domingo, 27 de julho de 2014

E os nossos filhos, como ficam?

À falta de atrativos na imensidão dos espaços, os meninos da Península seguem a tendência do lazer virtual

Numa certo dia de maio recebi uma mensagem de um adolescente pelo faceboock. Ele pedia apoio a um antigo pleito do seu grupo – um espaço para a prática do skate, como existe em outros condomínios. Marcamos encontro para uma terça-feira, ao cair da tarde, num dos nossos parques. Na segunda, ele me escreveu, suspendendo a conversa. Passou o outono, o inverno chegou e, por alguma razão que a própria razão desconhece, o garoto nunca mais me contatou.
 
Mesmo assim, guardei o texto de sua mensagem, que me parecia de alguém muito consciente dos seus desejos justos e das dificuldades e incompreensões que ele e seus parceiros sofriam. Fiquei observando a Península como se eu fosse da sua idade, até por que, por todas essas décadas e tantas procelas sempre achei uma balela essa falácia de "conflitos de gerações".  

Vi que, independente da falta de espaço para dezenas de meninos que curtem o skate, tinha razão quando indaguei, ao escrever em março, no dia do meu aniversário de 71 anos, sobre "os meninos da Península":

Será que os que projetaram a Península consideraram o enorme contingente infanto-juvenil e estudaram de alguma forma suas expectativas?

Não serão ostensivamente adultos os equipamentos disponibilizados em nossos condomínios, como as piscinas e os SPAs? Desde que cheguei aqui venho questionando a falta de um clube não exclusivamente esportivo na Península.

A "fuga para dentro de casa"

Nestas noites frias de julho, em plenas férias escolares, quando a televisão já vende o peixe do Dia dos Pais, voltei a me tomar de indagações sobre o cotidiano de nossos filhos. Somos um bairro "fechado" do tamanho do Leblon (diz-se e repete-se isso a toda hora) e, no entanto, andando por essas avenidas maravilhosamente ricas em árvores e obras de arte, tenho uma impressão pessimista: não vejo atrativos que agreguem os jovens, além das quadras de futebol e tênis. Estou errado?

O fenômeno maior é a "fuga para dentro de casa" ante os atrativos eletrônicos irresistíveis. Os games estão subindo às cabeças dos nossos meninos e meninas, produzindo uma relação cerebral sedentária que dispensa exercícios físicos e encurta distâncias numa roda viva imperceptível, além de cultivar uma relação humana robotizada entre estranhos, sem o carinho epidérmico e sem os apelos do olfato.

À primeira vista, os pais gostam de ter os filhos à mão. Antes o computador do que essas ruas ameaçadas por uma violência crescente e mal enfrentada por políticas de segurança confusas e ilusionistas. Afinal, filhos "caseiros" estão menos expostos à sedução das drogas e ao consumo de bebidas alcoólicas.

Renunciando à capacidade de pensar

Mas essa mudança de hábitos na adolescência poderá ter implicações na sua relação com a realidade futura, com o mundo insano e competitivo em que vai batalhar sua sobrevivência. Os jogos eletrônicos chegam a cada um pelo simples ato de baixá-los. O relacionamento pelas redes sociais está bombando.  Podemos nos envolver no descuido com parceiros de todas as latitudes, segundo a linguagem sumária da aproximação virtual, do caráter presumido, da intuição de superfície.

A minha geração era artesanal: gostava de "fabricar" seus brinquedos, desenvolvendo uma relação afetiva com eles.  As seguintes foram recebendo produtos acabados, mas por muito tempo brincávamos exclusivamente com quem víamos e ouvíamos. Se lágrimas derramássemos era olho no olho. Nossos namoros e nossos entrelaçamentos sentimentais eram fundados em empatias palpáveis.

Hoje, não. O faceboock e outras ferramentas como os smartphones tornaram-se cada vez mais influentes e determinantes.  Esse poder tem implicações profundas.  Estudo do University College de Londres, divulgado em 2010, concluiu que os jovens estão perdendo a capacidade de raciocinar por causa da internet.

