domingo, 2 de novembro de 2014

Com as barbas de molho

Crise de água no Sudeste pode sobrar pra gente. A Light já admite insuficiência de energia em 2015

Não é de hoje que venho alertando sobre alguns flancos vulneráveis em nossa Península. Assusta-me ver que alguns prédios tão modernos nada dispõem para prevenir consequências de apagões e até mesmo para fazer um reaproveitamento efetivo das águas das chuvas. O que mais me preocupa é a inexistência de geradores de emergência que religuem os elevadores no caso de apagão.

 E não sou o único preocupado. Segundo o Blogspot,  a reportagem de maior número de acessos até hoje no CORREIO é a GERADOR, NÃO DÁ PRÁ NÃO TER, publicada em 26 de fevereiro de 2014, hoje com 106.792 visualizações. A segunda colocada - Fui assaltada, por favor me ajude - teve 70.481 visualizações. A terceira - Pra gente ler e refletir, teve 47.998.
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Alguns condomínios até estão vendo alternativas para a implantação dos geradores, mas ainda persiste em pelo menos em um grupo a opinião de que foi mais urgente gastar R$ 600 mil com a troca de 15 equipamentos da academia, que tem 5 anos, do que dar prioridade à medida, até por que há quem afirme que os apagões só acontecem aqui muito raramente.

Os dados sobre a crise hídrica no Sudeste, que não é apenas de São Paulo, começam a vir à tona agora, depois das eleições.  O governador Geraldo Alckmin, que tem a responsabilidade de dar resposta para a falta d'água no Estado mais rico do país, não quer nem saber de diferenças políticas. Aceitou a oferta de colaboração da presidente Dilma Rousseff e mandou fazer (ou desengavetar) projetos para minimizar a crise, em meio ao agravamento da situação dos reservatórios.

Só que o projeto dele pode nos afetar, pois envolve a bacia do Rio Paraíba e o sistema de produção de energia elétrica no Estado do Rio.

Alckmin cobrou que a ANA (Agência Nacional das Águas) acione o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para priorizar o abastecimento humano na bacia hidrográfica à qual pertence a represa paulista de Jaguari.

Segundo Alckmin, a ANA deve frear a utilização de um volume de 160 m³/s de água do Paraíba do Sul na usina hidrelétrica de Santa Cecília, unidade da Light em Barra do Piraí (RJ).

— Quando se verifica a retirada em Santa Cecília, são 160 m³/s. Para a Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgotos - do Rio de Janeiro - para abastecimento humano) são 45 m³/s.

O governador Luiz Fernando Pezão reagiu na sexta-feira contra a proposta do governador Alckmin, que tenta desviar para o sistema Cantareira águas da bacia do rio Paraíba do Sul para remedir a crise da água em SP. "É claro que isso nos preocupa. O que prejudica o Paraíba prejudica o Rio", afirmou ao  ameaçar levar a disputa a Brasília. "São Paulo não pode tomar decisões unilaterais. Ele sabe disso", afirmou.

A crise da água não se resume num conflito com São Paulo. No Estado do Rio já temos péssimas notícias e o reconhecimento da Light de que haverá insuficiência de energia no Estado em 2015, conforme reportagem do jornal O DIA, sob o título "Seca do Paraíba do Sul pode causar apagões no Estado".

Além do desabastecimento na maioria das 37 cidades que captam água diretamente do manancial nos estados do Rio, de São Paulo e Minas Gerais, o colapso do sistema afeta em cheio a geração de energia elétrica e pode causar surtos de doenças provocadas pelo consumo de água de poços artesianos contaminados, alternativa que virou febre, como na Baixada Fluminense e na Zona Oeste.

A estiagem que castiga a Bacia do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 14 milhões de pessoas, tende a se agravar. Mas já deixou a Represa do Funil, em Itatiaia, no Sul Fluminense, operando com 10% de sua capacidade de geração de energia — o segundo pior índice desde que entrou em atividade, em 1969. 

Além do desabastecimento na maioria das 37 cidades que captam água diretamente do manancial nos estados do Rio, de São Paulo e Minas Gerais, o colapso do sistema afeta em cheio a geração de energia elétrica e pode causar surtos de doenças provocadas pelo consumo de água de poços artesianos contaminados, alternativa que virou febre, como na Baixada Fluminense e na Zona Oeste.

Em abril, relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico já havia adiantado que a bacia corre o risco de praticamente secar até o final do ano, caso não chova o suficiente, alcançando o negativo recorde de 1,8% de sua capacidade. Hoje, está na casa de 5%. David Zylbersztajn, do conselho de administração da Light e sócio-diretor da DZ Negócios com Energia, já admitiu que o sistema elétrico brasileiro não terá energia suficiente em 2015.  

As notícias ruins cruzam no espaço e eu já pus minhas barbas de molho. Isso, no entanto, não resolve. Já que a Assape não está nem aí para esse espectro que nos ronda, sugiro que cada um debate em seu condomínio como se preparar para o pior, se os apagões repetirem 2001. Lembra?

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