quinta-feira, 12 de junho de 2014

Apenas uma leve desaceleração

Venda de imóveis na Península reduz velocidade e preços têm queda discreta em alguns casos, mas o mercado imobiliário continua firme

Mesmo com a redução na velocidade de venda, a Península mantém  preços estáveis
Com quase mil unidades em oferta só entre revenda e estoques, sem contar os dois lançamentos recentes, a Península sofreu uma ligeira desaceleração na procura de imóveis, fazendo com que alguns tenham registrado uma discreta queda nos preços: já há casos de apartamentos prontos e de revendas em que o metro quadrado está sendo oferecido por menos de R$ 10 mil. Mas há também apostas no financiamento: com 15% do valor, a pessoa pode adquirir um pronto, parcelando o restante em 15  anos diretamente com o incorporador. Nessas ofertas, o m² gira em torno de R$ 12 mil.
Esse número de disponíveis representa quase 15% das unidades prontas. Foram as transações com unidades mais caras que sofreram a freada. Na revenda tem muitos proprietários oferecendo sem sucesso os de preços superiores a R$ 2,5 milhões, conforme anúncios nos sites das principais imobiliárias e na mídia especializada. Segundo uma corretora que trabalha aqui há muitos anos, alguns estão com dificuldades de pagar os financiamentos e se vêem obrigados a passar seus imóveis adiante. Outro profissional da área acha que a expectativa de queda futura nos preços é também motivo que leva à revenda. Em sua opinião, porém, os valores podem se estabilizarem, mas não há hipótese de que caiam.

O índice FIPE-ZAP mantém até agora a  tendência ascendente: em um ano, os imóveis da Barra registraram valorização de 8,0%. De dezembro a maio de 2014, esse índice registrou uma alta de 3,3%.  Segundo corretores, descontos superiores a 10% têm ajudado a fechar os negócios.

Sem risco de bolha

O risco de bolha no Brasil, no entanto, é descartado por especialistas do setor. Levantamento do FMI indica que os imóveis nas principais cidades do Brasil subiram nos últimos 12 meses 7,4%, contra um alta de 6,6% nos Estados Unidos, e aponta para o risco do que uma "outra alta insustentável", nas palavras de Min Zhu, seu vice- diretor gerente.

Em reportagem de O GLOBO desta quinta-feira, Otaviano Canuto, consultor sênior para os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Departamento de Desenvolvimento Econômico do Banco Mundial, diz que não vislumbra no Brasil formação de bolha imobiliária. Para ele, houve ajuste de preços relativos, que devem se estabilizar em patamares elevados.

— Já começa a haver uma reversão, algum declínio, mas não vejo um derrame de imóveis no mercado que vai derrubar os preços — assegura.

Canuto afirma que, na verdade, o FMI criou parâmetros para acompanhar o mercado imobiliário, a ponto de prever bolhas que antecederam crises econômicas de grandes proporções.

— Eles criaram um termômetro para estabelecer comparações, num campo em que havia dificuldade para conseguir os dados.

Diferenças nos perfis do mercado

Na mesma matéria, Carlos Langoni, diretor de Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-presidente do Banco Central,  afirma que não há risco de bolha no horizonte, nem na Europa, nem nos Estados Unidos e, muito menos, no Brasil.

— No caso brasileiro, a valorização dos imóveis é muito diferente das bolhas nos Estados Unidos, na Espanha e no Japão. Nesses países, as bolhas foram consequência de juros reais (descontando a inflação) muito baixos e até negativos (menor que a inflação) por longo período de tempo. Isso é uma anomalia e não deve ser observada em uma economia equilibrada.

Já o Brasil sofre da doença “ao contrário”, com juros reais entre os maiores do mundo, diante da nossa necessidade de consolidar a estabilidade após décadas de inflação explosiva. Para Langoni, a valorização vem do déficit crônico habitacional brasileiro, da falta de estímulo à construção civil e da renda estagnada.

— A expansão da renda alimentou a demanda por novos imóveis. E a oferta respondeu com defasagem, como sempre acontece. Também apareceram nesse mercado novos atores, com os bancos privados oferecendo crédito habitacional, além da mobilidade social, com a classe média tendo acesso à casa própria — explica Langoni.

Ele chama a atenção para o fato de as altas mais fortes no mercado imobiliário brasileiro estarem concentradas nas grandes metrópoles, citando a Zona Sul do Rio e os Jardins, em São Paulo.

— No resto do país, esse avanço é menor — afirma o economista. — A situação no Brasil se encaminha para uma normalização. A oferta de imóveis está maior e o crédito, mais seletivo.

Nos Estados Unidos, os preços, segundo ele, ainda estão em recuperação. Não voltaram aos patamares de antes da crise de 2008. A Europa, que está com juros negativos — exibindo, portanto, uma das condições para formar uma bolha imobiliária —, também não preocupa Langoni. Na opinião do economista, os Estados Unidos já avisaram que vão começar a subir a taxa básica de juros no ano que vem, e a Europa deve começar esse processo em 2017.

8 comentários:

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