Segundo os pesquisadores, a revolução digital estaria remodelando o funcionamento do cérebro de crianças e adolescentes, tornando-as mais hábeis para executar tarefas múltiplas, mas prejudicando o cultivo do raciocínio próprio. A descoberta corrobora a ideia de que a internet e os aparelhinhos eletrônicos não estão apenas mudando o comportamento das pessoas, mas também a maneira como elas pensam, aponta David Nicholas, coordenador da pesquisa.

Vinte por cento dos jovens marcam encontros com desconhecidos pela Internet, segundo pesquisa do G1 de 2008; os pais ficam sabendo em apenas 7% dos casos. Os jovens admitem que o interesse rola mesmo, mas todos vêem um relacionamento virtual com reservas.

De ano para ano a internet como elo magnético e forma de distração descomprometida, mais apaixonante, vai povoando todos os cérebros, como poder tirânico sobre aqueles ainda em formação.

Nossos filhos, os meninos da Península, cercados de verde e espaços "neutros" por todos os lados, parecem destinados a acompanhar as tendências dos criados na civilização encaixotada e engarrafada dos grandes centros urbanos. Refugiam-se nos games e nos "faces" com tal furor que até mesmo as relações filiais são assim condicionadas.


Isso me preocupa. Estou errado?

19 comentários:

  1. Caro Porfírio, na minha opinião você está certo a respeito da necessidade de termos aqui pistas de skate para a garotada. Ainda está em tempo, pois temos espaço suficiente.

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  2. CERTÍSSIMO. CREIO QUE PRECISAMOS CRIAR ESPAÇOS QUE SEJAM ATRAENTES PARA OS JOVENS, POIS DE QUE ADIANTA VIVER EM UM LOCAL COMO A PENÍNSULA, COM TANTO VERDE E TANTO ESPAÇO, E, POR FALTA DE OPÇÃO, PREFERIR PASSAR HORAS NAS REDES SOCIAIS, OU JOGANDO JOGOS ELETRÔNICOS?

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  3. Está correto sim, e para isso poderíamos usar os recursos que gastamos para publicar essa revista em papel que recebemos todo o mês, bastaria que ela ficasse disponível no site da peninsula, como já está. Essa impressão e distribuição da revista em papel não seria mais necessária e assim sobraria mais dinheiro para outras coisas mais relevantes. O que acham? Grande abraço a todos e parabéns pela sua iniciativa Pedro.

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  4. Grande Porfírio, como sempre a suas matérias são de grande valia para aqueles que são do bem.

    Infelizmente, de nada tem adiantado o que nós e poucos moradores da Península vêm denunciando e lutando há anos, ou seja, que o Condomínio Península e a ASSAPE foram projetados, criados e legalizados pelas Incorporadoras, com os únicos objetivos de satisfazer o ego de uma parte da burguesia hipócrita que veio morar na Península, que se acha dona do pedaço, e não aceita que as áreas comuns do Condomínio Península são ÁREAS PÚBLICAS, e ainda, para que as grandes Incorporadoras tenham lucros absurdos com o comércio (compra/venda/locação) das suas unidades, bem como, mantendo o poder de voto na ASSAPE.

    Não se esqueçam que a ASSAPE arrecada MENSALMENTE dos seus associados R$1.400.000,00 (UM MILHÃO E QUATROCENTOS MIL REAIS), sendo anualmente R$16.800.000,00 (DEZESSEIS MILHÕES E OITOCENTOS MIL REAIS), mais o Fundo de Reserva, tudo totalmente isento de qualquer imposto e inadimplência.

    ACORDA JUVENTUDE DA PENÍNSULA!!!!!!!!

    Paulo

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  5. Pedro, concordo com a necessidade de uma área para skate, no entanto não acredito que isso satisfaça a grande maioria. Eu mesmo já presenciei meninos extremamente mal educados, alimentados por pais omissos quebrando áreas na peninsula, ofendendo pessoas.... Infelizmente educação não é algo que a ASSAPE possa oferecer. Uma pista de Skate acredito que sim. Vamos continuar insistindo e vejamos se a referida pista resolverá os problemas. Ademais pensem e reflitam que a pista atrairá outros problemas como skatistas que não sabemos quem são andando por dentro das áreas comuns e etc.... temos que pensar nos prós e contras...

