domingo, 10 de agosto de 2014

Cancelas decorativas

Portaria falha dá acessos com facilidade e não pode se incluir como item de segurança da Península

Jovem morador do Saint Barth trocou de carro e ficou surpreso ao dirigir-se à portaria 1 da Península, indo direto para a entrada dos moradores, como fazia por hábito há mais de 2 anos. Ao parar diante da cancela, a mesma se abriu por iniciativa de um funcionário que faz esse movimento por controle remoto. Entrou com a pulga atrás da orelha: o seu carro novo não tinha ainda a "tag" e ele esperava ser questionado.  Depois, fez o mesmo por vários dias, em portarias diferentes. A mesma facilidade. Viu então que não fazia diferença ter ou não esse "dispositivo de segurança" – bastava posicionar-se no acesso destinado aos moradores. 
Esse fato dá uma noção do caráter decorativo dos controles de acesso à Península, onde um "moderno" sistema foi implantado desde abril e vem operando precariamente. Para muitos, a emenda saiu pior do que o soneto. O morador nunca sabe quando a cancela se abre por leitura do "tag".  Mas depara-se diariamente com entradas ou saídas escancaradas por conta de defeitos nos equipamentos.

Essa mudança não foi barata. Ao contratar os serviços da Embratecc, a Assape concordou em pagar mais de R$ 240 mil. Optou por um sistema que tornaria o acesso rápido, mas esqueceu que isso faria a segurança mais vulnerável. No anterior, embora também registrasse falhas, o morador acionava um controle remoto em que havia um "botão de pânico", pelo qual poderia indicar ao pessoal da segurança algo errado. Se estivesse em companhia de um sequestrador, como aconteceu em julho, poderia avisar sem que ele percebesse.

As falhas no sistema são ainda mais graves. Durante a Copa do Mundo, um morador do Fit passou por um susto que até hoje povoa sua memória.  Dono de um Corola 2011, foi seguido por outro desde a Cidade de Deus, às 13 horas, o que o obrigou à alta velocidade na via alternativa à Avenida Airton Sena. Graças à sua perícia como motorista, conseguiu chegar à Península, mesmo com o carro perseguidor quase colado.

Na portaria da Portaria 1, embora também não tivesse instalado ainda o "tag" , entrou em velocidade e manobrou para acessar o seu condomínio, o primeiro, bem junto à portaria. O carro perseguidor entrou junto, mas desistiu de acompanhá-lo até o estacionamento do Fit. Pegou o retorno e foi embora.

O morador fez contato imediatamente com os seguranças e com a Assape. Sabia da existência de câmeras ali e imaginou que poderia ter a placa dos marginais.  Ficou sabendo, depois, que o carro foi fotografado, mas a placa não apareceu devido à baixa resolução da câmera.  Na falta dessa informação, a 16ª DP, onde foi registrar o ato criminoso, considerou quase impossível localizar o carro dos bandidos que entraram na Península.

Pior sorte teve um morador do Quintas. Ele foi abordado no estacionamento do hortifruti da Av. das Américas, também a uma da tarde, e teve que levar o bandido em sua companhia até o apartamento dentro da Península, onde tudo aconteceu sem que ninguém percebesse, conforme comunicado da sua administração, com anuência das vítimas:

"No desenrolar desse terrível fato, o assaltante, munido de arma de fogo, coagiu o morador a dirigir seu carro e trazê-lo até o seu apartamento. Recolheu todos os bens de valor financeiro que desejou levar consigo. Após o término do roubo, trancou a esposa do morador em um dos cômodos e obrigou o morador a levá-lo de carro até um determinado local, sendo que este ainda passou mais de uma hora em poder do assaltante. Somente após, liberou-o desse tormento".

E mais: "Resolvemos levar este fato ao conhecimento de todos, com a anuência das vítimas, no intuito de chamar a atenção para a falsa sensação de segurança que os moradores de Condomínios fechados possuem.

De nossa parte, verificamos que os controles de segurança para acesso a garagem por moradores geram comodidade, mas não efetividade".

Embora o assalto tenha acontecido no dia 5 de julho não há notícias novas de identificação e prisão do assaltante, que burlou duas barreiras de segurança.

Se essas facilidades de acesso acontecem, não se pode jogar toda a responsabilidade sobre a Assape e a empresa de segurança. Isto por que ainda há resistências aos controles e, segundo fontes da associação, dois funcionários de segurança já foram parar na delegacia por tentar barrar pessoas que queriam entrar sem identificar-se alegando que nossas ruas são logradouros públicos.

A Assape informa que já está trocando as câmeras da portaria e de outros pontos com os recursos de mais de R$ 300 mil do Fundo de Reserva liberados pela assembléia extraordinária do dia 10 de junho passado.  Mas não indicou como foi gasta a quantia do mesmo valor e com a mesma finalidade, aprovada numa outra AGO, em janeiro de 2013.

