sexta-feira, 9 de maio de 2014

Matando mosquito a grito

Pernilongos se multiplicam e adquirem defesas contra venenos, fazendo da raquete a salvação da lavoura
No princípio achava que os mosquitos se aproveitavam por que morávamos num andar baixo. Ouvi opiniões sobre a predileção desses meliantes por vôos rasantes.  Como moramos no segundo andar, de cara para os bandos mais numerosos, imaginei ter errado nos cálculos: por algumas patacas a menos fui cair na boca do lobo.
Logo esse terrível sentimento de culpa dissipou-se. Moradores lá do alto também estavam sofrendo o mesmo assédio vampiresco. As mutucas destes rincões tinham asas balísticas. Em linha direta ou com escala poderiam chegar aos píncaros, onde quer que exista uma pele doce ou quase. Ou mesmo, de uns tempos para cá, até as amargas.

Uma postagem do nosso vizinho João Miguel na página dos Reais Amigos da Península, ao cair da tarde da terça-feira, dia 6 de maio de um outono tímido,  acendeu o sinal de alerta, produzindo uma fieira robusta de comentários e depoimentos. A dramaticidade do seu apelo ecoou por todos os nossos 56 edifícios como se ele tivesse soltado um grito que estava parado no ar:

"Amigos, podem compartilhar suas táticas contra os intermináveis mosquitos? Moro no 16 andar e não tinha tanto problema antes, só que nas últimas semanas ficou insuportável! Alguém mais sentiu essa piora? A mudança não é nem na quantidade de mosquito (sempre teve), e sim no tipo do mosquito 2.0 (mais "espertinho" e que te pica!). Parece que só tem deles agora! Além das óbvias dicas da tela mosqueteira, repelente, SBT, alguém recomenda algo diferente e eficaz? Essas lâmpadas coloridas que repelem funcionam?"

Foi um "Deus nos acuda", literalmente. 68 frenéticos comentários amontoaram-se entre as sete da noite do dia 6 e a meia noite do dia 7. Um varal de depoimentos ricos e ilustrativos, que li como uma verdadeira aula, por que ali há relatos das mais variadas tentativas de bloqueio da ofensiva orquestrada da pernilongada. Tentativas infrutíferas, por que, como o crime organizado, esses sanguessugas estão sempre à frente das salvaguardas do bem.

E ainda nos acuam tanto quanto os bandidos, obrigando-se a viver por trás das grades e das telas, enquanto ambos circulam de um lado para outro como donos do pedaço e senhores da nossa liberdade.

Os relatos mostram uma versatilidade de alto teor corrosivo. "Eu era o sangue ruim. Os mosquitos do Basic 1 só atacavam o meu marido! Eu ficava ilesa enquanto ele acordava com sua raquete super turbo para matá-los. O que aconteceu agora é que esses mosquitos mutantes resolveram me adicionar ao currículo!!! Eles são de outro time mesmo! Está comprovado" - observou Viviane Mega com absoluta convicção.

André Cruz revelou dotes matemáticos: "Essa noite acordei as 2am.... pra matar 10 mosquitos que estavam no meu quarto... um inferno !!!! Esses mosquitos na Península são diferentes de tudo o que já vi... o pior é pensar na lagoa que adubou eles"...

Luciana Leal tem conhecimento de causa, como se viu no seu diálogo com Déborah Zaverucha Grossman na sequência dos comentários:
"Também notei uma piora absurda nos mosquitos!O repelente Exposis é o melhor que tem, o Off os mosquitos bebem como suco.Tomar vitamina do complexo B também ajuda, vocês sabiam?"            
 - "Eu também uso o Exposis, mas fico me perguntando se não faz mal usá-lo todos os dias no Leo, para ele ir para escola?"            

 - " É uma questão de pesar prós e contras - comentou Luciana Leal - Se ele não tem alergia ao Exposis vale a pena. Muito melhor do que usar todo dia corticóide e antibiótico para tratar as picadas dos mosquitos.Mas sim, repelentes são fortes e os mosquitos aqui da Península não respeitam os métodos suaves, como vela de citronela.Vc tb pode usar proteção mecânica, que seriam as roupas de mangas compridas".


Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come 

Há uma percepção de hordas de mosquitos de última geração, super-dotados, já imunizados de berço contra os produtos mais comuns. São os que Samara Motta chamou de "mosquitos 2.0", cuja postagem também fez lembrar a fatalidade de "se   correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come".



"Isso é uma vergonha rs, mas aqui em casa cada membro da família possui sua raquete. Além disso, durmo sempre com repelente nos braços e mãos. Hoje fui acordada as 5:30hs com um picando meu dedo. Esse mosquito 2.0 ama dedos!!! E sim, notei uma piora grande na mosquitalhada. Fiquei impressionada no sábado retrasado quando fui na praça as 17hs e estava com uma nuvem de mosquitos. Eu parei uns 2 minutos e tinham uns 7 mosquitos grudados na minha perna e eu me senti como um rato sendo dado a uma cobra de cativeiro. A coisa aqui está complicada!!! Vi o carrinho de fumacê jogando veneno na trilha e aí vc já viu né....eles voam em retirada para dentro do condomínio!!!