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    1. Caro vizinho, boa noite
      O tênis também não satisfaz a grande maioria que justifique tanta quadra, e a bocha??? quem joga??? e o Mini Golf ???? Não podemos pensar assim vizinho. Pode não ser do seu conhecimento mas esses meninos que você se refere também estão sendo ofendidos por adultos mal educados que pensam que são donos da península, que não devem ter tido infância e nem família. Hoje o Skate é o segundo esporte mais praticado no mundo, patrocinado por grandes empresas e que está presente nos principais centros da Europa e comerciais de TV. Vamos abrir nossa cabeça e parar com esse preconceito bobo sem qualquer fundamento. Da mesma forma temos pessoas que também não sabemos quem são e nem de onde estão vindo jogando futebol, jogando tênis e o pior praticando "pega" nas ruas do nosso condomínio. Pode perfeitamente ser construído sim um Skate Park com regras de utilização e fiscalização da ASSAPE
      .

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  6. Prezado anônimo, também não acredito que satisfaça a maioria dos moradores, mas acredito que seja o primeiro passo para melhorar o convívio e o lazer dos jovens da Península. Além disso, a ASSAPE através da segurança que pagamos, também não garante quem são os que entram e saem noite e dia pelas Portarias 1 e 2 do Condomínio Península, tanto a pé ,como de carro/ônibus/caminhão/bicicleta, etc.

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  7. Concordo plenamente com este jovem e ,recentemente, enquanto eu estava jogando tênis tinha uns três jovens com seus skates praticando nos bancos de concreto justo colado a minha quadra... Pensei na hora que eles estavam atrapalhando devido ao barulho que faziam as rodas quando realizavam aquelas manobras mas pensei também na mesma hora que eles não tinham aonde praticar o esporte! Finalmente não reclamei e fiquei observando como aqueles jovens, que poderiam meus filhos, estavam encontrando meios de se divertirem na prática de um esporte que sim, ainda enfrenta muitos preconceitos! Gostaria inclusive de ver esses jovens se unirem para lutarem por um espaço próprio para se divertirem e serem jovens de verdade.

    Ana

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    1. Perfeito Ana.
      Esses meninos também estão sendo ofendidos por adultos mal educados que pensam que são donos da península, que não devem ter tido infância e nem família. Hoje o Skate é o segundo esporte mais praticado no mundo, patrocinado por grandes empresas e que está presente nos principais centros da Europa e comerciais de TV. Vamos abrir nossa cabeça e parar com esse preconceito bobo sem qualquer fundamento. Da mesma forma temos pessoas que também não sabemos quem são e nem de onde estão vindo, jogando futebol, jogando tênis e o pior praticando "pega" nas ruas do nosso condomínio. Pode perfeitamente ser construído um Skate Park com regras de utilização e fiscalização da ASSAPE
      .

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  8. AMIGO PORFÍLIO, VC FOI PERFEITO NA SUA COLOCAÇÃO. PRECISAMOS DE UM SKATE PARK URGENTE NA PENÍNSULA COM REGRAS DE UTILIZAÇÃO E FISCALIZAÇÃO. O SKATE É O ESPORTE QUE MAIS CRESCE NO MUNDO ENTRE OS JOVENS. ESTÁ PRESENTE EM TODA PARTE NA EUROPA. VAMOS EVOLUIR, ABRIR NOSSA CABEÇA E PARAR COM PRECONCEITO BOBO E SEM FUNDAMENTO. COM TODA CERTEZA OS PRATICANTES VÃO SER OS JOVENS QUE MORAM NA PENÍNSULA E NO MÁXIMO UM AMIGO. PODE EXISTIR UM SKATE PARK FECHADO COM REGRAS DE UTILIZAÇÃO E FISCALIZAÇÃO. DA MESMA FORMA QUE EXISTE NO CAMPO DE FUTEBOL, OS USUÁRIOS DEVERÃO APRESENTAR A CARTEIRA DA ASSAPE.

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  9. ACORDA ASSAPE
    PISTA DE SKATE URGENTE. COM TODA CERTEZA VAI MELHORAR O CONVÍVIO E O LAZER DOS JOVENS DA PENÍNSULA

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