sábado, 24 de janeiro de 2015

Gerador agora ou agora

Crise hídrica no Sudeste faz acender de novo a luz vermelha nos condomínios
Pode parecer exagero, mas a configuração dos prédios da Península, com seus gabaritos de 16 andares, torna a existência de geradores como equipamentos básicos do seu funcionamento. Essa leitura foi feita por algumas construtoras em alguns empreendimentos, mas desprezada em outros: a RJZ Cyrela, por exemplo, construiu dois dos maiores residenciais na mesma época e com os mesmos conceitos: no entanto, enquanto o Saint Martin, de 550 apartamentos, foi entregue com 3 geradores que cobrem todo o condomínio, o Saint Barth, de 330, ganhou apenas um gerador, destinado a alguns fins, como a adega, mas seus 33 elevadores mantêm os moradores presos a cada apagão, deixando-os na dependência de resgates muitas vezes demorados.

Ninguém tem informação precisa sobre quais os condomínios que, como o Saint Barth, não contam com geradores. Mas vários deles foram à luta e instalaram esses equipamentos a custos razoáveis, como aconteceu no Quintas da Península e no Aquarela. Neste, um gerador "hospitalar" (de ruído reduzido) que atende com eficiência aos seus 3 blocos foi instalado a um custo total de R$ 140.000,00.
A implantação dos geradores voltou a povoar as preocupações dos moradores da Península com o insistente noticiário sobre a crise hídrica no sudeste do país. Enquanto em São Paulo a escassez de água nos reservatórios já está provocando racionamento em várias regiões, no Rio, um dos seus 4 reservatórios, o de Paraibuna, já opera com o "volume morto".
No nosso Estado, a diminuição das reservas de água se reflete mais diretamente no sistema de energia elétrica. Isso quer dizer que as possibilidades de apagões são maiores.
Independente dessas informações pontuais, o país já foi surpreendido na segunda-feira, dia 19, por um apagão que causou transtornos principalmente no Sudeste. E os temores de uma crise mais grave aumentaram com as declarações do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmando que o sistema entra em colapso se os níveis de todos os reservatórios chegarem a 10% - atualmente, fora São Paulo e o Paraibuna, estão em média em 17%.
Isso tudo impõe aos condomínios da Península a adoção de uma estratégia tanto em relação aos apagões de luz como à falta d'água. Essa semana também houve um corte por 48 horas. Quem tinha uma boa cisterna não sentiu seus efeitos. Mas nem todos os condomínios da Península dispõem de seus próprios reservatórios. No Saint Barth, há um sistema de canalização das águas das chuvas, como me informou um trabalhador da manutenção. Como isso funciona poucos moradores sabem.
O que parece claro é que a falta de visão e de competência de quem está à frente de vários condomínios tem levado a uma omissão deliberada sobre itens que estão diretamente relacionados com a nossa segurança e a nossa qualidade de vida.
Mas a responsabilidade maior é dos moradores, que têm uma participação mínima nas assembleias e não cobram informações de suas administrações, geralmente inchadas de pessoal e muito onerosas. O mais dramático é que a quase totalidade dos serviços é terceirizada, produzindo empregados em serviços diretos, como de portaria, que não conhecem os moradores por que têm sempre "pouco tempo de casa".

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