Entre nós, vi que as raquetes fazem enorme sucesso, pois juntam o útil ao agradável e nos envolvem pessoalmente no confronto, dando-nos uma secreta sensação de vingança, isto é, saciam simultaneamente nosso consciente e nosso inconsciente.  

Vejam o que li:

Mayara Neves:  Raquete! Uma em cada cômodo rs... sim, as vezes fico com duas raquetes nas mãos! Haha!
Felipe Freire: a raquete dorme comigo:
Anna Rosa Dambra: Já usei de tudo, mas a única coisa que mata os malditos é a raquete!!!!! Uma em cada cômodo devidamente carregada;
Daisy Cortezi: Vivo com raquete, não aguento;
Lídia Araujo: Raquete elétrica de matar mosquitos é o que está ajudando a suportar esses "vampiros" disfarçados de pernilongos!!!!!!!!!

Poderia enfileirar aqui muitas outras observações pertinentes que comporiam uma cartilha de meios e modos no enfrentamento às hordas de pernilongos & Cia. Mas todo o receituário exposto pelos moradores está disponível na página do faceboock dos Reais Amigos da Península, cada vez mais dinâmica e mais útil.

No Dr. Google e no You Tube há outra variedade de receitas contra mosquitos, das mais científicas às mais doidas. Aqui ao lado,  na "Tv Península", postei dois vídeos para sua degustação. Um fala de uma armadilha caseira inventada por um professor da UFRJ e outro é uma maluquice incendiária, que encontrei em vários filmetes.

Em outros, entre as soluções domésticas, observei a quantidade de pessoas que recorrem a essas embalagens de ovos, cuja fumaça mandaria os mosquitos pro brejo. Pelo que entendi, o seu uso implicaria no aumento do consumo de ovos, pois cada caixa daria para uma noite. Lembrei-me dos antigos espirais usados no passado, mas também li na internet um desabafo sobre eles: "coloquei aqui no quarto e estou no meio da fumaça, e os mosquitos me jantando embaixo da mesa nas pernas".

Estamos, pois, diante de um enfrentamento desigual. Se os mosquitos daqui já transformam o OFF em suco, como observou Luciana Leal, nada os abate tal como naquele depoimento de um jovem delinquente: a polícia mata um, aparecem dez pro seu lugar.

Temos que admitir que o ambiente favorece à proliferação de mosquitos e insetos, pois a Península foi erguida sobre um manguezal, apesar de questionamentos do Ministério Público, o que levou a Carvalho Hosken a investir durante 17 anos R$ 20 milhões para revitalizar a orla e o ecossistema nativo degradado. De fato, a Península é um dos poucos manguezais habitados em área urbana no mundo.

A defesa das nossas peles tem que levar em consideração essa realidade.  E presume ações permanentes do fumacê, que reduz sensivelmente a pressão dos mosquitos. Enquanto isso, cada um de nós vai fazendo o que pode: em nosso apartamento, recorremos a tudo: não é exagero dizer que estamos matando mosquito a grito.


Uma armadilha caseira que pega logo um monte de mosquitos
Renata Figueiras Dias, sempre atenta, também foi correr atrás de uma resposta para a avalanche de pernilongos que nos atormenta. E postou na página dos Reais Amigos da Península uma armadilha caseira. Veja:

Em dias quentes, os mosquitos não nos deixam dormir, por isso deixamos aqui uma armadilha caseira para ajudar a capturar essas criaturas traquinas e longe de nossas crianças sem o uso de produtos químicos na pele.

Os itens necessários:
1 xícara de água
1/4 de xícara de açúcar (marrom se é melhor )
1 grama de levedura
1 garrafa de 2 litros
COMO :
1. Corte a garrafa de plástico no meio.
2. Combine o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar , em seguida, despeje a mistura na metade inferior da garrafa.
3. Adicionar levedura . ( Não há necessidade de misturar ). O dióxido de carbono, o que atrai os mosquitos é criado.
4. Colocar a parte do funil  de cabeça para baixo na outra metade da garrafa , juntá-los com fita adesiva.
5. Envolver a garrafa com papel preto, deixando o topo descoberto. ( Os mosquitos também são atraídos pela cor preta.)
Altere a solução a cada 2 semanas 
Para mais informações sobre a proteção da pele contra picadas de insetos, clique aqui : http://bit.ly/kPUOqh
ou aqui para ver um vídeo com conselhos sobre os cuidados da pele e informações do bebê sobre repelentes : http://bit.ly/1dnj041


17 comentários:

  1. Questionei a ASSAP sobre este sério problema e responderam que passam regularmente o fumacê aqui, mas do outro lado da lagoa ninguém faz nada, então, eles voltam pra cá. Sugeri a Prefeitura que utilize os pequenos aviões de lavoura ou aqueles que sobrevoam a praia fazendo publicidade para desinfectar as matas e comunidades que circundam as lagoas. Que tal?

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