segunda-feira, 16 de junho de 2014

Compras compartilhadas

Uma prática que reduz muito os preços e pode dar certo aqui só com moradores na Península
Nestes exemplos, já temos os preços com os custos adicionais

Outro dia, aflito com a invasão bárbara dos mosquitos, fiquei feliz ao ver dois rapazes vendendo as conhecidas raquetes elétricas naquele sinal que cruza a Avenida das Américas, junto ao Barrashopping. Já tinha passado na Casa e Vídeo do Via Parque e não restava nenhuma. Aliás, só ficara o preço: R$ 19,00 por aquela raquete à pilha.
 Abordei o vendedor "informal" e ele pediu de cara R$ 30,00 pela que carrega na tomada. Chiei, como não podia deixar de ser. Entabulada a negociação, chegamos a R$ 20,00, desde que eu levasse duas. Não tive alternativa. As duas raquetes à pilha que tinha em casa não davam conta da mosquitada.

Lembrei-me então de um lugar onde varejistas, formais ou informais, compram produtos made in China.  Sempre ia lá,principalmente quando trabalhava no Centro.  Ultimamente, porém, tenho evitado aquela muvuca: além do trânsito a passos de cágados, estacionar por ali é uma aventura. E custa uma fortuna.

No sábado, tomei coragem e fui lá. É um aglomerado de lojas de chineses, que fica ali  junto à Praça Tiradentes, na Rua Luís de Camões e perpendiculares. Fartei-me em algumas bugigangas, que são úteis e baratas.

Lá tem uma regra. Você compra melhor no preço de atacado, que exige geralmente a compra de 6 produtos iguais. Quando leva apenas um, eles aplicam 50%. Mas tem muitas novidades inteligentes da China. Às vezes vale à pena comprar a mais para depois repassar para familiares e até dar de presente.

Na volta, tive uma ideia: por que não propor aos vizinhos da Península compras compartilhadas? Eu compraria sempre pelo preço do atacado e ratearia a gasolina, estacionamento e custos indiretos, embora de forma aleatória, até ter um critério matemático preciso.

À medida que fosse lá, ia conhecendo mais os locais em que se vende por menos.  Isto por que, dependendo da localização da loja, o mesmo produto, como a raquete, pode sair mais caro. Havia uma loja que aceitava 3 no preço de atacado, mas cobrava R$ 10,00 por unidade. Já a outra, que exigia 6, vendia por R$ 7,50.

No chute, aplicaria de 30 a 40% sobre o preço de lá. Se levasse muitos produtos, essa poderia ser uma margem tranquila; se não, o custo adicional, na prática, seria mais pesado. Mas como envolveria inicialmente pouco dinheiro na compra, não haveria o que lamentar. Afinal, vou lá de vez em quando, independente de ter outros parceiros na compra que chamaria de compartilhada.

Mas se houvesse interesse, iria procurar quem vende para aquelas lojas. Aí, teríamos ainda preços melhores. Assim como já pesquisei a existência de outros atacados, quase sempre localizados na área da Washington Luiz, Avenida Brasil  e da Baixada. Houvesse interesse, iríamos lá também. A única coisa que desejo é não ficar no prejuízo. Se empatar, já fico feliz. Se der uma margem pelo "serviço", melhor.

 Em 1976, implantamos a compra conjunta de alimentos

Na feirinha da Lauro Mulller, nós íamos comprar
frutas e legumes diretamente no CEASA.
Semanalmente, trazíamos 10 toneladas para a rua.
Em 1976, quando fui síndico do Edifício Alfa ( cuja taxa reduzi em 30% no segundo mês) e presidente da primeira Associação de Moradores de classe média do Rio de Janeiro, a ALMA, da Rua Lauro Muller (vizinha ao shopping Rio Sul)  organizei um sistema de compra conjunta de produtos hortigranjeiros, frangos e ovos. Teve tanta repercussão que foi objeto de reportagens do Jornal Nacional e dos demais.

Consegui com o amigo José Colagrossi dois caminhões da sua construtora e um grupo ia fazer as compras no CEASA toda sexta-feira à tarde. Naquela época, começavam a vender às cinco da tarde.

Quando retornávamos, ali pelas 11 da noite, mais de 100 voluntários faziam a separação dos produtos em pacotes de um quilo, usando balanças caseiras.  No grupo havia, inclusive militares reformados, que moravam no edifício 96, financiado pela carteira de crédito do Clube Militar e era conhecido como o milicão. Entre eles, três generais: um cearense, o general Cabral, mais antigo, o general Mário e um outro que não me recordo o nome.

Já pela madrugada, procedíamos o repasse, dando prioridade aos voluntários.  Os  preços saiam pela metade da feira. Além disso, fazíamos uma seresta e muita gente participava.  O projeto foi depois imitado pela Famerj, mas, um ano depois, tivemos que suspendê-lo: como acontecia numa praça, que tinha o nome do primeiro presidente da ALMA, o general Leandro Figueiredo, começou a aparecer gente de vários bairros e não tínhamos como restringir as compras.

Negociamos com a CEASA, que instalou na Lauro Muller uma feira dos próprios atacadistas de lá. E acabou virando esses sacolões, como temos aqui. Falo muito a respeito nos meus livros O PODER DA RUA, da Editora Vozes, e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA, da Fábrica do Conhecimento.

Será que essa ideia cabe na Península?

Peguei alguns produtos e calculei quanto sairia para cada parceiro, já incluindo a divisão do custo. Veja pelas fotos.

Aqui em casa, há quem diga que o morador da Península não se interessaria para comprar esses produtos. Será?  Certamente não ficaríamos só neles. Já pesquisei pelo menos 10 atacados que, ao contrário, do Makro, realmente vendem mais baratos, embora outros tipos de produtos.  Veja a quadro no pé desta matéria. Já conversei com alguns vizinhos e estes até se interessaram em ir lá conhecer esse pedacinho da China no Brasil. Fica a sugestão. Gostaria de conhecer sua opinião. 
Escreva para o nosso peninsula@pedroporfirio.com




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