à Deus pelo nosso condomínio. Penso que poderíamos nos reunir em um dos parques, em uma grande vigília de oração. Não importa se você é crente, católico, espírita... vamos juntos nesta batalha, tenho certeza que o milagre vai acontecer.

QUEM VEM COMIGO? Que tal quinta 15/05 21:00 em frente ao campo de golfe? Eu estarei lá, vou vestir branco... Você vai me reconhecer! Levarei minha família e estarei orando pela sua".

O meu problema é que quanto mais eu rezo, mais aparece assombração.

22 comentários:

  1. Júlio Curvêllo12 de maio de 2014 22:23

    Não penso que moradores da Península, ou de qualquer outro "bairro nobre" devam, apenas em função de seu sangue socialmente azul, merecer mais proteção que o restante dos moradores da linda e violenta Cidade Maravilhosa.
    Isso posto, cabe ressaltar, entretanto, que o poder aquisitivo médio dos moradores da Península, se somado ao conhecimento prévio de sua vulnerabilidade (que já deve ser fato conhecido dos “profissionais do crime”), torna-a um alvo preferencial da bandidagem.
    Diante dessa lógica, é de se esperar que a criminalidade tenha um alto potencial de crescimento por aqui, o que condiciona e subordina a tese do primeiro parágrafo ao axioma do segundo.
    E isso, malgrado a Mancha Criminal possa não mostrar o que alguns moradores, já vitimados por essa conhecida conjugação de fatores, por força de um enviesado desejo de proteção patrimonial, insistem em esconder.
    Diferentemente de alguns bairros, onde a desvalorização, percentual ou absoluta, de seus bens imóveis não é suficiente para inibir a notificação de ocorrências criminais, aqui não são poucos os que preferem esconder o que seus bolsos não querem ver.
    Isso faz com que a Mancha Criminal da Barra e adjacências seja artificialmente reduzida em relação a outras localidades, por uma sub-notificação ainda maior do que a população carioca, por descrença e desesperança, já produz.
    Assim sendo, creio que as autoridades deveriam ter esse aspecto em consideração, para cogitar seriamente adotar medidas de coerção mais eficazes em nosso entorno. Quando menos, somos boas iscas para o pescador que tenha disposição de sair ao mar para pescar...
    Júlio Curvêllo
    Lago Verde - 303

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  2. Prezados(as),

    É injustificável um Comandante de Batalhão da Polícia Militar não saber distinguir área pública de área privada, principalmente no Bairro onde seu Batalhão é responsável pelo policiamento, e o pior, justificar conforme relato abaixo que "essa indefinição também dificulta seu trabalho".

    "Ele também alegou dificuldades na ação dos seus homens pela indefinição das ruas da Península, se eram públicas ou não. Diante de respostas contraditórias de pessoas presentes, ele comentou que essa indefinição também dificulta seu trabalho".

    Da mesma forma, é injustificável a ASSAPE não saber distinguir transporte circular de transporte de longa distância, e, moradores de não moradores.

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  3. Prezado Morador da Península Sr. Porfirio, quando você escreve: "O oficial da PM ficou irritado quando eu disse que ele estava sendo repetitivo e não apresentava nenhuma resposta às demandas dos moradores", concordo plenamente, e digo o mesmo com relação aos administradores da ASSAPE!!

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  4. Poderíamos substituir a segurança patrimonial da Assape, por segurança pessoal? Afinal, todos temos nossa segurança patrimonial nos condominios. Prefiro pagar para minha proteção do que a dos bens do Sr. Carvalho.

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  5. Por que a ASSAPE não envia para o Comandante do 31º BPM, uma cópia do Termo de Adoção de nº 56/2013, assinado em 27/08/2013 com a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, onde consta que as áreas comuns do Condomínio Península são públicas?
    Talvez assim, ele e seus comandados não tenham mais dificuldades em saber que a Península está localizada em ÁREA PÚBLICA!!

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  6. Oi amigo Pedro Porfírio - a ordem é criar facilidade para arrumar facilidadde. Querem aumentar a sensação de violência para venderem segurança, mais meganhas, mais armas e mais cacete na população.Hoje ele pede o seu voto, amanhã manda a polícia te bater, bem dito pelo saudoso poeta Moreira da Silva.

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  9. Não acredito que a solução esteja por aí.... Já pensaram na possibilidade da Assape estar querendo aumentar o nível de segurança encarecendo mais ainda a conta ? Alguém soube do assalto a Pet Shop no shopping nefasto chamado Peninsula Mall ? Cadê o coordenador de segurança da Assape ? Estamos reféns desses figurões e ainda por cima recebendo revistinhas em casa falando mil maravilhas que nem de longe passam pelos reais problemas desse bairro que outrora foi um paraíso.Movimentos espasmódicos só agravarão o problema. Nesse interim escuto de amigos que a Peninsula entrará em abandono e isso leva a crises de confiança, que levam a especulações e que leva a derrubada de valor de nossos patrimônios. Se a PM não pode resolver a segurança nós podemos resolver a segurança interna e juntos com Casa Shopping e Barra Shopping resolver o entorno. Basta a famigerada Assape se movimentar para tal. Esses mesmos estão de camarote a assistir toda essa situação. não deveriam estar sendo cobrados ? Ao invés do Porfírio estar lá se matando ( se por votos futuros ou não a verdade é que tem sido uma voz ativa ) não deveriam ser nossos empregados a estar lá brigando por isso ( membros da Assape ) ? Sim nossos empregados, pois somos nós quem os remuneramos para nada fazerem.
    No mais que autoridades são essas ? Despreparo até mesmo para um debate quiçá para entregar a segurança nossa de cada dia... O jeito é um comitê de interessados entrar em debate com a Assape para buscar uma solução que não dependa diretamente e completamente do estado. Quem se prontifica a, de forma estruturada, engajar nesse movimento ?
    Pedro, no mais acho que cabe sim uma reclamação formal ao comando da PM. Seguindo sua linha de pensamento, deixar impune significa adubar a semente do mal no já combalido (e quase morto ) estado do Rio de Janeiro

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  10. Para que discutir se as ruas da Península são públicas ou privadas se nós estamos clamando pela segurança no entorno e não aqui dentro.

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