sexta-feira, 23 de maio de 2014

Pra gente ler e refletir

Ao divulgar o meu tumor, quis tão somente contribuir para a compreensão tranquila do ciclo vital

Considerando nossos hábitos e costumes, nossa cultura, nossas paranoias e nossas idiossincrasias, obrigo-me a pedir desculpas a todos por compartilhar um sofrimento pessoal, que enfrento com a dignidade pétrea do meu caráter, mas que dei uma dimensão para além da célula familiar.


Digo-lhes, porém, que não foi uma atitude instintiva, impensada. Pelo contrário: sendo um profissional de comunicação, um homem de vida pública que bate à sua porta rotineiramente e conhecendo a carga traumática, o tabu, de um câncer, imaginei oferecer pela transparência disseminada uma contribuição à compreensão do ciclo vital, algo que me foi possível provavelmente pelos cabelos brancos, pelo caminho longo já percorrido.

Não faz muito, um colega jornalista ficou sabendo de um câncer no pulmão no passar dos 70 anos. Inquieto e brilhante por natureza, com uma trajetória profissional admirável, ele teve uma reação absolutamente negativa. Caiu numa profunda depressão, o que, segundo a família, levou a apressar seu óbito.

Este não foi o único caso e provavelmente essa enfermidade estigmatizada tenha feito vítimas também em sua família. Qualquer abalo à saúde pode nos tirar do sério. Pode emocionar e impor sofrimentos igualmente a nossos entes queridos. Quando se trata de um câncer a ideia generalizada é de uma sentença de morte.

Sei disso como qualquer ser humano. Imagens contraditórias nos tiram o sono - o que no meu caso é crônico. E temos reações conflitantes: se de um lado assimilamos como inevitável o espectro da morte, de outro sentimos impulsos de repulsa, uma vontade explosiva de continuar vivendo, partilhando do carinho entre os próximos e doando-nos à arena por nossos ideais.

Quando optei por divulgar o aparecimento do CHC - carcinoma hepatocelular - avaliei a possibilidade de irradiar otimismo numa situação adversa e misteriosa, como se procurando informar aos amigos e leitores dessa receita: não deixou de ser um ato de fé e esperança, dessa fé que remove montanhas, embora minha natureza imponha coerência. Em relação a isso, seria desonesto ampliar a dimensão das minhas crenças só por que estava em perigo.

Em nenhum momento, porém, quis bancar o irmão-coragem. Não quis e não quero por que nada garante hoje que vencemos essa guerra. Quem tem um câncer sabe muito bem que ele é teimoso e insistente: some aqui e aparece ali até com mais bala na agulha.

Também não passou pela minha cabeça fazer proselitismo. Mais do que aos outros, o enfrentamento digno da notícia macabra revelou em mim uma força interior que desconhecia. Lembro que na minha infância tinha medo de passar por cemitérios e que até hoje sofro ao entrar num hospital. Não foram poucos alguns grandes amigos que deixei de visitar no leito de um câncer por temer desmanchar-me em lágrimas à sua frente.

Desse episódio ainda não concluído aprendi e repasso algumas lições:

1. Cuidado com a alimentação.  Recebi artigos de amigos e fui aconselhado a ler um livro -  o Anticâncer,  de David Servan-Schreiber - que deixaram muito claro o peso da alimentação na saúde das pessoas.

2. Fazer os exames preventivos.  Esse meu CHC foi detectado por acaso, a partir de uma ultra-sonografia do fígado, em função da esteatose hepática. O tumor estava com 3,8 cm e isso permitiu o tratamento à base da radiologia intervencionista, uma técnica moderna pela qual optamos.

3. A força da solidariedade.  Jamais imaginei que tantas pessoas me presenteassem com mensagens emocionantes de força, energia e carinho. Muitas, nem tive o prazer de conhecer pessoalmente. Algumas jogaram todo o peso de sua fé em Deus para me socorrer. Algumas, como o senador Cristovam Buarque, às voltas com os grandes problemas da República, fizeram questão de comunicar-se comigo diariamente. Essas manifestações generosas tiveram e têm um valor incomensurável.

4. Encarar os fatos com a indispensável tranquilidade. A meus filhos preocupados tratei de tranquilizar com todos os argumentos, em vista de qualquer desdobramento. Perguntava - e pergunto - a eles: se você conhecer alguém que não vá morrer um dia, aí, sim, poderei reclamar do destino. E com muito convicção tenho repetido: morrer será a última coisa que farei na vida.

No mais, a vida continua para todos nós. Espero estar chegando a você com meus escritos, sempre inspirados na melhor das intenções e nos ensinamentos de alguns mestres, como Victor Hugo, para quem  "entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa". Ou  Cícero: "a verdade se corrompe tanto com a mentira, como com o silêncio".

16 comentários:


  1. Acho que as notícias sobre o seu tratamento são um alento àqueles que gostam de você e uma fonte de esperança para os que estão passando pelo mesmo desafio. Continue assim! Firme, forte e ajudando as pessoas através da informação.

    Beijos,

    Livia.

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  2. TORCENDO POR VOCE, A QUEM MUITO ADMIRO, NUNCA DEIXO DE LER SEU BLOG, SENDO MORADORA DO PENINSULA E TENDO FILHOS QUE CIRCULAM NO ENTORNO,VIVO APAVORADA, QUASE DEPRIMIDA COM A ASSUTADORA FALTA DE SEGURANÇA. VIVO COM MEDO. QUE VOCE VIVA POR MUITOS ANOS

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  3. من المعروف ان تنظيف المنازل من بين اهم الخدمات الضرورية في التنظيف والترقية بمنازلنا الى مصاف المنازل العصرية والتي عرفت تنظيفا عصريا من شانه ان يوفر لساكنته ظروفا حياتية راقية ولابد من توفر هيئة تختص في المجال مع تقديم ضمانات متكاملة من شانه ان تجعل الافراد يضمنون نجاح خدمة التنظيف ولا حاجة للمزيد من ضياع الاموال عبر طلبات خدمة تنظيف المنازل التي لا تلبي حاجياتهم ولا تتماشى مع رغباتهم لأن العديد من شركات تنظيف المنازل تسعى فقط الى عرض خدماتها عبر طرق ترويجية فحسب من اجل كسب المال فقط دون مراعاة الوازع الاخلاقي والضمير المهني الذي يحتم على مدراء مثل هاته الشركات ان يسعوا خلف ارضاء العملاء ليس اكثر من هذا عبر اتقان تنظيف المنازل .
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