Outro elemento preocupante é a deliberada falta de entrosamento entre a portaria da Península e as dos condomínios. Se alguém informa que vai para o Saint Barth, por exemplo, não é feita nenhuma comunicação com o mesmo, ao menos para checar se o visitante foi para lá. Provavelmente devido ao fato de que cada condomínio contrata sua empresa e que cada uma delas tem seu modo de agir, o que se nota é o desprezo pelo entrosamento, providência elementar. 
Vale dar uma refletida sobre esses fatos.

12 comentários:

  1. Qdo soube do assalto ao morador do Quintas, fui a Assape e as respostas, desculpas que nos dão é desanimador. Falei sobre o controle antigo, dos botoes, e rapidamente disseram que não tinha dado certo porque as pessoas esqueciam qual era o seu botao e apretavam o do panico...aloooooo! E na administraçao do meu condominio muito pouco foi feito, até porque as pessoas só se incomodam, só pensam em fazer algo, quando é na casa deles. PREVENÇÃO????? Nem pensam...

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  2. CARO PORFIRIO,
    A MINHA EXPERIÊNCIA FOI PRATICAMENTE IDÊNTICA À DO MORADOR QUE TROCOU DE CARRO E ESTAVA SEM O TAG. PASSEI PELA ENTRDA DE MORADORES, SEM O TAG, COM A MAIOR FACILIDADE. ALIÁS, MAIS DE UMA VEZ, PELA FORÇA DO HÁBITO.
    ALÉM DISSO, EM OUTRA OCASIÃO, POR ESTAR SEM O TAG NA SAÍDA, OPTEI POR SAIR PELA PASSAGEM PARA NÃO MORADORES, E ACABEI PARANDO O CARRO EM UMA POSIÇÃO TAL QUE NÃO PERMITIA TER ACESSO AO BOTÃO PARA ABERTURA DA CANCELA, E HAVIAM OUTROS CARROS ATRÁS DO MEU. PEDI AJUDA AOS PORTEIROS, E SIMPLESMENTE FORAM ARROGANTES E GROSSEIROS, AO DIZER QUE SE EU NÃO PUDESSE ACIONAR O BOTÃO DE DENTRO DO CARRO, DEVERIA SAIR E NÃO AGUARDAR AJUDA, POIS NÃO ERA ESSA A FUNÇÃO DELES. BEM, IMAGINO ENTÃO, QUAL DEVA SER A FUNÇÃO DOS MESMOS, POIS SE LÁ ESTÃO E NÃO CONTROLAM A ENTRADA, E TAMPOUCO AJUDAM NA SAÍDA QUANDO HÁ UM PROBLEMA QUALQUER, PARA ONDE VAI TODO O DINHEIRO QUE PAGAMOS PARA A ASSAPE?????

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  3. A solução anterior era muito melhor! Além disso temos a produção dessas revista mensal que poderia ser apenas eletrônica, no site, porque imprimir para todos os moradores? É um gasto desnecessário

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  4. Prezados(as),

    Vou explicar mais uma vez o que a ASSAPE é, e o que faz com o dinheiro dos seus associados "OBRIGATÓRIOS".

    A ASSAPE não é uma associação de MORADORES, e sim uma ONG que usa a maior parte do dinheiro arrecadado dos seus associados "obrigatórios" para tratar dos interesses das empresas que vendem, compram e alugam imóveis na Peninsula,bem como para cuidar das áreas públicas da Península.

    Os parques, jardins, Ruas, Avenidas e Portarias situadas no Condomínio Península são áreas PÚBLICAS!

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  5. Esses caras ainda tiveram a cara de pau de cobrar pelo tag porque não peguei na data prevista... e essa m.... não funciona, pra pegar dinheiro eles são muito bons. O controle do meu prédio e o mesmo e funciona....

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  6. Cláudio Ribeiro (por e-mail)12 de agosto de 2014 11:33

    Confirmando a falha de segurança.
    Em abril tive meu carro furtado (L200), próximo a portaria do Via Bella.
    Cheguei em casa por volta das 19:30.
    Quando fui dar baixa no LANSA (linha amarela) foi verificado que, o carro passou por volta das 21:00 no pedágio.
    Concluí então, que o carro foi furtado por volta das 20:00 e que entraram comigo no condomínio.

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  7. Isso é realmente complicado.
    Afinal, toda essa área, independentemente das promessas dos corretores, é sim, até determinação em contrário, uma área pública, objeto elegível de gozo por toda a sociedade, e não apenas pelos moradores e beneméritos da área.
    Tentar reverter isso, baseados no fato de que fizemos benfeitorias na área, apenas coonestaria o desonesto argumento pelo qual tantos outros apropriam-se de espaços públicos de interesse turístico (praias em especial), que pertencem ao conjunto da sociedade, apenas porque ali construíram os jardins de suas casas.
    Isso apenas nos afasta, mais e mais, da imagem de que injustamente gozam as Classes Mérdia Alta e Alta, como pessoas esclarecidas, aptas a exercer o papel de Formadores de Opinião.
    Júlio Curvêllo
    Lago Verde 303

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